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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade.

cacique Seatle


Em 1855, o cacique Seattle, da tribo Suquamish, do Estado de Washington, enviou esta carta ao presidente dos Estados Unidos (Francis Pierce), depois de o Governo haver dado a entender que pretendia comprar o território ocupado por aqueles índios. Faz mais de um século e meio. Mas o desabafo do cacique tem uma incrível atualidade. A carta:

    "O grande chefe de Washington mandou dizer que quer comprar a nossa terra. O grande chefe assegurou-nos também da sua amizade e benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Nós vamos pensar na sua oferta, pois sabemos que se não o fizermos, o homem branco virá com armas e tomará a nossa terra. O grande chefe de Washington pode acreditar no que o chefe Seattle diz com a mesma certeza com que nossos irmãos brancos podem confiar na mudança das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas, elas não empalidecem.
Como pode-se comprar ou vender o céu, o calor da terra? Tal idéia é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do brilho da água. Como pode então comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre as coisas do nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada folha reluzente, todas as praias de areia, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na crença do meu povo.
    Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual ao outro. Porque ele é um estranho, que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, nem sua amiga, e depois de exaurí-la ele vai embora. Deixa para trás o túmulo de seu pai sem remorsos. Rouba a terra de seus filhos, nada respeita. Esquece os antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrece a terra e deixa atrás de si os desertos. Suas cidades são um tormento para os olhos do homem vermelho, mas talvez seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.
Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o zunir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é terrível para os meus ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite? Um índio prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar, animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.
Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais como se fossem seus irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso que um bisão, que nós, peles vermelhas matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode também afetar os homens. Tudo quanto fere a terra, fere também os filhos da terra.
    Os nossos filhos viram os pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio e envenenam seu corpo com alimentos adocicados e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias. Eles não são muitos. Mais algumas horas ou até mesmo alguns invernos e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nestas terras ou que tem vagueado em pequenos bandos pelos bosques, sobrará para chorar, sobre os túmulos, um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.
De uma coisa sabemos, que o homem branco talvez venha a um dia descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julga, talvez, que pode ser dono Dele da mesma maneira como deseja possuir a nossa terra. Mas não pode. Ele é Deus de todos. E quer bem da mesma maneira ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. Causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças. Continua sujando a sua própria cama e há de morrer, uma noite, sufocado nos seus próprios dejetos. Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos selvagens, quando as matas misteriosas federem à gente, quando as colinas escarpadas se encherem de fios que falam, onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinha da torre e à caça; o fim da vida e o começo pela luta pela sobrevivência.
    Talvez compreendêssemos com que sonha o homem branco se soubéssemos quais as esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferecem para que possam ser formados os desejos do dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos temos que escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos na venda é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias como desejamos. Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueça como era a terra quando dela tomou posse. E com toda a sua força, o seu poder, e todo o seu coração, conserva-a para os seus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por Ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum."

EXCELENTE ! - nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis....


nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis....
por Ana Paula Santos a quinta-feira, 14 de Julho de 2011 às 20:57

A Nossa Crise Mental Que pensa da nossa crise? Dos seus aspectos — político, moral e intelectual?
A nossa crise provém, essencialmente, do excesso de civilização dos incivilizáveis. Esta frase, como todas que envolvem uma contradição, não envolve contradição nenhuma. Eu explico. Todo o povo se compõe de uma aristocracia e de ele mesmo. Como o povo é um, esta aristocracia e este ele mesmo têm uma substância idêntica; manifestam-se, porém, diferentemente. A aristocracia manifesta-se como indivíduos, incluindo alguns indivíduos amadores; o povo revela-se como todo ele um indivíduo só. Só colectivamente é que o povo não é colectivo.
O povo português é, essencialmente, cosmopolita. Nunca um verdadeiro português foi português: foi sempre tudo. Ora ser tudo em um indivíduo é ser tudo; ser tudo em uma colectividade é cada um dos indivíduos não ser nada. Quando a atmosfera da civilização é cosmopolita, como na Renascença, o português pode ser português, pode portanto ser indivíduo, pode portanto ter aristocracia. Quando a atmosfera da civilização não é cosmopolita — como no tempo entre o fim da Renascença e o princípio, em que estamos, de uma Renascença nova — o português deixa de poder respirar individualmente. Passa a ser só portugueses. Passa a não poder ter aristocracia. Passa a não passar. (Garanto-lhe que estas frases têm uma matemática íntima).
Ora um povo sem aristocracia não pode ser civilizado. A civilização, porém, não perdoa. Por isso esse povo civiliza-se com o que pode arranjar, que é o seu conjunto. E como o seu conjunto é individualmente nada, passa a ser tradicionalista e a imitar o estrangeiro, que são as duas maneiras de não ser nada. É claro que o português, com a sua tendência para ser tudo, forçosamente havia de ser nada de todas as maneiras possíveis. Foi neste vácuo de si-próprio que o português abusou de civilizar-se. Está nisto, como lhe disse, a essência da nossa crise.
As nossas crises particulares procedem desta crise geral. A nossa crise política é o sermos governados por uma maioria que não há. A nossa crise moral é que desde 1580 — fim da Renascença em nós e de nós na Renascença — deixou de haver indivíduos em Portugal para haver só portugueses. Por isso mesmo acabaram os portugueses nessa ocasião. Foi então que começou o português à antiga portuguesa, que é mais moderno que o português e é o resultado de estarem interrompidos os portugueses. A nossa crise intelectual é simplesmente o não termos consciência disto.
Fernando Pessoa, in 'Portugal entre Passado e Futuro'
WebRepAvaliação geral 

Jardim só aplicou 29,5% das verbas recebidas na reconstrução Madeira

Qual será o paradeiro,  dos 134,9 milhões de euros em falta e dos milhares de euros enviados por cidadãos anónimos?
Alberto João Jardim acusava frequentemente Sócrates de “roubar” verbas à Madeira, mas afinal, o Tribunal de Contas reconhece que “a disponibilização de fundos para a reconstrução da Madeira acordada para 2010 foi cumprida.
O governo regional recebeu em 2010 do governo 191,3 milhões de euros e utilizou pouco mais de um quarto para a reconstrução das zonas afectadas pelo temporal de Fevereiro de 2011.
O Tribunal de Contas, não especifica para onde foi desviado pelo governo regional, 134,9 milhões de euros.
Alberto João jardim, inaugurava as obras de ampliação de um lar de idosos com 17 camas (um investimento superior a 714 mil euros!!!!!!?????), quando confirmou a notícia e rejeitou as críticas de desvio das verbas, salientando ser impossível tal acontecer “porque o dinheiro está consignado” às obras das inundações.
Será que as”obras das inundações “também abrangem a construção de marinas, campos de golfe e o projecto do cais dos cruzeiros????

GOVERNO PASSOS/PORTAS - Ainda sobre o colossal roubo

Ainda sobre o colossal roubo





Voltando ao anúncio do roubo de parte do 13º mês a milhões de portugueses, ficou-me na retina a frase com que o Governo o classificou essa medida: «extraordinária e universal».
E assim, em apenas duas palavras, podemos apreciar outras tantas mentiras, essas sim, colossais. Senão, vejamos:
1. “Extraordinária” – Mentira! Não tem nada de extraordinário. Os governos do PS, PSD e CDS, há muito que andam a espoliar os trabalhadores. Em dinheiro e direitos... entre outras coisas.
2. “Universal” – Mentira! O facto de o Governo ter falado quase exclusivamente dos muitos milhares de pobres que não serão obrigados a pagar, não consegue esconder, nem disfarçar, a ofensiva e desavergonhada realidade dos milhares de ricos que ficam isentos.

O SEM NOME


Um homem que tem nome e não tem nome

Numa terra qualquer, que não é sua,

Nuns dias a comer, noutros, com fome,

Esmolando o dia-a-dia em cada rua,



Numa busca incessante, que o consome,

Que o faz ser quem não é, que o desvirtua,

Que o leva a não saber que rumo tome

Na estrada que a miséria tornou crua…



Esse homem que partiu, talvez não volte…

Talvez essa miséria nunca o solte,

Talvez a fome o leve um destes dias,



Talvez seja mais um dos que, à partida,

Arriscaram – quem sabe? – a própria vida

Por causa do tal excesso em que vivias…






Maria João Brito de Sousa
blog pekenasutopias

Mário Soares aconselha PS a recusar revisão constitucional

14.07.2011 - 20:25 Por Maria José Oliveira
O antigo Presidente da República e fundador do PS deixa um aviso à futura liderança socialista: o partido não deve aceitar uma nova revisão constitucional.
Soares diz que a Constituição de 1976 “continua a ser muito actual e não deve ser mexida” Soares diz que a Constituição de 1976 “continua a ser muito actual e não deve ser mexida” (Daniel Rocha)
No final do colóquio “A I República e a História”, realizado esta tarde no salão nobre da câmara de Lisboa, Mário Soares afirmou que a Constituição de 1976 “continua a ser muito actual e não deve ser mexida”.

Mais tarde, aos jornalistas, o antigo chefe de Estado aproveitou para deixar um recado velado ao futuro secretário-geral do PS, que será eleito nos dias 22 e 23, dizendo que os socialistas não devem aceitar uma nova revisão constitucional. “A Constituição não pode ser alterada porque é necessária uma maioria de dois terços. E o PS não pode estar de acordo com isso”, disse.

Soares entende que “não há qualquer razão” para alterar a Lei Fundamental, “sobretudo neste momento difícil” que o país atravessa.

Refira-se a última revisão da Constituição foi interrompida devido às eleições antecipadas, embora exista a intenção, por parte do Governo de coligação, de resgatar essa iniciativa.

Marinho Pinto foi "simplista, populista e demagogo" - O bastonário reagiu, lamentando profundamente o estilo de Paulo Rangel e acusando-o de o confundir "provavelmente" com um adversário eleitoral.

Marinho Pinto foi "simplista, populista e demagogo"

Durante o debate "Justiça - como fazer a rotura?", o eurodeputado Paulo Rangel acusou o bastonário dos Advogados de ter um discurso "simplista, populista e demagógico".

Lusa
1:27 Sexta feira, 15 de julho de 2011
 
Marinho Pinto foi 'simplista, populista e demagogo'
O eurodeputado Paulo Rangel acusou o bastonário dos Advogados, cara a cara, de adotar um discurso "simplista, populista e demagógico", que "nada ajuda" a resolver os problemas da Justiça.
"Não aceito, nem posso aceitar, que alguém corrobore este discurso simplista, populista e demagógico. Alguém tem que dizer isto em Portugal", afirmou o eurodeputado, que também é advogado.
A crítica a Marinho e Pinto, que teve réplica e tréplica, foi proferida quando os dois participavam quinta-feira, à noite, no Porto, juntamente com o conselheiro e antigo ministro da Justiça Laborinho Lúcio, no debate "Justiça - como fazer a rotura?", promovido pela Câmara Municipal.
"É com discursos destes que a Justiça está como está!", lamentou Paulo Rangel, acusando o bastonário de contradições no seu próprio discurso.

"Estivemos 50 minutos a ouvir o bastonário que disse várias vezes uma coisa e o seu contrário", afirmou, referindo-se nomeadamente a alusões de Marinho e Pinto ao relacionamento dos juízes com os procuradores do Ministério Público.

O bastonário reagiu, lamentando profundamente o estilo de Paulo Rangel e acusando-o de o confundir "provavelmente" com um adversário eleitoral.

"O meu estilo é público e notório. Não sei o que o surpreendeu", disse, explicando que mantém o que vem dizendo "há anos" e lamentando que eurodeputado o criticasse "de forma desleal e traiçoeira".

Marinho Pinto quer " transparência no sistema democrático"


Marinho e Pinto garantiu que vai "continuar a defender que um advogado não deve ser deputado ao mesmo tempo. É a transparência no sistema democrático. Vou continuar a denunciar os clientes que se angariam na Assembleia da República".

Referindo que os ataques "mais vis" que recebeu foram de advogados, garantiu que não deixará de expor as suas ideias "por muito que desagradem" a outros.

"Eu não ando à procura de votos. Outros andam. A mim não me asfixiam", acrescentou numa aparente alusão à expressão que "asfixia democrática" que celebrizou Paulo Rangel, num discurso que proferiu numas comemorações do 25 de Abril.

Rangel ainda usou a tréplica para acusar Marinho e Pinto de se "vitimizar" e para sublinhar que não lhe fez um ataque, manifestando apenas discordância face às suas posições.

No mesmo debate, Laborinho Lúcio defendeu uma "profunda" revisão constitucional na área da justiça como forma de superar as dificuldades do setor.

O governo prepara-se para alterar as regras das taxas moderadoras na saúde em Setembro e vai ter como critério o rendimento dos utentes.


Actualmente, grávidas ou desempregados estão isentos de taxas moderadoras, independentemente dos rendimentos.
 
O governo prepara-se para alterar as regras das taxas moderadoras na saúde em Setembro e vai ter como critério o rendimento dos utentes.

 O i sabe que, a partir dessa data, ficarão isentos do pagamento das taxas moderadoras na saúde apenas as pessoas com rendimentos iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional. As restantes, independentemente de serem doentes crónicos, dadores de sangue, grávidas ou crianças, deixam de ter atendimento gratuito no Serviço Nacional de Saúde, ao contrário do que acontece actualmente.

O acordo entre o governo e a troika já previa um aumento das taxas, mas para atingir a poupança de 550 milhões de euros na saúde já em 2011, exigida pela troika, o governo não só vai subir o valor das taxas moderadoras como alterar por completo a lista de isenções.

O i fez as contas e, somando os utentes que estão isentos de pagar taxas, conclui-se que pelo menos, metade da população portuguesa tem consultas gratuitas nos hospitais ou centros de saúde públicos. Mário Jorge Santos, presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, confirma que "contabilizando aqueles que mais recorrem ao SNS", "conclui-se que 50% da população é isenta".

A lista de isenções actual é enorme. Os serviços prestados no SNS são gratuitos para reformados com pensões abaixo do salário mínimo, cônjuges e filhos menores e para trabalhadores por conta de outrem com salários abaixo dos 485 euros e respectivos familiares dependentes. O critério do rendimento deixa de ter relevância no caso dos desempregados inscritos nos centros de emprego, de grávidas ou de crianças com menos de 12 anos. Ou seja, um desempregado está isento de taxas moderadoras, independentemente de receber 500 euros de subsídio de desemprego ou 1200 euros (o tecto máximo). As grávidas também não pagam, mesmo que os seus rendimentos sejam altos.

E a lista não acaba aqui (ver números ao lado). Estão isentos os beneficiários de subsídio mensal vitalício, diabéticos, dadores de sangue, toxicodependentes, doentes crónicos.

As taxas moderadoras são a única fonte de receitas do SNS, que depende das transferências do Orçamento do Estado para tudo o resto. Se cada um dos portugueses isentos fosse uma vez por ano a uma consulta num hospital central (com o preço de 4,60 euros), o Ministério da Saúde arrecadaria mais 23 milhões de euros, um valor irrisório para uma tutela com um orçamento superior a 8 mil milhões.

O objectivo das taxas moderadoras não é financiar o sistema, mas sim prevenir abusos, que resultam em mais despesa pública. No entanto, de acordo com Mário Jorge Santos, "o papel moderador não existe e continua a haver um excesso de procura", havendo registos de utentes que vão a 68 consultas por ano num centro de saúde (por iniciativa própria e não por recomendação do médico). Dado o baixo valor das taxas, o especialista entende que elas "não são dissuasoras". "Só as pessoas com um rendimento baixíssimo deixam de ir ao médico. E isso promove uma grande injustiça."

Pedro Pita Barros, especialista em economia da saúde, não acredita que fazer depender a isenção das taxas moderadoras do rendimento do utente seja a melhor solução para o financiamento do SNS: "O SNS evitará alguma despesa, mas a receita proveniente das taxas moderadoras continuará a ser insuficiente." "Se se quer mais redistribuição, deve-se aumentar os impostos para os rendimentos mais elevados. É melhor para todos, incluindo para os que pagam mais impostos. É preferível pagar um montante fixo a pagar com base na incerteza de estar doente."

Além disso, alerta Mário Jorge Santos, a exclusão de pagamento de taxas moderadoras de acordo com o rendimento "aumenta as despesas administrativas, já que serão precisos funcionários para fiscalizar os rendimentos ano após ano". E aumentará também "a tentação de fraude", segundo Pita Barros, já que "o sistema fiscal não é perfeito".

Um relatório de 2006 de uma comissão designada pelo Ministério da Saúde para avaliar a sustentabilidade do financiamento do SNS recomendava ao governo uma revisão do regime de isenções das taxas moderadoras, baseada em dois critérios: capacidade de pagamento e necessidade continuada de cuidados de saúde, a fim de evitar abusos de quem podia pagar mais pelos serviços.
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2011

Governo mostra a sua “qualidade”


Ao final do dia de ontem foram chegando pormenores da comunicação do ministro das finanças. Aí se viu todo um programa, virado para a espoliação de quase todos para o enriquecimento de uns tantos. Conforme as “novidades” foram surgindo, reveladas pelo ministro, com aquela cara de tótó, de quem ainda não descobriu que não consegue ter graça, por mais que tente... foram-me sugerindo algumas reflexões, forçosamente prejudicadas pela minha falta de conhecimentos de alta economia.
Assim interpretou o genial Vítor Gaspar a frase de Passos Coelho. Ele disse “desvio”... depois houve umas palavras... não se sabem bem quais... e “colossal”, o que quer dizer que o desvio vai dar um trabalho colossal. Esta é uma “interpretação” que coloca Vítor Gaspar ao nível dos melhores números de “palhaço trapalhão”.
Claro que, como seria de esperar, para além de não ter sido anunciada uma medida que fosse, tendente a promover o emprego e reanimar a economia... a “culpa” da recessão e do desemprego é... de quem, de quem? Claro que é dos próprios desempregados e das famílias que não têm liquidez para consumir.
E acusa muito bem! O nosso amigo Agostinho Lopes foi até bastante económico com as palavras.
E porque haveria de não isentar?! Não foi exatamente isso que ele foi fazer para o Governo? Não são essas exatamente as ordens que tem?!
Tudo isto, como devem calcular, foi progressivamente aumentando o meu nível de reação alérgica, o que, para não ir mais longe, me faz resumir a coisa desta maneira:
Mesmo os grandes canalhas, de uma forma geral, têm sempre alguma qualidade... ainda que não seja evidente, ainda que seja preciso procurar com redobrado afinco.
Estes que agora nos governam, têm pelo menos uma “qualidade” bastante evidente: Nem se dão ao incómodo de esconder ao serviço de quem estão. Não têm o menor pudor em assumir-se como lacaios do poder do dinheiro e daqueles que o detêm.
Resta-nos ajudar a esclarecer aqueles que o não conseguem ver, insistir muito (e pacientemente) com aqueles que não querem ver... e combater os outros. Convenhamos que é uma tarefa de monta!

 

 

Quinta-feira, Julho 14, 2011


Afinal, o que é um "desvio colossal" ?

O 1º Ministro anunciou o desvio, mas não veio a terreiro explicar do que se trata. O Ministro das finanças hoje mediante tal pergunta a relacionar com o anunciado imposto, refugiou-se explicando não existir lógica em tal aritmética e assim o assunto segue sem que ninguém com poderes exija uma auditoria pelo tal "desvio colossal".

Na Madeira os "desvios colossais" vão desde a economia até à politica, é o regabofe, até a Comissão Nacional de Eleições no quadro preparatório das próximas eleições regionais, foi impedida de contactar qualquer instituição.


Com tantos Desvios Colossais, com tanto arbítrio e impunidade, que significado , que importância têm os assaltos que todos os dias são notíciados !?


- Aguém viu por aí por aí o Presidente da República ?