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segunda-feira, 11 de julho de 2011

baú


para não me atormentar
meti no velho baú
os teus xailes
a roupa colorida
que usavas nos bailes
pedaços da nossa vida
de nada me serviu tentar esquecer
tu, ainda vives em mim
nas valsas, nos tangos
olho os teus despojos
e neles apetece-me
fechar os olhos
e me envolver

António Garrochinho

Mil faces

foto retirada da net, trabalhada por António Garrochinho


Sou a mulher de mil faces,
camaleoa de traços e emoções
A eterna mutante, desse mundo que gira ,
que não me deixa acomodar nas minhas frustrações ou incertezas
Alavancando minhas virtudes e qualidades
Dando a cada uma das minhas faces
A mulher que queres ver,
a menina que exergas,
a garota que vislumbras.
Eu,única,no mundo de tantas mil.
Aquela q vc vê...e não esquece,
não completa como queiras
Mas tudo,
o que demais sou para seus olhos... do corpo e da alma.

Flávia Bandoli

birra

harmonia

a frescura das maçãs
dos teus seios
irmãs
água cristalina
nos teus dedos
e no teu corpo
os segredos
refrescados pelas manhãs
essa frescura e beleza
em harmonia  e aliança
esse verde esperança
de te poder ter um dia
com maçãs á minha mesa

poema de António Garrochinho
foto retirada da net e trabalhada por A.G.
Medidas

O que vai mudar, até ao final do ano

Passos Coelho prometeu que o Governo não teria férias. O caso não é para menos: vem aí um programa de cortes que, segundo a troika, "vai além" do que se esperava. Saiba o que o espera, mês a mês, até dezembro

Sónia Sapage
12:22 Segunda feira, 11 de Jul de 2011
O novo primeiro-ministro começou o seu mandato a prometer cortes, incluindo de privilégios, no seu Governo. Que seria o mais curto da história. Que não teria férias. Que os ministros, secretários de Estado, adjuntos e assessores não terão autorização para viajar em classe executiva, nas viagens mais curtas. Que não haveria nomeações políticas, incluindo de governadores civis e subdiretores distritais da Segurança Social. Que os estudos em outsourcing seriam limitados. Que os carros de serviço não poderiam ser usados ao fim de semana, para poupar nas horas extraordinárias dos motoristas. Que um ministro gastador seria penalizado por ultrapassar o seu orçamento do seu Ministério.
Trata-se de liderar uma mudança com "o poder simbólico do exemplo", anunciou Pedro Passos Coelho.
Mas como os simbolismos não fazem descer o défice e os exemplos são para ser seguidos, logo no debate do Programa do Governo, os portugueses ficaram a saber que também eles seriam chamados a contribuir para a estratégia de cortes, com o equivalente a metade do seu subsídio de Natal. "O Governo está a preparar a adoção, com caráter extraordinário, de uma contribuição especial que incidirá sobre todos os rendimentos sujeitos a englobamento no IRS, respeitando o princípio da universalidade", disse o primeiro-ministro, no Parlamento. "Apenas cidadãos com rendimentos inferiores ao salário mínimo nacional, serão dispensados", acrescentou.
Esta é a principal informação que os portugueses levam para digerir durante as férias do verão. Quando regressarem ao ativo, em setembro, já mais coisas terão mudado e outras estarão para mudar. Quem ficou contente com as novidades foram os credores, em especial a Comissão Europeia. "Congratulamo-nos com este programa que está em consonância com o memorando de entendimento e, em particular, o facto de, nalgumas áreas, a proposta ir além do que é estritamente exigido", comentou Amadeu Altafaj, porta-voz para os Assuntos Económicos e Monetários daquele organismo.

VISÃO


Ernest Hemingway, Der Querschnitt Magazin, Fevereiro de 1925 -A época exigia que cantássemos






A época exigia que cantássemos
E cortava-nos a língua.
A época exigia que fluíssemos
E repetia mentiras.
A época exigia que dançássemos
E dava-nos calças de ferro.
E no fim de tudo a época recebeu
O tipo de merda que exigiu.

Ernest Hemingway, Der Querschnitt Magazin, Fevereiro de 1925

Cuidado com as falsificações! - É este “sabão” que, sem descanso, anda “limpando” as páginas dos jornais e telejornais, das notícias que não estejam de acordo com o guião pré-estabelecido pela troika e os seus lacaios, notícias que tentem relatar as lutas dos trabalhadores, contar as iniciativas das suas organizações, dar voz à contestação.

Cuidado com as falsificações!


“Cuidado com as falsificações”... é o discreto aviso na tampa desta caixa de sabão francês do princípio do século XX. De qualquer forma, o que impôs esta fotografia da caixa de sabão como ilustração para este, chamemos-lhe assim... post, foi o fantástico nome do próprio sabão:
“Sabão da Renovação Portuguesa”
É de facto assim, à força de muito “sabão” que tem vindo a fazer-se a suposta renovação portuguesa. Desde a própria realidade, até às ideias e aos princípios que seria suposto darem-lhe a forma.
Na verdade, como é possível assistir às reviravoltas dos nossos economistas, analistas, politólogos e comentadores “oficiais” e outros papagaios para quem, há apenas umas semanas, quem contestasse as agências de notação ficava transformado quase imediatamente numa espécie de leproso... ou mesmo o “pastel de Belém”, que ainda há bem pouco distribuía ralhetes em público a quem ousasse atacar as benditas agências ou mercados e agora reage ao desmascaramento da sua incoerência insultando a inteligência de quem o questiona... como é possível assistir a isto, como disse, sem pensar que este aparente milagre, esta súbita “descoberta” dos malefícios dos ratings, se deve a um fantástico “branqueamento de passado” feito com este velho “Sabão da Renovação Portuguesa”?
É este “sabão” que, sem descanso, anda “limpando” as páginas dos jornais e telejornais, das notícias que não estejam de acordo com o guião pré-estabelecido pela troika e os seus lacaios, notícias que tentem relatar as lutas dos trabalhadores, contar as iniciativas das suas organizações, dar voz à contestação. Assim se aumenta o espaço livre nessas mesmas páginas para vender as explicações sobre a "nossa culpa" na crise, para passar a mensagem das inevitabilidades, para espalhar o terror sobre o que aí viria (abrenúncio!) se não obedecêssemos, como cordeiros, aos mercados.
E se o “sabão” consegue branquear desta maneira realidades com apenas alguns dias ou meses, com todos os intervenientes ainda vivos e as suas memórias bem frescas... imaginem o que pode fazer à História.

CGTP leva "ação, protesto e proposta" a todos os distritos -É para contrariar as medidas de austeridade enquadradas pelo programa negociado com o FMI e a União Europeia que a CGTP dá hoje os primeiros passos de uma semana de luta que combinará “ação, protesto e proposta” em todos os distritos do país. Em aparente rota de afastamento para com a UGT, a Intersindical promete denunciar nas ruas o que considera ser “uma clara capitulação perante a ingerência externa”.




A iniciativa acontece no seguimento do envio de um conjunto de medidas alternativas ao ministro da Economia e do Emprego Tiago Petinga, Lusa

É para contrariar as medidas de austeridade enquadradas pelo programa negociado com o FMI e a União Europeia que a CGTP dá hoje os primeiros passos de uma semana de luta que combinará “ação, protesto e proposta” em todos os distritos do país. Em aparente rota de afastamento para com a UGT, a Intersindical promete denunciar nas ruas o que considera ser “uma clara capitulação perante a ingerência externa”.



Uma semana de “ação, de protesto e de proposta”. É esta a tarefa que a CGTP se propõe levar por diante nos próximos dias de norte a sul de Portugal. Leiria e Angra do Heroísmo são as primeiras escalas do movimento de contestação da Intersindical. Para a próxima quinta-feira está prevista uma manifestação em Lisboa, concentrações no Porto, em Faro e Évora e outras ações em Vila Real e Aljustrel, no distrito de Beja.

“Tempos de Preocupação, Tempos de Ação” é a divisa de uma semana de luta contra o pacote de resgate negociado com a troika do Fundo Monetário Internacional, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. Para a CGTP, as políticas de austeridade que ali são definidas, a par de medidas adicionais que o Governo de Pedro Passos Coelho quer implementar, configuram “um ataque fortíssimo à democracia e à soberania nacional, um golpe de Estado constitucional e uma clara capitulação perante a ingerência externa”.

A iniciativa da central sindical acontece no seguimento do envio de um conjunto de propostas alternativas ao ministro da Economia e do Emprego. Álvaro Santos Pereira recebeu no início da semana passada um documento de resposta ao Programa de Governo que privilegia sete áreas de ação: economia e transportes, privatizações, emprego, salários, legislação laboral, contratação coletiva e concertação social.

“Documento crítico”
Foi depois de ter verificado que “muitas das medidas” do Programa de Governo iam “mais além do que estava estabelecido no acordo com a troika” que a CGTP produziu “um documento crítico”, nas palavras de Carvalho da Silva. A apresentação das alternativas às medidas preparadas pelo Executivo do PSD e do CDS-PP coube, na semana passada, ao secretário-geral da Intersindical.

No domínio da economia, a CGTP avança, entre outras ideias, com propostas para garantir o crédito a projetos de produção de bens transacionáveis com competitividade, a promoção de contratos de parceria entre produtores do país e empresas distribuidores e o combate à fraude e à evasão fiscal. A organização insiste, ainda, na atualização do salário mínimo para os 500 euros e propõe que o Governo deixe cair as privatizações da TAP, ANA e de parte da CP.

A CGTP defende também a reposição das condições de acesso ao subsídio de desemprego, o prolongamento do subsídio social de desemprego para os beneficiários sem proteção e que os apoios a empresas sejam condicionados a projetos tendentes à criação de postos de trabalho.

“Análise de soluções” divide UGT e CGTP
A ação de protesto da CGTP acontece num momento de aparente ausência de “objetivos comuns” entre as duas centrais sindicais do país. Mesmo quando “há uma análise comum do que é o Programa de Governo e da troika”. A avaliação é feita pelo secretário-geral da UGT numa entrevista ao jornal Público. De acordo com João Proença, “há uma análise completamente distinta de quais são as soluções para a saída da crise, nomeadamente a valorização do diálogo social e da negociação coletiva”.

“Não temos tido muitos contactos nos últimos tempos. Mas também não tem havido com as confederações patronais. Não tem havido diálogo tripartido. Agora, surgiu a proposta do pacto para a competitividade e vamos ver o que vai acontecer”, afirma o dirigente da UGT ao Público, para enfatizar que considera um “suicídio para o país que se entre num período de claro confronto social em prejuízo do diálogo e da negociação”.

Questionado sobre a existência de uma eventual “margem de entendimento”, João Proença diz esperar que venha a ser possível encontrar pontos de aproximação, “nomeadamente em termos de empresa, sectoriais e gerais”. Mas sublinha: “Enquanto a CGTP persistir que não faz acordos de concertação porque a concertação é sempre perversa, é evidente que há aqui uma margem que é distinta”.

Ainda assim, prossegue o secretário-geral da CGTP, “na negociação coletiva há interesses comuns” e até mesmo “em termos gerais pode haver entendimentos”. “No ano passado, lembra João Proença, “fizemos acordos com o Governo, mas também fizemos uma greve geral, houve greves gerais na Função Pública. Vai acontecer na área dos transportes, privatizações. Agora, estamos empenhados em que os processos corram da melhor maneira possível. E não fazer o conflito pelo conflito”.

Cascata de Recados - NOS ÚLTIMOS dias, Sua Elevação o Presidente Aníbal Silva, tem andado numa roda viva, a desdobrar-se em discursos e declarações,

Cascata de Recados

NOS ÚLTIMOS dias, Sua Elevação o Presidente Aníbal Silva, tem andado numa roda viva, a desdobrar-se em discursos e declarações, umas mais cirúrgicas que outras, seja a propósito de cuidados de saúde, da atrofia da nossa agricultura, ou sobre as agências de rating, essas mercenárias assassinas de estados, a soldo do mercado dos glutões. Diz que não lhe compete governar, mas lá vai teorizando e dando umas dicas. Haver uma Maioria, um Governo e um Presidente da mesma família, cai que nem uma luva. As presidenciais intervenções resumem-se assim:
Sobre as questões da saúde, Sua Elevação teceu a cavacal conclusão de que todos os cidadãos têm direito a cuidados de saúde de qualidade, e ninguém pode ser excluído, mas se o Estado não o conseguir assegurar ou custear - porque há emergência social e estamos numa encruzinhada - deve delegar-se essa função noutras organizações. Como há vários modelos em discussão, isso significa que está aberta a porta para o Estado, passo a passo, se demitir das suas obrigações e passar a bola a quem cobiça o filão da saúde, como é o caso dos privados. Estão a perceber, não estão? Sua Elevação, agente infiltrado de interesses pouco ou nada patrióticos, vai habilidosamente, deitando a escada, preparando o terreno e os espíritos, para o que aí vem.
Sobre a questão agrícola, a presidencial figura não referiu a época de quando foi primeiro-ministro, entre 1985 e 1995, e do quanto contribuiu (sem lhe doer o coração), para o processo de liquidação da agricultura nacional, mas agora, embora pouco criativo, foi muito sucinto, afirmando que os portugueses se devem mobilizar e envolver na produção agrícola, muito embora não tenha dito onde vai ter lugar a distribuição maciça de sementes, regadores, enxadas e ancinhos.
Sobre as (agora) malvadas agências de rating, Sua Elevação acertou o passo e fez coro com a ira e indignação geral dos comentadores de serviço, insistindo que isto foi uma atrocidade desmedida contra Portugal, por via de um objectivo mais alto, que tem por alvo o Euro e a concorrência europeia. Há uns tempos atrás, quando alguns “bota-abaixistas” de esquerda advertiam contra os perigos de nos enredarmos nas armadilhas dos mercados, e que era urgente renegociar a dívida, o sorumbático Aníbal Cavaco esboçava sorrisos de desdém, puxava dos galões académicos, e dizia que era preciso ter confiança, não ligar às agências de rating (nem às más companhias), mas sim acalmar os mercados, seguir em frente, com confiança e determinação, rumo à luz que cintilava ao fundo do túnel. O que temos não é a luz mas sim o precipício, quando se acaba o túnel!
Portanto, e concluindo, podemos ficar descansados. Faço questão, no entanto, de insistir que as professorais intervenções de Sua Elevação deviam ser compiladas, e devidamente comentadas. Por incompreensão e tacanhez, as mentalidades de hoje dificilmente o compreenderão, mas nunca se sabe se estas sonsas e insípidas dissertações não dariam uma preciosa ajuda à posteridade, para perceberem e apreciarem o contributo e protagonismo que Sua Elevação teve – em concorrência com outros trogloditas – no desastroso estado em que foi deixada a nação.

Pode ser da água - Aqui pode estar uma boa explicação para o facto de, aconteça o que acontecer, saquem o que saquem e cortem o que cortem, os portugueses manterem...

Pode ser da água


Aqui pode estar uma boa explicação para o facto de, aconteça o que acontecer, saquem o que saquem e cortem o que cortem, os portugueses manterem no poder os mesmos três partidos há mais de 35 anos: o  Instituto Ricardo Jorge concluiu que "a grande maioria das bicas e fontanários não possui água de qualidade adequada para consumo humano". O Instituto analisou 41 fontes em Sintra, mas defende que risco para a saúde pública é extensível a milhares de nascentes espalhadas no país.
O país do burro

Água de fontes públicas não deve ser consumida - O Instituto Ricardo Jorge concluiu que "a grande maioria das bicas e fontanários não possui água de qualidade adequada para consumo humano". Instituto analisou 41 fontes em Sintra, mas defende que risco para a saúde pública é extensível a milhares de nascentes espalhadas no país.



Água de fontes públicas não deve ser consumida
11.07.2011
Catarina Gomes
O Instituto Ricardo Jorge concluiu que "a grande maioria das bicas e fontanários não possui água de qualidade adequada para consumo humano". Instituto analisou 41 fontes em Sintra, mas defende que risco para a saúde pública é extensível a milhares de nascentes espalhadas no país.
"Já o meu avô e o meu pai lá bebiam", "eu sempre bebi esta água e nunca me fez mal". São frases usadas como justificação por muitas pessoas para continuarem a ingerir água dos milhares de fontanários espalhados pelo país, refere Helena Rebelo, coordenadora do Departamento de Saúde Ambiental do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (Insa), coordenadora de um estudo que encontrou nestas nascentes águas com "um elevado risco para a saúde" e onde se diz que "a grande maioria das bicas e fontanários existentes em Portugal não possui água de qualidade adequada para consumo humano".

Estamos em pleno Verão, época de viagens e paragens para refrescar em fontes de beira de estrada. Helena Rebelo não aconselha as pessoas a beberem nestes locais, mesmo que o tenham feito antes sem problemas de saúde associados.

No estudo que coordenou, avaliou 41 fontanários localizados na área de Sintra e "só dois tinham águas em condições de ser bebida e eram muito poucos os que tinham placas a indicá-lo", enquanto 38 se revestiam de "um alto risco para a saúde, podendo desencadear doenças infecciosas".

Helena Rebelo defende que, embora esta não seja uma amostra estatisticamente representativa do país, o alerta de perigo para a saúde pública é extensível a milhares de outras fontes espalhadas pelo país, que, em regra, não são vigiadas. "A maior parte dos fontanários estão ao abandono", lembra, sublinhando que "continuam por definir competências em matéria de gestão e preservação destes recursos hídricos". O estudo foi divulgado recentemente no site da instituição e as amostras de água foram recolhidas entre Fevereiro de 2006 e Abril de 2007.

O estudo conclui que "a grande maioria das bicas e fontanários existentes em Portugal não possui água de qualidade adequada para consumo humano", lê-se, identificando-se como "um problema real de saúde pública que requer a atenção das autoridades de saúde, das autarquias locais e da população em geral".

A investigadora do Insa nota que algumas pessoas até escolhem este tipo de água por oposição à água da rede pública, a qual, apesar de tratada e sujeita a análises regulares, ainda é olhada com desconfiança. O próprio estudo alude à convicção de que "algumas nascentes naturais possuem propriedades terapêuticas". "Ainda existe a ideia de que as águas não tratadas são naturais. Agora o que é natural é bem. É difícil mudar mentalidades", constata.

O problema é que "as fontes de poluição continuam a aumentar". Tanto podem ser uma fossa séptica como pastagens com animais ou rupturas em redes de esgotos. Aliás, a própria agricultura e o uso de pesticidas e fertilizantes colocados no solo podem ser também a origem do problema. Nalgumas fontes foram encontrados nitratos de origem agrícola.

O facto de uma pessoa ter consumido dessa água contaminada e não ter ficado doente não faz dessa água própria para consumo. "Não basta um copo para se ficar doente", alerta, notando ainda que os organismos não reagem da mesma forma e que crianças ou pessoas com doenças pré-existentes e com o sistema imunitário mais vulnerável podem estar propensas a complicações.

A "contaminação microbiológica de origem fecal", que foi encontrada em 87,8 por cento das análises afectadas, incluindo a presença da agora famosa bactéria Escherichia coli, tem como complicação mais comum a gastreenterite, com sintomas como febre, diarreia e vómitos.

Como consequência do trabalho, a autarquia passou a assinalar as fontes com água imprópria para consumo, nota Helena Rebelo, mas o estudo propõe o seu encerramento.
Ppt