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terça-feira, 9 de agosto de 2011

A Princesa de Chinelos - (Algo parvo para variar...)

 

A Princesa de Chinelos

(Algo parvo para variar...)
Nobres cavaleiras e mui belos donzelos,
Eis-me aqui, perante vós, calçada de chinelos.
Que desonra para mim, admitir tais factos,
Mas a feiosa da bruxa roubou-me os sapatos!

A maldita, com a sua verruga no nariz,
Quis tirar-me o direito legítimo de imperatriz!
Imaginem só como ficou meu pobre coração,
Quando dei conta do roubo, entre a desarrumação.

Mas a coroa de flores oferecida pelas fadas,
Em troca de cogumelos e muitas empadas,
Prova a ascendência real das minhas veias,
E de tudo o mais, incluindo também as meias.

Mas que dor atroz... Meias sem sapatos...
Quase que preferia beijar mil e um sapos!
Mas irei falar com minha mãe, a suserana,
E a velhaca da bruxa sofrerá a dor desumana.

Pois quem no trono se está a sentar,
Tem gosto por sangue e cabeças a rolar.
Apresento-vos a Rainha de Copas, mãe minha!
Tende cuidado, que ela é mãe galinha.

E como bem vedes sou então princesa,
Do País das Maravilhas, com certeza!
Nobres cavaleiras e mui belos donzelos,
Não vos atreveis a fazer troça dos meus chinelos…
(Para um passatempo)

A indignidade


Lurdes Martins
A incontinência da má formação de algumas bestas continua.
Diissemina e denuncia as fotos indevida e ilegalmente usadas e ainda por cima alteradas e a página ao Facebook!
Respeito pela dignidade dos doenetes mentais precisa-se! Mais, exige-se!
Que se vão tratar os doentes emocionais e sociais! Para isso, precisamos que tomem consciência de que estão doentes...
Fotos do Mural
A DIRECÇÃO DE "OH SENHOR PAGA-ME UMA SOPA" QUER AGRADECER A TODOS OS SEUS FÂS PELO APOIO INCONDICIONAL À NOVA DIVA DA CIDADE DO PORTO. COMO AGRADECIMENTO, OFERECEMOS À SRA. GUILHERMINA UMA ENSOPADA FRANCESINHA E UM COPINHO DE VINHO.
Por: OH SENHOR PAGA-ME UMA SOPA
há 6 horas · Gosto · · Partilhar
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(...)
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Victor Nogueira Não percebo se é brincadeira, se é a sério. Em qualquer dos casos não vejo qualquer piada e poderiam tomar como tema a quadrilha de tios Patinha que na sombra manejam troikas de mandaretes feitos cavacos só-cretinos peritos em passes de coelho, durões e alegres patetas cheios de só-ares. Seguramente, Lurdes, há milhares de páginas impróprias para consumo nas redes sociais e na blogosfera. Se puseres uma página a apelar à liquidação física de hienas, tubarões e polvos, podes ter a certeza que és tu a "liquidada". 
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Não é por haver má utilização de automóveis ou telefones que vais deixar de utilizá-los ! Estas denúncias apenas servem para publicitar: eu nem sequer sabia que tal página existia mas graças à "publicidade" talvez apareçam mais fans. Bjos
há alguns segundos
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QUE FAZER AOS BOYS DE GOVERNOS ANTERIORES?



Um problema para Portas. Que fazer aos "boys" e "girls" do MNE?

por Ana Sá Lopes, Publicado em 09 de Agosto de 2011
Quase 40% do postos de embaixadas estão ocupados por pessoal político, que transita logo para cargos bem pagos.

Melhor que ser "boy" em Portugal é seguramente ser "boy" no exterior. Cerca de 40% do pessoal das embaixadas são ocupados por profissionais que não são diplomatas de carreira, mas que são colocados nos postos diplomáticos na sequência de proximidade com o poder, nomeadamente carreiras na assessoria dos governos.

O caso de David Damião, ex--assessor de imprensa do primeiro-ministro José Sócrates e do primeiro-ministro António Guterres, há um ano colocado na embaixada em Madrid, é apenas um exemplo entre 103.

Outro é Carneiro Jacinto, antigo porta-voz do MNE Freitas do Amaral, agora em Washington. E Maria Luís, que foi assessora de Sócrates enquanto ministro do Ambiente, foi depois colocada na Representação Per- manente de Portugal junto à União Europeia.

O próprio assessor de imprensa de Paulo Portas, Miguel Guedes, esteve na embaixada portuguesa em Paris, onde foi colocado depois de uma carreira no governo Barroso-Santana.

É uma tradição antiga. Mas, em época de austeridade e cortes, espera-se que a Associação dos Diplomatas, que sempre se insurgiu contra estes "intrusos" - num momento em que não há dinheiro para colocar mais embaixadores de carreira no exterior -, venha a fazer a vida negra ao actual ministro dos Negócios Estrangeiros.

O vencimento de alguns destes antigos jornalistas, agora com o estatuto equiparado a conselheiros de embaixada, varia entre 10 mil euros e 15 mil euros. No caso de Madrid, por exemplo, além do vencimento, existe um subsídio para arrendamento de casa de cerca de 3200 euros.

A Associação Sindical dos Diplomatas já denunciou que não tem sido feito "qualquer esforço de redução, ou pelo menos contenção, destes lugares que, excepcionais no passado, traduzem hoje um verdadeiro serviço diplomático alternativo".

Segundo os números da Associação, "actualmente existem 264 funcionários diplomáticos no estrangeiro (englobando todas as categorias e todos os postos)". "E existem 103 nomeados no regime de pessoal especializado. Este pessoal especializado corresponde hoje a 39% dos funcionários da carreira diplomática em posto no estrangeiro." Os nomeados estão a ocupar lugares de diplomacia e também lugares técnicos que não podem assim ser preenchidos por pessoal de carreira do MNE. Na prática, os técnicos e diplomatas ficam em Portugal sem progredir na carreira e vêm os cargos ocupados por pessoal externo à carreira diplomática.

Não é de hoje a guerra dos diplomatas aos "boys" e "girls", mas os cortes orçamentais estão a paralisar a capacidade de o MNE colocar os seus diplomatas. Os quadros do MNE dizem que as regras de acesso são muito mais fáceis para os escolhidos pelo poder político do que para os funcionários de carreira.

No último decreto-lei que regulamentou a progressão, no final de 2010, a Associação queixava--se da manutenção de "condições menos exigentes para nomeação para estes lugares: apenas seis anos de experiência profissional para ocupar um lugar de conselheiro especializado, face a um mínimo de 11 anos para que um funcionário diplomático possa aceder ao concurso de promoção a conselheiro de embaixada". O facto de estarem em causa quase 40% do total dos postos diplomáticos no exterior levava a Associação a defender que "a simples dimensão relativa deste universo aconselha um cuidado especial e um rigor acrescido na sua regulação".

Alguns postos estão em fase de renovação de comissões de serviço. E Paulo Portas terá duas opções: cancelá-las, destacando diplomatas de carreira "desempregados", ou mantê-las em nome da sã convivência que sempre permitiu aos partidos de poder fazer rodar os seus amigos políticos por lugares com algum interesse profissional.

A um mês da negociação do próximo Orçamento do Estado, e com os olhos postos nos gastos públicos, esta vai ser uma batata quente para o MNE.

Com Liliana Valente

COMENTÁRIOS:

Será que todos os portugueses que pagam os seus impostos e as contribuições à segurança social e todas as taxas e mais algumas neste país, podem processar o estado português (directamente os detentores dos cargos públicos que se provar terem responsabilidades) em tribunais competentes para o efeito, pela forma praticamente danosa como este gere o dinheiro de todos nós, alimentando e sendo conivente com estas parasitagens todas?Os cidadãos portugueses têm esse direito sobre o estado a quem delegamos com muito sacrifício o nosso dinheiro para que seja bem gerido, bem investido no bem público e no país e não nestas verdadeiras pilhagens?Juridicamente e constitucionalmente é possível?É uma discussão interessante a lançar pela sociedade civil que nunca se vê debater na comunicação social como televisões, rádios e jornais. Talvez fosse um principio para moralizar e colocar ética nesta podre sociedade gerida por um regime de autênticos interesses partidários actuando conforme interesses privados e praticamente nunca públicos. O país seria certamente diferente e estaria-se muito melhor, muito mais longe do precipício que nos há-de destruir como nação independente e soberana.

O que é isso de ser amigo, ser o “melhor” amigo, ser o amor de um amigo “melhor”?


Amar como amigo é aceitar quem está ali, como pessoa, com erros e defeitos, com qualidades e virtudes, é ter compaixão, é construir uma ligação constante mesmo em tempo ausente, é “colocar a mão no fogo” mas sem se queimar, é estar presente sem deixar de existir, é ouvir quando for preciso, é dizer a verdade mas dar-lhe colinho, é incentivar quando percebemos que está no bom caminho, é avisar quando está perdido, é animar, é deixar-se animar, é partilhar a dor, é partilhar o amor, é dizer que gosta quando gosta, é abdicar por vezes de si mas considerar isso como um desafio, porque ser amigo é deixar que te guiem, é dar confiança ao outro para lhe mostrar novos caminhos, é deixar-se incentivar. Por vezes respeitar o seu silêncio, mas muitas vezes quebrar a sua inércia, porque ser amigo não é deixar partir sem que perceba que ele é importante para ti. Ser o amor de um amigo é darem-se importância por se terem escolhido, é querer a sua felicidade, é querer o melhor mesmo que por vezes isso possa causar-te alguma inveja, inveja saudável, porque se ele estiver melhor é um estimulo para melhorares a tua vida “Porra! É isso que eu quero para mim! Vai! Avança!” Por vezes é proteger, mesmo que seja de si mesmo, porque eu sei, pelo menos eu sei, que muitas vezes posso não ser uma boa amiga, mas antes aviso “Olha que eu agora não sei se estou a ser lá muito boa amiga, por isso cuidado comigo, afasta-me quando for preciso”.



Um país de mentiras


 



 imagem trabalhada da responsabilidade de António Garrochinho

Um país de mentiras


A irresponsabilidade e incompetência dos políticos que passaram pelos governos e pelas autarquias promoveram a descredibilização das Função Pública, os mesmos políticos que encheram o Estado de boys inúteis, que nomearam chefias incompetentes e corruptas, que promoveram a má gestão do Estado tudo têm feito para atribuir o odioso das consequências das suas políticas para a Função Pública.

Cavaco chegou a dizer que o problema se resolvia com a morte dos funcionários, Manuela Ferreira Leite atirou o odioso da crise para a Função Pública, Sócrates fundamentou algumas das suas reformas na malandrice da Função Pública e Passos Coelho já escolheu os funcionários do Estado como as principais da crise.

Mas a verdade é que anda por aí muita gente a ganhar mais com o Estado do que os seus trabalhadores. Até a filha do presidente angolano vai ganhar muito mais com um único negócio do que muitas centenas ou milhares de trabalhadores de trabalhadores ganharão durante toda a vida.

Belmiro de Azevedo, um dos mais destacados críticos do Estado ganhou fortunas com as vantagens do seu poder sobe os políticos, um bom exemplo disso foi o negócio da privatização do Estado. Aliás, entre os mais bem remunerados “funcionários públicos” deste país estão os homens mais ricos deste país, os banqueiros beneficiados por esquemas para isentar a banca de impostos, os donos da petrolífera que beneficiam da inércia do regulador, a infinidade de empresas que recebem falsos incentivos e subsídios.

Há neste país muita gente que ganha mais em borlas das SCUT do que ganham os funcionários públicos melhor remunerados. Há mesmo muitos “pobres” que ganham tanto quanto um técnico superior em início de carreira e se considerarmos o ordenado médio de um funcionário público depois de deduzido da conta da casa uma boa parte deles fica com menos dinheiro do que muitos dos pobres que beneficiam de bairros sociais.

Os políticos criaram uma imensa teia de ajudas, subsídios, isenções e borlas diversas cujo resultado é tornar impossível saber quem em Portugal é ou não pobre. O vencimento de um funcionário público como, aliás, sucede com a generalidade dos trabalhadores conta em bruto para os indicadores de riqueza. A despesa com a casa, com os médicos privados, com as despesas escolares não é considerada. Mas caso do beneficiário do rendimento mínimo apenas este é considerado, não se acrescentam o custo que a casa representa para o Estado, em como outras borlas diversas. Se estatisticamente o segundo é mais pobre do que o primeiro na realidade há milhares de situações em que isso não é verdade.

Portugal é um país de mentiras, as estatísticas reflectem uma realidade que não existe, as empresas declaram prejuízos que não têm, um milionário presidente do Benfica até declarava o ordenado mínimo, a economia paralela transforma os indicadores económicos em mentiras estatísticas, a evasão fiscal move mais dinheiro do que a função redistributiva do sistema fiscal que, aliás, já nem existe.

Mas todos fazem de conta que isso não sucede e nas horas de crise elegem-se responsáveis, vítimas e escolhem-se descamisados para proteger.

Entrevista

Macário Correia: "Há autarquias a pagar ordenados com as receitas da água"

08.08.2011
 (Foto: Virgílio Rodrigues)
Macário Correia devolveu, em 2009, a presidência da maior câmara algarvia ao PSD e diz que é a pior altura de sempre para se ser autarca. Critica colegas que cometeram graves erros de gestão e lamenta que o Governo não explique por que pede tantos sacrifícios aos portugueses sem começar por dar o exemplo. Diz não ser um vira-casacas e garante que desvirtuaram as suas palavras quando comentou a introdução de portagens na Via do Infante.
Choveram críticas por ter dito que a introdução das portagens na Via do Infante é inevitável. Como o explica?

Fui contactado por um jornalista que me perguntou o que achava do processo das portagens [na Via do Infante, a A22], e eu disse-lhe aquilo que sempre achei - que é algo muito injusto para o Algarve. Mas se me perguntar se acho que são evitáveis neste momento, contra a minha vontade presumo que não são evitáveis. A troika tem isso expresso no memorando, isso foi assinado pelos três partidos do arco da governabilidade. Não disse em lado algum que era a favor das portagens, apenas disse que me manifesto contrário a um acto que é injusto, numa circunstância que está explicada por A mais B que vai gerar mais acidentes na EN125. Houve um uso abusivo daquilo que eu disse.

Quem deturpou as suas declarações? Os seus opositores políticos?

Foram alguns comentadores e jornalistas. Em Janeiro, não havia pórticos [de portagem] na Via do Infante, neste momento estão lá. Na campanha eleitoral de 2009, os partidos políticos eram contra, em particular os partidos que lideram governos, o PS e o PSD. É público que defenderam em debates a inevitabilidade da introdução das portagens. Em Janeiro/Fevereiro não tínhamos cá a troika. Nessa altura também não falávamos no aumento do preço dos transportes e no pagamento de portagem na Ponte 25 de Abril em Agosto, do corte do subsídio de Natal e de outros. Não é bonito que me digam: "Este tipo mudou de opinião, pelo facto de o Governo ter mudado." Eu não mudei de opinião.

E que injustiça é essa de portajar a Via do Infante?

Foram os fundos europeus dos anos de 1990 que pagaram dois terços dessa estrada que vai do Guadiana até um pouco adiante de Albufeira. Só o último troço, que vai até Lagos, é que foi feito já em modelo de financiamento Scut [sem custos para o utilizador], pelo que não faz sentido pagar de novo o que já foi pago por fundos europeus. Aqueles dois terços estão pagos, estão arrumados. Muitos governos têm dito que não há lugar a introdução de portagens sem alternativas - que seria a requalificação da EN125. Ora, dessa obra, de 150km, só há três com trabalho avançado, que é a variante a Faro. Estaremos a introduzir mais trânsito na EN125 - já sujeita a sinistralidade agravada. E quem venha de Sevilha para Faro corre um troço gratuito, em Espanha, e um pago, em Portugal, porventura a partir de Setembro. Criam-se diferentes custos de funcionamento da economia e de competitividade. Compreendo as ansiedades que o Governo vive e a angústia de encontrar receita. Mas também parece que é necessário ter uma atitude mais coerente em relação a alguns procedimentos.

Como assim?

Constatei nos últimos dias - já o li e parece que não foi desmentido - um aumento da remuneração dos administradores da CP, empresa que deveria ter resultados líquidos associados aos vencimentos. Depois, a Caixa Geral de Depósitos aumentou o número de administradores. E para um governo que começou com uma atitude de contenção, com a redução do número de ministérios - que aplaudo -, a lista de secretários de Estado impressiona. E a lista de assessores e adjuntos, e a remuneração dos elementos dos gabinetes é de pasmar. Pergunto se foi lapso, ou se será corrigida brevemente.

Quer dizer que o Governo tem-se explicado mal?

Sinto-me carente de uma explicação. Já tive dois cortes no meu vencimento, vou ter agora o terceiro. Mas depois olho para a lista de assessores, adjuntos e membros do Governo e fico preocupado. Falta aqui explicar melhor isto.

Como aplica esse rigor e contenção de despesas na gestão do município?

A câmara tem agora quase menos 200 pessoas do que tinha há dois anos. Há contratos que a lei não permite que se renovem. Não abrimos concursos para preencher muitos desses lugares. Não despedi ninguém. Com menos gente fazemos o mesmo ou mais que no passado. Isso é redução de custos. E tentamos obter receitas que estavam perdidas.Porém, Faro vai alienar património para socorrer a sua tesouraria.

Temos feito várias hastas, a última ficou em branco. Já vendemos algum património, mas menos do que gostaria de vender. Não é fácil vender agora e não vou alienar ao desbarato.

Isso condicionará a reestruturação financeira municipal?

Já tive palavra de alguns presidentes de bancos em como obteria [crédito], mas os dias vão passando, e o que era seguro deixa de o ser. Os bancos estarão a concertar-se para pressionarem o Governo, o ministro das Finanças e a troika para construírem um pacote de financiamento das autarquias, que estão a ser estranguladas pela inacessibilidade do crédito. Ou o Governo toma decisões nos próximos dias, ou podemos ter municípios em estrangulamento total. Há câmaras que estão a pagar os vencimentos dos seus funcionários com as receitas da água, que deveriam pagar à Águas do Algarve. Aquela empresa tem 44 milhões de crédito sobre fornecimento aos municípios. A conta da Algar [tratamento de resíduos sólidos] já vai em seis milhões de euros. Quando o mercado imobiliário caiu, os municípios do Algarve que viviam em alta das receitas de Imposto Municipal sobre Transmissões e Imposto Municipal sobre Imóveis também caíram. Cometeram-se muitos erros, ao criarem dívida quando as receitas estavam a crescer, o que não é um acto de boa gestão.

Qual é a situação de Faro?

Precisamos até 48 milhões para assegurar a facturação vencida e outras urgentes, e neste momento tenho a sensação de que a banca não chega a metade das nossas necessidades. Há três meses que ando em negociações quase diárias, ao mais alto nível bancário.

Que efeito terá o desaparecimento dos governos civis?

Comprovo que as funções que desempenhava podem ser distribuídas pelas autarquias e por outros órgãos do Estado poupando-se assim muito dinheiro, quer para os cargos públicos, quer para os edifícios. O edifício do Governo Civil daria agora um excelente hotel de charme na Baixa de Faro. E o Estado poderia encaixar bom dinheiro.

E qual o papel que deverá desempenhar a Comissão de Desenvolvimento Regional?

Tudo é comandado a partir de Lisboa, por funcionários nomeados. Ou se faz um processo de regionalização, ou dotam-se as comunidades intermunicipais de poder político para fazerem essa articulação. Seria uma descentralização progressiva dos serviços. Há sete anos, iniciou-se uma reforma nesse sentido. Mas tudo regrediu, pois as associação de municípios têm competências banais e as CCDR são meras dependências do Estado.

Sem meios financeiros qual o papel actual do presidente de câmara?

Trabalha muito, é mal pago, mal tratado e mal compreendido. Nos tempos que correm ser presidente de câmara é muito difícil: não tem dinheiro, as receitas caem, lida com a ansiedade dos desempregados e os seus problemas sociais. É um cargo que exige muita dedicação, sacrifício. Em dez mandatos autárquicos, este é o mais difícil de todos.

O Turismo do Algarve e o Turismo de Portugal não se duplicam?

Tem de haver melhoria no gasto do dinheiro público. O Turismo de Portugal gasta muito dinheiro e tem dirigentes muito bem pagos. Era bom que os contribuintes soubessem quanto. O programa Allgarve é uma ofensa à cultura algarvia, que deveria ser corrigido para uma designação civilizada que valorizasse as nossas heranças e tradições.

Um investimento turístico, de capital russo, para a zona das Gambelas ficou parado...

Portugal tem muita legislação e às vezes, no mesmo Governo, produzem-se diplomas contraditórios, e não se percebe qual a lei que prevalece. O Plano Regional de Ordenamento do Território do Algarve diz que naquela zona do Pontal deve haver um empreendimento turístico e sob os auspícios da CCDR-A fez-se o concurso, ao abrigo da lei. Mas o Parque Natural da Ria Formosa tem outra interpretação.Por causa disso não há investimento?

Já o comuniquei à ministra do Ambiente para que o assunto seja resolvido, pois o problema é malévolo para o Algarve. Os investidores mantêm interesse em prosseguir com o projecto, que é de alta qualidade e de muito baixa densidade habitacional.

Faro ainda é para o turista apenas um aeroporto?

Com a abertura de mais linhas low cost há boa presença de turistas na cidade, temos é pouca capacidade hoteleira. Faro oferece a refeição, a visita, mas não a dormida. Por essa razão, Faro tem de aumentar a sua capacidade hoteleira
Publico .pt

Médicos cubanos – Ainda se ao menos fossem “competentes”...




Não há volta a dar-lhe! Por mais que a medicina cubana e os seus profissionais sejam elogiados internacionalmente, por mais que os números relativos aos cuidados de saúde pública em Cuba façam corar (fariam, se houvesse vergonha) países do “primeiro mundo”... tudo isto independentemente do que se pense sobre o regime político daquela grande ilha das Caraíbas, já que não é esse o assunto deste post, a verdade é que os médicos e médicas cubanas são olhados com desconfiança em muitos lugares... quem sabe, com medo que entre um curativo, uma pequena cirurgia, ou uma simples consulta, eles assumam o papel de espiões, ou de “evangelistas” da Revolução. Portugal não é exceção.
Independentemente das reais intensões com que o disse, o senhor doutor bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, lá foi dizendo que, “sem desprimor e sem xenofobia” (claro, claro!), era natural que certos extratos da população portuguesa estivessem “satisfeitos” com os médicos cubanos... já que antes não tinham médico nenhum, isto apesar, acrescentou, de esses clínicos não terem as «competências adequadas» para exercer a função.
E lá fiquei eu, numa das minhas divagações costumeiras, a imaginar e a tentar enumerar as «competências» que os amigos e amigas cubanas não têm... e de facto, se pensarmos nisso, existem várias:
- Não têm a “competência” de passar atestados médicos para 25 polícias, todos no mesmo dia, meterem baixa de saúde fraudulenta.
- Não têm a “competência” de passar as férias em estâncias balneares de luxo, no estrangeiro, a pretexto de passarem meia dúzia de horas dessas férias a ouvir os senhores que lhes pagam as estadias, fazerem propaganda a mais uns novos medicamentos que eles devem passar a receitar... tendo ainda a suprema lata de chamar a isso “congressos”.
- Não têm a “competência” de montar clínicas vistosas, com consultas a custarem 100 euros (ou muito mais), mas que ao primeiro exame dispendioso que for necessário, mandam o doente ir ter à consulta que também têm num qualquer hospital público, onde farão o exame gratuitamente, ou quase... para depois continuarem o “tratamento” (e os pagamentos, obviamente!) na clínica privada.
- Não têm “competência” para, nas consultas do Serviço Nacional de Saúde, “cheirarem” os doentes que têm disponibilidade financeira para contornar as esperas e demais incómodos do serviço público, passando, a seu conselho, para a clínica privada onde têm o seu biscate paralelo.
Poderia continuar, mas estes poucos exemplos já dão para ver o quanto estes médicos e médicas cubanas são “incompetentes”. Tão “incompetentes” como as centenas e centenas de médicas e médicos, enfermeiras e enfermeiros portugueses que, no SNS, fazem o seu trabalho com amor, competência e honestidade. Todos longe, muito longe do milionário universo em que se movem os barões da medicina... e da Ordem.

PASSA POR LÁ UM RIO...



Passa por lá um rio feito de anseios,

De águas mansas, serenas, cristalinas,

Visitado por aves que, em gorjeios,

Vêm beijar as flores mais pequeninas,



Um córrego onde posso, sem receios,

Banhar-me como todas as meninas…

Minh`alma, pouco dada a devaneios,

É nele que encontra aspirações divinas…



Passaram tantos rios e só naquele

Soube o que era sentir, à flor da pele,

A estranha glória de não ter idade



O rio passou e eu já passei com ele

Mas nunca o esquecerei porque foi nele

Que achei, purinha, a minha identidade...







Maria João Brito de Sousa