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sexta-feira, 1 de julho de 2011

CARTA PARA JOSEFA, MINHA AVÓ - José Saramago, Deste mundo e de outro




Tens noventa anos. És velha, dolorida. Dizes-me que foste a mais bela rapariga do teu tempo - e eu acredito. Não sabes ler. Tens as mãos grossas e deformadas, os pés encortiçados. Carregaste à cabeça toneladas de restolho e lenha, albufeiras de água. Viste nascer o sol todos os dias. De todo o pão que amassaste se faria um banquete universal! Criaste pessoas e gado, meteste os bácoros na tua própria cama quando o frio ameaçava gelá-los. Contaste-me histórias de aparições e lobisomens, velhas questões de família, um crime de morte. Trave da tua casa, lume da tua lareira - sete vezes engravidaste, sete vezes deste à luz.
Não sabes nada do mundo. Não entendes de política, nem de economia, nem de literatura, nem de filosofia, nem de religião. Herdaste umas centenas de palavras práticas, um vocabulário elementar. Com isto viveste e vais vivendo. És sensível às catástrofes e também aos casos de rua, aos casamentos de princesas e aos roubos dos coelhos da vizinha. Tens grandes ódios por motivos de que já perdeste a lembrança, grandes dedicações que assentam em coisa nenhuma. Vives. Para ti, a palavra Vietname é apenas um som bárbaro que não condiz com o teu círculo de légua e meia de raio. Da fome sabes alguma coisa: já viste uma bandeira negra içada na torre da igreja. (Contaste-me tu, ou terei sonhado que o contavas?...) Transportas contigo o teu pequeno casulo de interesses. E, no entanto, tens os olhos claros e és alegre. O teu riso é como um foguete de cores. Como tu, não vi rir ninguém.
Estou diante de ti, e não entendo. Sou da tua carne e do teu sangue, mas não entendo. Vieste a este mundo e não curaste de saber o que é o mundo. Chegas ao fim da vida, e o mundo ainda é, para ti, o que era quando nasceste: uma interrogação, um mistério inacessível, uma coisa que não fazia parte da tua herança: quinhentas palavras, um quintal, a que em cinco minutos se dá a volta, uma casa de telha vã e chão de terra batida. Aperto a tua mão calosa, passo a minha mão pela tua face enrugada e pelos teus cabelos brancos, partidos pelo peso dos carregos - e continuo a não entender. Foste bela, dizes, e bem vejo que és inteligente. Porque foi então que te roubaram o mundo? Quem to roubou? Mas disto entendo eu, e dir-te-ia o como, o porquê e o quando, se soubesses compreender. Já não vale a pena. O mundo continuará sem ti - e sem mim. Não teremos dito um ao outro o que mais importava.
Não teremos realmente? Eu não te terei dado, porque as minhas palavras não são as tuas, o mundo que te era devido. Fico com esta culpa, de que me não acusas - e isso ainda é pior. Mas porquê, avó, porque te sentas tu na soleira da tua porta, aberta para a noite estrelada e imensa, para o céu de que nada sabes e por onde nunca viajarás, para o silêncio dos campos e das árvores assombradas, e dizes, com a tranquila serenidade dos teus noventa anos e o fogo da tua adolescência nunca perdida: "O mundo é tão bonito, e eu tenho tanta pena de morrer!"
É isto que eu não entendo - mas a culpa não é tua.

José Saramago, Deste mundo e do outro



  • João Frazão
Os razoáveis
Rui Machete foi entrevistado pela Antena 1, na passada semana. Falemos sobre isso. Talvez seja necessário começar por situar o cavalheiro e a situação.
Quanto a Rui Machete, é, sempre foi, um homem do capital. Não por acaso, para além de diversas pastas governamentais acumulou a sua actividade de homem de leis com a administração de empresas (incluindo a Presidência do Conselho Superior do BPN) e com a Presidência da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, não se querendo discorrer aqui sobre esta nebulosa estrutura, sobre as suas actividades, sobre os seus objectivos, sobre os financiamentos que distribuiu.
Rui Machete faz parte de uma galeria de notáveis da direita portuguesa que são chamados a pronunciar-se quando é preciso fazer circular certas ideias, quase sempre tiradas de baús bolorentos, de que eles são guardiões de pleno direito.
O que, compreende-se bem, explica o facto de Rui Machete ter sido convidado para a tal entrevista na Antena 1 a propósito de coisa nenhuma. A esse propósito, Rui Machete encarregou-se de dar dimensão à ideia de que a «força democrática do PCP é inferior à sua força real», presumindo o atento ouvinte que se a primeira é democrática a segunda deve ser alguma coisa diferente.
E, não contente, atira ainda que no PCP há «dirigentes razoáveis» – supondo-se também que os há de outros matizes – que sabem que é preciso conter a rua, acalmar os protestos e relativizar a luta.
Rui Machete sabe que o PCP é altamente razoável. E que, porque o é, colocar-se-á sempre do lado da razão. Que nos diz que não é razoável o aumento da exploração e o corte nos direitos, a privatização de empresas e a degradação dos serviços públicos, o corte nos apoios sociais e os benefícios de milhões para a banca. Que não é razoável o desemprego, a pobreza, a miséria que nos querem impor.

E que nos diz que não só é razoável que o PCP esteja na primeira linha da dinamização da luta de massas, na mobilização dos trabalhadores e das populações para essa luta, como seria absolutamente estranho, pouco razoável e completamente ininteligível para as vítimas desta política que o PCP, no ano em que assinala o seu 90.º aniversário, renegasse agora o seu papel de sempre de vanguarda revolucionária e traísse os que estão na base da força democrática e popular que fez dele o Partido prestigiado e influente que é hoje.

CDU – intervenção na Assembleia Municipal – 30-07-11

por Pedro Almeida

No dia 26 do corrente mês veio a público[1], como é do conhecimento geral, a existência de um estudo realizado pelo anterior Governo e entretanto entregue à Troika, onde se propõe o fecho de 800 km de linha férrea em todo o país, deixando a ferrovia nacional reduzida ao eixo Braga-Faro, Beira Alta e Beira Baixa. Neste mesmo estudo é defendido o encerramento da Linha do vale do Vouga, com abrangência deste Concelho.

Paralelamente, veio também a público um estudo alternativo da autoria da Refer, onde a aposta é, também, destruir ferrovia, sendo que neste o desmantelamento da Linha do Vouga incide sobre o troço Albergaria-Águeda (14 km). 

A concretizar-se, qualquer destes planos será uma razia sem precedentes das infraestruturas de mobilidade de pessoas e mercadorias, capaz de nos fazer retroceder cerca de cem anos quanto à oferta de meios de circulação interna. 

Algumas destas linhas foram objecto, nos últimos anos, de investimentos na ordem dos milhões de euros, e muitas delas registam um tráfego significativo de mercadorias, com forte impacto nas economias regionais. 

Não queria, contudo, deixar de trazer aqui alguns dados. Enquanto que na maior parte dos países europeus o uso da ferrovia acusa um crescimento assinalável no decurso dos últimos anos, em Portugal, os comboios perderam 43% dos passageiros nos últimos 20 anos, o que corresponde a 99 milhões de passageiros a menos, em favor das auto-estradas entretanto construídas, e que andamos a pagar. Enquanto isso, a ferrovia ia encerrando aos pedaços, quando não apodrecia mesmo sobre os carris. 

Este acto de gestão é defendido como uma forma de reduzir o défice da CP, permitindo à empresa melhor concentrar a sua oferta nos grandes eixos onde o caminho-de-ferro cumpre a sua função de transporte de grandes massas. 

No entanto, o que as estatísticas dos últimos 20 anos provam é que sempre que se cortaram linhas férreas, o número de passageiros diminuiu. Em 1990, quando Cavaco Silva era primeiro-ministro, reduziram-se abruptamente 700 quilómetros de vias-férreas, sobretudo em Trás-os-Montes e no Alentejo. O resultado foi que as linhas principais, vendo-se amputadas dos ramais que as alimentavam, ficaram com menos gente.  

Entre 1992 e 2008, por cada euro investido no caminho-de-ferro eram aplicados 3,3 euros na rodovia. Durante este período, a Refer investiu 5,9 mil milhões de euros e os contratos da Estradas de Portugal para construção de novas vias rodoviárias atingia 19,8 mil milhões de euros. . Portugal tem agora 20 metros de auto-estrada por Km2 (a média europeia é de 16 metros) e na rede ferroviária tem 31 metros por Km2 (a média europeia é de 47 metros). As contas externas e o ambiente agradecem. 

Actualmente, o transporte ferroviário representa, nos Estados Unidos, 40% do transporte total de mercadorias, contra 8% na União Europeia. O exemplo americano demonstra que o declínio do caminho-de-ferro não é uma fatalidade. 

Está na altura de deixar de fazer de conta que não vemos o papel criminoso de condução política no desmantelamento da rede ferroviária nacional. 

Minhas Senhoras e Meus Senhores, a verdade é que parece que estamos a desaprender. 

Tendo em conta a importância que desempenha na mobilidade interna e externa do Concelho a Linha do Vale do Vouga, servindo como veio distribuidor várias zonas industriais, escolares e urbanas, para as quais não existe qualquer alternativa ao nível da oferta colectiva rodoviária (porque uma rede integrada de transportes colectivos é coisa que ainda não existe neste Concelho), pergunto ao Executivo: 

Tem conhecimento da existência de estudos que possam colocar em causa a continuidade do serviço da Linha do vale do Vouga no Concelho?
 
Qual a posição deste Executivo quanto à defesa dos interesses dos munícipes relativamente à posição estratégica da Linha do vale do Vouga?
 
Há encontros ou reuniões agendadas ou previstas com os responsáveis pelos municípios vizinhos afectados?
 
Que tipo de accção pretende a autarquia mobilizar, caso se venha a confirmar a intenção de desmantelamento da linha do Vale do Vouga?
 
Por fim, gostaria ainda de solicitar do Executivo que clarificasse o que o Senhor Presidente queria dizer ao afirmar que podia seguir a decisão do Tribunal de Braga quanto à ilegalidade da cobrança dos ramais de água, mas depois isso iria traduzir-se na factura. 

Esperamos haver aqui algum engano, já que, a confirmar-se o sentido aparente desta formulação de intenções, estaríamos, como é bom de ver, perante uma violação grosseira da lei, com a penalização de todos pela incompetência exclusiva da Indaqua e da Câmara da Feira. 

A este propósito, e para terminar, gostaria de saber do Executivo qual entendem dever ser a atitude dos munícipes face à referida decisão do Tribunal de Braga: pagam, ou não pagam? 


[1] Fonte: Público, “Estudo entregue à troika propõe fecho de 800 km de linha férrea”, por Carlos Cipriano, 26.06.2011, via Público Online, em http://

O Nome do Cão

O cão tinha um nome
por que o chamávamos
e por que respondia,

mas qual seria
o seu nome
só o cão obscuramente sabia.

Olhava-nos com uns olhos que havia
nos seus olhos
mas não se via o que via,

nem se nos via e nos reconhecia
de algum modo essencial
que nos escapava

ou se via o que de nós passava
e não o que permanecia,
o mistério que nos esclarecia.

Onde nós não alcançávamos
dentro de nós
o cão ia.

E aí adormecia
dum sono sem remorsos
e sem melancolia.

Então sonhava
o sonho sólido em que existia.
E não compreendia.

Um dia chamámos pelo cão e ele não estava
onde sempre estivera:
na sua exclusiva vida.

Alguém o chamara por outro nome,
um absoluto nome,
de muito longe.

E o cão partira
ao encontro desse nome
como chegara: só.

E a mãe enterrou-o
sob a buganvília
dizendo: «É a vida...»

FAMÍLIA DE ANGÉLICO SUSPEITA DE SABOTAGEM

Angélico tinha o cinto de segurança posto no momento do acidente, na madrugada de sábado, na A1. Ao contrário do que foi dito pela GNR, o cantor e actor da TVI não foi projectado da viatura, tendo de ser desencarcerado. «O primeiro bombeiro que chegou ao local garante que Angélico levava cinto de segurança», disse ao SOL Manuel Neto, comandante dos bombeiros de Santa Maria da Feira, explicando que o dispositivo teve mesmo de ser «cortado para desencarcerar» o músico.
Quando os meios de emergência chegaram ao quilómetro 258 da auto-estrada do Norte, encontraram Angélico Vieira «sentado, prostrado e inconsciente», ao volante do BMW cabrio série 6. «Nem se movimentou», comenta Manuel Neto.
Ao lado de Angélico, seguia Hugo Pinto, também com cinto posto. No banco de trás, estava Hélio Van Dunem – que foi mortalmente atropelado, depois de ter sido projectado da viatura – e Armanda Leite, jovem de 17 anos que continua internada com prognóstico reservado. Nenhum deles tinha cinto de segurança.
Pneu não foi causa do acidente
O ex-D’ZRT perdeu muita massa encefálica, por causa da violência do embate, e ficou com a cervical partida em três sítios. O facto de ter 1,88 m de altura não ajudou. «Num descapotável com capota de lona, a cabeça fica muito desprotegida. Mais ainda, se se for muito alto», explica João Dias, investigador do Instituto Superior Técnico.
«A teoria de que o despiste foi provocado por um pneu rebentado não faz sentido», sublinha o engenheiro mecânico, uma vez que o autómovel dispunha da tecnologia run flat – um mecanismo que permite que o pneu, mesmo furado, continue a rolar.
Para João Dias, um cenário possível seria o de «os parafusos da roda estarem mal apertados e terem-se soltado». Mas essa é uma possibilidade que considera pouco provável, já que «isso provocaria enormes vibrações, que levariam o condutor a abrandar».
Ao que o SOL apurou, algumas testemunhas que circulavam naquela via garantem que o BMW seguia a alta velocidade. E essa é uma das causas prováveis do despiste.
A família suspeita, porém, que tenha havido «sabotagem», como disse ao Correio da Manhã um tio de Angélico. A confirmação só poderá, no entanto, ser feita através das perícias que a GNR de Aveiro está a realizar ao veículo e às marcas de derrapagem, para perceber em que estado estava o BMW e a que velocidade ia no momento do acidente. A investigação quer também apurar há quanto tempo estava o carro na posse de Angélico e qual o histórico do veículo – nomeadamente, se tinha inspecções em dia e se já tinha tido outros acidentes.
Na noite do acidente, Angélico tinha estado no Porto. «Esteve no estúdio, onde foi buscar o CD com o tema que ia apresentar no dia seguinte, na festa dos Morangos com Açúcar, em Oeiras», conta Marisa Valente, da Farol – a editora que iria lançar o segundo disco a solo do cantor precisamente no sábado em que se deu o acidente.
Fica por esclarecer se Angélico tinha estado numa festa antes do despiste – que aconteceu por volta das três e meia da madrugada, meia hora após o início da viagem.
Os amigos dizem, porém, que o músico não tinha por hábito exceder-se na bebida. A velocidade era o seu único ponto fraco. «Umas vezes aparecia de Porsche, noutras de BMW. Sempre em carros emprestados», confessa um amigo, que se lembra do cantor como alguém que «gostava de acelerar».
Na madrugada de sábado, ia ao volante de um BMW propriedade do stand Auguscar, em circunstâncias ainda por esclarecer. «Tem-se escrito muita mentira», limitou-se a dizer um funcionário do stand, que remeteu esclarecimentos para mais tarde. «Temos uma relação comercial e de amizade com o Angélico, por isso não vamos falar já para respeitar o luto da família». A mesma fonte alega ainda que, ao contrário do que foi publicado, não seguia no carro «nenhum funcionário do stand».
Pedro Silva, antigo segurança e road-manager dos D’ZRT passou «24 horas por dia, durante três anos» com o cantor que faria 29 anos a 31 de Dezembro. Mas não se lembra de o ter visto conduzir. «A produtora nem autorizava que a banda conduzisse, porque eram muitas horas na estrada». De Angélico, recorda a «simpatia e humildade» com que tratava as fãs. «A dada altura, já as conhecia pelo nome, porque havia pessoas que seguiam os D’ZRT de norte a sul e ele nunca acabava um espectáculo sem ir falar com o público e dar autógrafos».
Uma semana antes de morrer, Angélico Vieira tinha falado com Pedro pela internet. Estava entusiasmado com o disco, que tinha estado a preparar em Miami. «E ficámos de marcar um jantar para juntar os amigos dos D’ZRT».
Na véspera do acidente, tinha descansado a mãe, sempre preocupada com as viagens do filho. «Não te preocupes, que vou cedo para baixo», terão sido as últimas palavras que lhe disse ao telefone.
margarida.davim@sol.ptsonia.graca@sol.pt
Moura Guedes diz que Balsemão vetou a sua ida para a SIC

Manuela Moura Guedes afinal não vai apresentar nenhum programa na SIC porque, segundo a jornalista, Pinto Balsemão «vetou» a sua ida para a estação de Carnaxide devido a ser casada com José Eduardo Moniz.
Em declarações à edição online do Público, Moura Guedes diz que já tinha um contrato redigido com a SIC, onde iria apresentar um magazine de grande informação.
«O dr. Balsemão não quer», disse a jornalista. Manuela Moura Guedes explicou que a oposição do patrão da Impresa prende-se com o facto de ser casada com o vice-presidente da Ongoing, José Eduardo Moniz. «Como ele trabalha na Ongoing não querem que eu trabalhe na SIC», concluiu.

Strauss-Kahn O poder do dinheiro.

Strauss-Kahn libertado e recupera fiança
foto  MARIO TAMA/GETTY IMAGES/AFP
O ex-director do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn, foi libertado, esta sexta-feira, depois de ter chegado a acordo com o procurador responsável pelo processo.
O Tribunal de Nova Iorque reteve no entanto o passaporte de Strauss-Kahn, que terá de permanecer nos Estados Unidos.
A notícia da libertação surge depois do Ministério Público de Nova Iorque ter detectado "grandes contradições" no testemunho da empregada de hotel que alega ter sido agredida sexualmente pelo ex-director geral do Fundo Monetário Internacional, o que poderá colocar em causa a acusação de Strauss-Kahn.

As Falsas Promessas

Sexta-feira, 1 de Julho de 2011


É impossível acabar com as falsas promessas nas campanhas eleitorais. Mas sublinhá-las é o mínimo que se pode fazer para que este tipo de fenómeno não passe absolutamente incólume. No fundo, o "crime" vai continuar a compensar, mas já é uma pequena vitória se compensar cada vez menos.

 
Activismo de sofá

Para os mesmos de sempre, a receita do costume

Ainda mal se sentou na sua nova cadeira de Primeiro-Ministro e Passos Coelho já mostrou ao que vem. Como a execução orçamental não apresenta os resultados desejados, pese embora todas as artimanhas de que o Governo PS se socorreu, Passos Coelho mostra que afinal toda a criatividade de que falava em campanha eleitoral era bluff, os mesmos de sempre - os trabalhadores - vão 28 anos depois ver novamente cortado uma parte significativa do seu subsídio de natal.

Há dois meses atrás, numa visita a uma Escola do concelho de Vila Franca de Xira, Passos Coelho interpelado por uma jovem que lhe dizia que a sua mãe estava preocupada com a possibilidade de que se o PSD ganhasse as eleições cortaria parte do subsídio de natal, respondeu-lhe com um ar muito sério que o PSD nunca faria isso. Mal se sentou na cadeira do poder, foi o que se viu. Que pensará esta mesma jovem hoje ou rever na televisão o que Passos Coelho então disse e o que agora fez? Que pensarão centenas de milhares de portugueses que levados pela falinha mansa destes senhores, uma vez mais cairam no engodo e agora vão sofrer na pele o resultado do voto que exprimiram?

O que ontem aconteceu na Assembleia da República foi na verdade gravíssimo, mas como muita gente de esquerda tem vindo a reafirmar a procissão ainda vai no adro. 

Como o programa de governo bem mostra e como as várias intervenções que os membros desse mesmo governo têm feito ontem e hoje na Assembleia da República, estamos perante o governo mais liberal e mais conservador eleito depois do 25 de Abril.

A proposta inserida no seu programa de emergência social de assegurar aos portugueses mais pobres o fornecimento de medicamentos, roupa e alimentação, mostra bem o retrocesso civilizacional que este governo representa. Temos que recuar quase 100 anos e ao governo do ditador Sidónio Pais  para encontrarmos iniciativa de carácter similar. Quem não se lembra entre os trabalhadores portugueses de ouvir falar aos seus familiares mais idosos, da tão célebre " sopa do Sidónio" e que mais não eram do que espaços em que eram fornecidas "sopas" aos portugueses mais pobres. Quase cem anos depois o que este "jovem" governo de direita liberal nos tem para oferecer é juntar à sopa, roupa e medicamentos.        

Ao mesmo tempo que assistimos a tudo isto, do lado do PS responsável pelo regresso desta direita ao poder, verifica-se um completo eclipse. Nada disto os preocupa, antes estão preocupados com as lutas intestinas e com a forma como hão-de aparecer aos portugueses daqui a uns meses com uma imagem tão transfigurada quanto possível, prontos a mostrarem a sua faceta defensora do Estado Social, a qual hibernou durante os 6 longos anos em que foram poder.

    

As broinhas do “Coelho do Natal”.

No dia 1 de Abril de 2011, o Dr. Passos Coelho afirmou: "andam para ai a dizer que nós queremos cortar no subsídio de Natal...é um absurdo...".
Compreendi a mensagem... era o dia das mentiras!!
A medida da maioria PSD/CDS, afectará 3,2 milhões de trabalhadores mais 730 mil pensionistas.
A "contribuição especial", como lhe chamou o primeiro-ministro, será aplicada a todos os trabalhadores que ganhem acima do ordenado mínimo (485 euro) que terão de contribuir com 50% da diferença entre o respectivo subsídio de Natal e o salário mínimo nacional. 
Um exemplo, no caso de um trabalhador que estiver à espera de receber um 13.º mês de 1000€, irá ficar, com apenas 742,5€.
Os políticos corruptos e irresponsáveis que nos tem governado ao longo dos últimos 35 anos, são sem sombra de dúvida os grandes inimigos deste povo humilde e trabalhador. 
São conhecidos, todos os grandes culpados desta situação miserável a que chegamos.O governo devia, exigir responsabilidades aos culpados, entregando-os a uma verdadeira justiça, obrigando-os a devolver tudo quanto roubaram ao erário público e receberem o castigo que merecem pelo mal que estão a fazer a tanta gente.
Ou será que também eles e os amigos seriam punidos por estas medidas?

Fátima Felgueiras - As “felgueiras” são como as cerejas...


As “felgueiras” são como as cerejas... tirando a cor, o sabor, o formato... e mais umas tantas coisas. Mas na verdade, como se vê, fala-se numa, aparece logo outra. Neste caso, a mãe.
Vamos lá ver se percebi bem a notícia…
1. Fátima Felgueiras foi acusada de uma catrefada de alegados crimes.
2. Fátima Felgueiras foi absolvida de vários desses crimes, não por se provar que não os tenha praticado… mas porque prescreveram. Ainda nesse mesmo julgamento, foi condenada pelos restantes crimes, que não estavam prescritos.
3. Fátima Felgueiras recorreu e, como entretanto tinham aparecido uns “crimes” novos, o tribunal perguntou-lhe se não importava de ser julgada também por estes. Como ela disse que sim senhor, que se importava e muito, não pôde ser julgada nem pelos crimes novos, nem pelos crimes velhos… e foi absolvida de todos eles.
4. O Ministério Público pode recorrer. Não quanto a estes novos crimes, nem quanto aos que já estão prescritos, mas apenas da absolvição tais crimes de que foi acusada e condenada (com uma sentença que afinal era da treta) logo no primeiro julgamento… sabe-se lá bem para quê!
Portanto, está tudo “azul”… menos o célebre e tão falado saco.
Decididamente, não! Não percebi patavina da notícia!

É ASSIM QUE FUNCIONA O MERCADO DE ACÇÕES

Amigo(a)s,

Como sei que são bons investidores no mercado de acções, aqui vai uma achega para perceberem melhor como tudo funciona. Como vêem, preocupo-me convosco.

Beijinhos e abraços

Osvaldo Picoito

Estava-se no Outono e os índios de uma reserva americana perguntaram ao novo chefe se o inverno iria ser muito rigoroso ou se, pelo contrário, poderia ser mais suave.

Tratando-se de um chefe índio mas da era moderna, ele não conseguia interpretar os sinais que lhe
permitissem prever o tempo. No entanto, para não correr muitos riscos, foi dizendo que sim senhor, deveriam estar preparados e cortar a lenha suficiente para aguentar um inverno frio.

Mas como também era um líder prático e preocupado, alguns dias depois teve uma ideia. Dirigiu-se à cabine telefónica pública, ligou para o Serviço Meteorológico Nacional e perguntou:

- O próximo inverno vai ser frio?

- Parece que na realidade este inverno vai ser mesmo frio, respondeu o meteorologista de serviço.

O chefe voltou para o seu povo e mandou que cortassem mais lenha. Uma semana mais tarde, voltou a falar para o Serviço Meteorológico:

- Vai ser um inverno muito frio?

- Sim, responderam novamente do outro lado, o inverno vai ser mesmo muito frio.

Mais uma vez o chefe voltou para o seu povo e mandou que apanhassem toda a lenha que pudessem sem desperdiçar sequer as pequenas cavacas.

Duas semanas mais tarde voltou a falar para o Serviço Meteorológico Nacional:

- Vocês têm a certeza que este inverno vai ser mesmo muito frio?

- Absolutamente, respondeu o homem, vai ser um dos invernos mais frios de sempre.

- Como podem ter tanto a certeza? perguntou o Chefe.

O meteorologista respondeu:

- Os índios estão a arrecadar lenha que nem uns doidos.

É assim que funciona o mercado de acções!

filha da putice


a decisão de reter parte do subsídio de natal a trabalhadores e reformados não é política. é uma cobardia, por parte de quem não tem coragem de afrontar o grande capital que foge ou está isento do pagamento de impostos, aos especuladores bolsistas e à empresas sediadas nos paraísos fiscais.
é um assalto fiscal a uma classe média cada dia mais débil e um acto irresponsável de roubar gente que vive do seu trabalho presente ou passado, uma medida à sócrates, popularista e que só atinge quem ainda tem dinheiro para pôr comida na mesa.
muitos trabalhadores e reformados esperam estes complementos salariais para cumprirem com obrigações assumidas, dívidas contraídas ou, apenas para terem uma folga financeira. o estado, seja qual for o motivo, não tem legitimidade para se apropriar do produto do trabalho dos seus cidadão. e esta merda só é possível porque somos um povo de gente cobarde, sem tomates nem coluna vertebral ou, ponta de dignidade.
os filhos da puta que roubaram os bancos, que se abotoaram aos 50.000.000.000 desaparecidos, que fizeram fortunas em contratos de favor em que o estado paga os prejuízos enquanto os privados arrecadam os lucros, não são molestados. a isto, chamam estes miseráveis que vivem da política, justiça social, sem pingo de rubor na tromba.
até um dia.