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segunda-feira, 27 de junho de 2011

O Estado vai esconder as pensões políticas.

Os nomes dos políticos que recebem do Estado a pensão mensal vitalícia passaram a ser secretos.
Comissão Nacional de Protecção de Dados cujo presidente é eleito pelos deputados, considera que “a pensão mensal vitalícia não é uma informação pública….”
“in Correio da Manhã”
Os partidos políticos criaram em Portugal, um sistema de roubo legal para os seus membros, baseado na acumulação de reformas e pensões vitalícias.
Só o número de ex deputados com pensão para toda a vida (de todas as cores e para todos os gostos) já ultrapassa os 400 beneficiários. O valor dessa regalia rondará os oitocentos mil Euros por mês.
Mário Soares “papa de reformas” mais 500.000 Euros por ano.
Alberto João Jardim, tem uma reforma do Estado de 4.124 Euros, obtida num serviço público onde nunca trabalhou (Secretaria Regional de Turismo), recebe um ordenado por inteiro de 84 mil Euros. Acresce a este valor mais 40% de despesas de representação, o que dá 94.467 Euros, ganha mais do que o primeiro-ministro Espanhol.
Cavaco Silva recebe do Banco de Portugal 4.152 Euros, da Universidade Nova de Lisboa 2.328 Euros e de primeiro-ministro 2.876 Euros.
Manuel Alegre recebe um valor de 3.219,95 Euros por ter trabalhado um ano RDP num cargo que nem ele sabe qual era (1974/1975).
Santana Lopes obteve uma reforma de primeiro-ministro após seis meses de trabalho, que acumulou depois com a reforma de deputado.
Marques Mendes mal fez 50 anos de idade, tratou de logo de requerer uma pensão de 2.905 Euros.
Freitas do Amaral, ao saber que lhe faltava pouco tempo para obter a reforma vitalícia de deputado, desligou-se do CDS, mas não da Assembleia da Republica enquanto não completou o tempo necessário para a obter.
Carlos Brito, quando obteve a sua reforma, mandou “passear” o PCP, onde durante décadas militou.
Fernando Rosas, dirigente do Bloco de Esquerda, quando atingiu os 8 anos necessários para solicitar a sua reforma de deputado, mandou a Assembleia às urtigas.
Mira Amaral, antigo ministro de Cavaco Silva depois de obter uma reforma de deputado, em 21 meses obteve uma reforma da Caixa Geral de Depósitos no valor de 18.000 Euros mensais.
Campos e Cunha, ministro das finanças de Sócrates, após ter trabalhado 6 anos no Banco de Portugal, e com apenas 49 anos, obteve uma reforma de 114.784 Euros.
Diogo Leite Campos, do PSD. À semelhança de outros camaradas de partido, bastarem-lhe 6 anos no Banco de Portugal para obter mais uma reforma do Estado.
Vasco Franco, figura de proa do PS, obteve uma reforma de deputado de 3.035 Euros. Recebe ainda uma outra como deficiente de guerra por ter sido ferido em Moçambique depois de 1974.
Centenas de governantes e deputados de todas as cores políticas, independentemente da sua idade ou da sua competência, têm sido contemplados e nós, os nossos filhos e os nossos netos iremos suportar por muitos e bons anos estas reformas douradas.

QUADRAS DE ANTÓNIO ALEIXO - Só a Arte tem o poder - IMAGENS E CLIPS

Só a Arte tem o poder
De a todos nós transmitir
O que todos podem ver
Mas poucos sabem sentir

Dom de artista tem quem cria
Obras de arte: esse é artista
Como não é quem copia
Aquilo que tem á vista

Nada direi, mas enfim
Vou ter grande alegria
De a Arte dizer por mim
Tudo quanto eu vos diria

Mágoas descritas em verso
Quando nascem de almas sãs
Percorrem todo o universo
Falando ás almas irmãs

Na música tal encanto
Eu encontro, que, a meu ver
Só o amor dirá tanto
Quanto ela sabe dizer

Nas muitas quadras que canto
Procuro mas não consigo
Uma só que diga tanto
Como em todas elas digo

Meus versos são dos piores
Não sou poeta distinto
Mas talvez fossem melhores
Se os lessem como eu os sinto

Quadras bonitas ou feias
Ricas ou mais pobrezinhas
Choram as dores alheias
Mais do que choram as minhas

Quem seu fado faz ouvir
Canta apenas como sente
Porque não pode sentir
Os fados de toda a gente

Sem ter chicote nem vara
Manda-me a minha razão
Atirar versos á cara
Dos que me roubam o pão

As quadras mal acabadas
Sem terem regra nem norma
São beijos, são chicotadas
Que não sei de outra forma

A quadra tem pouco espaço;
Mas eu fico satisfeiro,
Quando numa quadra faço
Alguma coisa com jeito



António Aleixo
Uma fotografia rara de “Billy the Kid” foi leiloada por 2,3 milhões de dólares (1,6 milhões de euros) nos Estados Unidos.
Recorte da fotografia leiloada Recorte da fotografia leiloada (Foto: DR)

O retrato em causa parece ter sido tirado apenas um ano ou dois antes da morte do célebre criminoso norte-americano e é o único reconhecido como autêntico, adianta a edição online da BBC.

Na fotografia, que terá sido tirada entre 1879 e 1880 em Fort Summer, no Novo México, perto do local onde o famoso pistoleiro foi morto, vê-se “Billy the Kid” a olhar directamente para a objectiva e a descansar a mão numa espingarda.

A casa de leilões Brian Label, em Denver, descreveu a foto sépia, de cinco por oito centímetros, como uma representação clássica de “um cowboy fora da lei do Velho Oeste”. É a única imagem em adulto que se conhece de daquele que também ficou conhecido como William Bonney, Henry Antrim, Henry McCarty ou simplesmente “The Kid”, refere, por seu lado, a AFP.

A fotografia foi tirada por um anónimo que fez originalmente quatro cópias, restando apenas esta. A última cópia pertencia aos irmãos Stephen e Art Upham, que a expuseram pela última vez no Museu de Lincoln (Novo México), em meados da década de 1980. A base de licitação situava-se nos 150 mil dólares (mais de 100 mil euros) mas o coleccionador privado William Koch acabou por pagar mais de um milhão e meio de euros por ela.

“Billy the Kid” terá nascido em Nova Iorque e ter-se-á mudado mais tarde para o Colorado com a mãe e irmãos após a morte do pai. Imortalizado pelos filmes do faroeste, ficou conhecido pela sua rapidez a carregar no gatilho e foi responsabilizado pela morte de mais de 20 pessoas. Foi capturado e condenado à morte em 1878 mas conseguiu escapar. Contudo, em 1881 foi novamente detido e morto pelo xerife Patrick Floyd Garrett.

Publico

EMIDIO SANTANA - HISTÓRIA DO ATENTADO A SALAZAR

Biografia
Emídio Santana militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa.
No seguimento do golpe militar fascista de 28 de Maio de 1926, desenvolveu uma actividade de resistência contra a ditadura e actividade sindical clandestina.
Em 1936, representou a CGT portuguesa no congresso da Confederación Nacional del Trabajo de Espanha.
Em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa. Na sequência do atentado, Emídio Santana é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
A partir do fim da ditadura (1974), Emídio Santana retoma a vida militante activa, nomeadamente como director do jornal A Batalha.
Em 1985, Emídio Santana escreveu Memórias de um militante anarcossindicalista, livro onde recorda momentos importantes da sua vida de militância política


Atentado contra Salazar

O anarco sindicalista Emídio Santana, em 4 de Julho de 1937 foi um dos autores do atentado a Oliveira Salazar quando este se deslocava à capela particular do seu amigo Josué Trocado, na Avenida Barbosa du Bocage, em Lisboa, para assistir à missa.
Salazar costumava ouvir missa na capela privada de um amigo, Josué Torcato, que vivia num palacete na Rua Barbosa do Bocage, n.º 96, nas Avenidas Novas, em Lisboa. A bomba foi colocada num esgoto, frente à casa, para ser detonada no momento em que o Presidente do Conselho chegasse de carro, manhã cedo. Assim se fez, mas o engenho estava mal colocado e a bomba explodiu para o lado contrário do automóvel.
Salazar saiu abalado, mas ileso, da explosão
              Buraco em resultado da explosão da bomba                                     O mesmo local nos anos 60
 
Na sequência do atentado, Emídio Santana, que militou nas Juventudes Sindicalistas e foi membro do Sindicato Nacional dos Metalúrgicos, filiado na antiga Confederação Geral do Trabalho (CGT) portuguesa, é procurado pela PIDE e foge para o Reino Unido, onde a polícia inglesa o prende e envia para Portugal onde é condenado a 16 anos de prisão.
                                                            Notícia do atentado no “Diário de Lisboa
                               1937 Atentado a Salazar.3
                                clicar para ampliar
Nos jornais, durante dias, as vozes do regime publicaram orações à Rainha Santa Isabel (a padroeira do 4 de Julho), porque o “Doutor Oliveira Salazar fora miraculosamente salvo dum infamíssimo atentado contra a sua vida”.
                        

HISTÓRIA DO FAMOSO ARTISTA JOSÉ VIANA - CLIPS, BIOGRAFIA, IMAGENS

Permali

JOSÉ VIANA -ACTOR E PINTOR



 cacilheiro









Dora Leal




José Maria Viana Dionísio

Actor/ pintor / autor /encenador / empresário

Nasce em Lisboa em 1922 e vem a falecer vitima de um brutal acidente de viacçao a 8 de Janeiro de 2003 .
Começou com cenógrafo na Sociedade De instrução Guilherme Cossoul num grupo de amadores e depois logo de seguida toma o vício do palco como actor e representa diversas peças de Gil Vicente
O passaporte para o teatro profissional acontece pelas mãos do empresário José Miguel no teatro A B C em 1959 na revista “Mulheres à Vista “ , trabalhando sempre com grandes nomes do teatro Português
Conhece a actriz Brasileira Jújú Batista com quem tem uma filha (Maria Viana) .
Passado anos conheceria aquela com quem viria a casar , a sua esposa Dora Leal com quem teve duas filhas
Na empresa de Giuseppe Bastos e Vasco Morgado nos anos 60 atinge o estrelato , sempre com grandes êxitos bem aplaudidos pelo público . Em 1974 ano em que aconteceu o 25 de abril assume-se como Comunista convicto e funda uma companhia de teatro sediado em Almada fazendo descentralização cultural com um género de teatro Popular que vai desde a farsa passando pela comédia e revista .
Regressará ao Parque Mayer em 1987 ao teatro variedades onde faz a sua ultima revista “Festa no Parque “
Dedica-se a tempo inteiro á sua 1ª arte a Pintura e torna-se um pintor muito aplaudido pelo publico e pela crítica , tornando-se um dos pintores mais bem cotados deste País

 Maria Viana Dionísio nasceu em Lisboa, em 1922, numa família de recursos modestos, educado pela mãe e por uma avó, «monárquica, salazarista e profundamente devota».
O actor frequentou a Escola Industrial Machado de Castro, no Curso de Serralheiro Mecânico, que nunca concluiu por «alegada falta de queda para os números e limagem dos metais».
Após ter aprendido a desenhar melhor, começou, aos 13 anos, a fornecer desenhos para o «Jornal O Senhor Doutor», o suplemento de «O Século», «Pim Pam Pum», a fazer capas para o «O Papagaio».
O primeiro emprego consegue-o graças ao seu jeito para o desenho, torna-se retocador de gravura, na Casa Bertrand & Irmãos.
Viagem à política
Descobriu a política lendo às escondidas o «Avante» e interessa-se pela música. Um tio violinista e o então jovem Tavares Belo, inquilinos da sua avó, são os primeiros mestres. E vem a descoberta de Glenn Miller, do swing e do jazz.
Torna-se cantor em conjuntos que animam sociedades de recreio, passando mais tarde para cantor de cabarets como o Arcádia, enquanto vai subindo na carreira de desenhador-tipógrafo, passando depois à de publicista de cinema, na Sonoro Filmes.
O teatro chega a José Viana como cenógrafo, actividade iniciada na Sociedade de Instrução Guilherme Cossoul.
Ao lado de Jacinto Ramos, Varela Silva e Raúl Solnado, José Viana pinta os seus primeiros cenários e estreia-se como actor amador, substituindo um colega doente ou desistente, em obras de Gil Vicente, Alves Redol, ou Raúl Brandão.
Conhece a actriz brasileira Jujú Baptista de quem tem uma filha, a Maria.
José Viana: homem de múltiplos talentos e amores
José Viana regressa de África em 1957, quando a RTP faz as suas primeiras emissões experimentais na Feira Popular.


Um programa infantil, «Riscos e Gatafunhos» e depois «Melodias de Sempre», são etapas de consolidação de carreira. Passa pelo Teatro de Gerifalto, de António Manuel Couto Viana, e ingressa no Teatro ABC (Vinho Novo), onde José Miguel procura, com poucos meios e elencos jovens, rejuvenescer a revista.
Em 1959, na revista «Mulheres à Vista», estreia-se como autor, ao lado de Nelson Barros e destaca-se na rábula «Inimigo de Lisboa». Em 1963, encena pela primeira vez uma revista, «Elas São o Espectáculo», e surge outro sucesso seu com «Embaixador do Fado».
Nas andanças do teatro de revista, José Viana conhece Dora Leal, uma dupla que não mais se desfaz e que resultam duas filhas (a Maria Raquel e a Madalena Leal).
Ambas mais ou menos ligadas ao teatro e ao espectáculo, tal como Maria Viana, hoje em dia conhecida cantora sobretudo de temas de Jazz, blues e música brasileira


Em meados da década de 60, coincidindo com a chamada «Primavera Marcelista», José Viana atinge o auge da sua carreira, na Empresa de Guiseppe Bastos e Vasco Morgado, então no Maria Vitória.
O «Zé Cacilheiro» surge em 1966, em «Zero, Zero, Zero - Ordem para Matar» que marca definitivamente o estilo próprio do artista.
Outras rábulas merecem destaque como «Carlos dos Jornais» e «Catedrático do Fado em Grande Poeta é o Zé», 1968; «O Zé Povinho vai ao Médico»; em «Mãos à Obra», 1969; «Sinaleiro de Liberdade», em «Esperteza Saloia»; 1969; «Chefe de Cozinha do Hotel Portugal», em «Pimenta na Língua», 1970; «O Zé Povinho no Frente a Frente da TV em Cala-te Boca!», em 1971 ou «Miss Chalada,» em «Ora Bolas para o Pagode», em 1972.
Os anos 70 foram de enorme empenho político facto que deixa de ser compreendido pelo público. O actor e a sua mulher deixam de ser acarinhados pelo como outrora por colocarem o teatro ao serviço de uma ideologia.
José Viana e Dora Leal sentem a delicadeza desta situação e quando regressam ao Parque Mayer, em 1987, em Festa no Parque, o público reserva-lhes uma recepção fria e distante.
No cinema, José Viana tem uma carreira longa, mas pouco intensa. Começou em pequenos papéis como em O «Cerro dos Enforcados», de Fernando Garcia (1953) e «Perdeu-se um Marido», de Henrique Campos (1956) mas foi em «O Recado» (1972), de José Fonseca e Costa, a «A Fuga» (1976), de Luís Filipe Rocha, «A Ilha» (1990), de Joaquim Leitão, e «O Fim do Mundo» (1992), de João Mário Grilo, que o seu talento é mais reconhecido.


 fado do vagabundo

 fado do barbeiro

Mário Soares – Importa-se de repetir?


Depois de descer várias ruas conduzindo em contramão, o automobilista bêbado desviou-se in extremis do choque frontal com um autocarro, entrando estrondosamente com o automóvel num mini-mercado. Ao sair, cambaleando devido ao choque e à bebedeira, exclamou escandalizado (e entaramelado):
- Hão de arranjar muitos clientes, com uma loja destas... não deem uma arrumação nisto, não!...
E agora por que raio é que me fui lembrar desta estória ao ler que Mário Soares terá dito, «O PS tem que ser refundado e ter política a sério!» ???!

A Responsabilidade dos Banqueiros pela Crise Portuguesa


Estudo da responsabilidade do economista Eugénio Rosa
Resumo deste Estudo
«Em Portugal, a concentração bancária é muito superior à média da U.E. Segundo o Banco de Portugal, em 2009, os cinco maiores bancos a operar no nosso País controlavam mais de 70% do valor dos “activos” de todos os bancos, quando na U.E. os cinco maiores bancos controlavam, em média, em cada país 42% dos “activos”. Este poder já enorme dos cinco maiores bancos é ainda aumentado pela posição dominante que também têm nos outros segmentos de mercado do sector financeiros (seguros; fundos de pensões; fundos de investimento mobiliário; fundos de investimento imobiliário; e gestão de activos). Esta situação, associada ao facto de uma parte importante do capital dos 4 maiores bancos privados já pertencer a grandes grupos financeiros internacionais, dá-lhes um imenso poder sobre o poder politico e sobre todo o processo de desenvolvimento em Portugal, condicionando-o de acordo com os seus interesses
A banca é um negócio “especial”, pois os banqueiros negoceiam fundamentalmente com dinheiro alheio obtendo assim elevados lucros. Segundo o Banco de Portugal, em Dezembro de 2010, o valor de todos os “Activos” da banca a operar em Portugal atingia 531.715 milhões €, enquanto os chamados “Capitais Próprios” da banca, ou seja, o que pertencia aos seus accionistas, somava apenas 32.844 milhões €, isto é, correspondia a 6,2%; por outras palavras, o valor dos Activos era 16,2 vezes superior ao valor do “Capital Próprio” dos “Activos”. Este rácio revela o elevado grau de “alavancagem” existente no sistema bancário em Portugal que permite aos banqueiros obter elevados lucros com pouco capital próprio (o que lhes pertence).
A banca a operar em Portugal está descapitalizada devido a uma elevada distribuição de lucros (o mesmo sucede com a EDP e PT, por ex.). Mesmo em plena crise os banqueiros não se coibiram de o fazer. Segundo o Banco de Portugal, no período 2007-2010, os lucros líquidos da banca, depois do pagamento dos reduzidos impostos a que está sujeita, somaram 8.972 milhões €. Entre Dezembro de 2007 e Dezembro de 2010, os Capitais Próprios da banca aumentaram apenas 4.571 milhões €. Apesar de redução de “Capitais Próprios” em 2008, uma parte dos 4.401 milhões € de lucros líquidos restantes foram distribuídos. E isto é reforçado quando o aumento de “capital” foi também conseguido através de novos accionistas. O Fundo de Garantia de Depósitos, cujo provisionamento é da responsabilidade da banca, está também subfinanciado (pensa-se em 15.000 milhões €). Este fundo é referido no ponto 2.15 do “Memorando”.

Fala-se muito da divida do Estado, mas segundo o Banco de Portugal, a banca devia, em Dez-2010, 49.157 milhões € ao BCE e 81.125 milhões € a outros bancos, ou seja, 130.282 milhões €.
A banca em Portugal está profundamente fragilizada. A prova disso é que ela é incapaz de se financiar nos “mercados internacionais” sem a ajuda (o aval do Estado). A banca é também incapaz de financiar a economia, agravando a crise e o desemprego. Entre Dez-2009 e Dez-2010, o crédito em Portugal diminuiu em 1.965 milhões €, apesar dos depósitos na banca terem aumentado em 12.080 milhões €. A continuar, milhares de empresas entrarão em falência fazendo disparar ainda mais o desemprego. A agravar tudo isto está a exigência de “desalavancagem do sector bancário” constante dos pontos 2.2 e 2.3 do “Memorando”. O “rácio” de transformação na banca (quociente entre o crédito líquido a clientes e os depósitos) é considerado pelas agências de “rating”, pelo FMI e pelo BCE como sendo muito elevado, e estão a pressionar o governo e o Banco de Portugal para que desça. Entre Dez.2009 e Dez.2010, o “rácio” de transformação diminuiu de 146% para 138%, ou seja, a banca reduziu o crédito de 1,46€ para 1,38 € por cada um euro de depósitos. A redução para 120%, como exigem as agências de “rating”, reduzirá ainda mais a capacidade da banca para financiar a economia, agravando a crise.
Esta situação é agravada pela profunda distorção da política de crédito dos banqueiros na busca de lucros fáceis e elevados, responsável também pela actual crise. Entre 2000 e 2010, o crédito a habitação aumentou em 156%; o crédito ao consumo subiu em 137%; mas o crédito à actividade produtiva (agricultura, pescas e industria transformadora) cresceu apenas em 41%. Em Dez.2010, o crédito à actividade produtiva representava apenas 5,5% do crédito total, enquanto à habitação atingia 34,6%, à Construção e Imobiliário 12,6% e ao Consumo 4,9%. E tenha-se presente que a banca financiou o crédito à habitação, que é um crédito a longo prazo (30-40 anos), com empréstimos a curto e médio prazo, pois não possui meios financeiros próprios. E como não consegue novos financiamentos para os substituir, as dificuldades da banca crescem, e corta ainda mais no crédito. No “Memorando de entendimento” estão 2 medidas: (1) O Estado conceder avales à banca até 35.000 milhões para esta se poder financiar; (2) O Estado endividar-se até 12.000 milhões € para reforçar o capital da banca. Mas isto é só admissível se o Estado controlar os bancos que forem apoiados, até porque a situação difícil que vive a banca “portuguesa” é consequência também da má gestão dos banqueiros, e deixá-los à “solta”,é permitir que continuem uma politica que tem sido nefasta para o País e para os portugueses.
Os banqueiros em Portugal têm procurado fazer passar a mensagem junto da opinião pública que não têm qualquer responsabilidade pela grave crise económica que o País enfrenta, já que ela resultaria da crise internacional e das más politicas governamentais seguidas no passado de que eles não tiraram qualquer proveito. Tem-se assistido, desta forma, a uma autêntica operação de branqueamento e de desresponsabilização dos banqueiros, procurando fazer crer a opinião pública que eles são diferentes e muito melhores do que os banqueiros dos outros países. E como têm apoios e defensores poderosos nos principais media essa mensagem tem sido repetida até a exaustão procurando que, de tanto repetida, acabe por ser aceite como verdadeira pela opinião pública. Por isso, interessa analisar de uma forma objectiva o que tem sido a politica da banca em Portugal nos últimos anos, como ela contribuiu para a crise actual, e como está a estrangular financeiramente as empresas, o que determinará o aumento significativo do desemprego. Nessa análise utilizar-se-á dados oficiais indicando ao leitor as fontes. (…)»

Para ler todo o ESTUDO clique aqui no CARTÓRIO do ESCREVINHADOR

Laura Ferreira de South Shore - o que eles por aí pintam !

Laura Ferreira de South Shore




Eu gostaria de ilustrar o ponto essencial do meu post anterior com esta peça jornalística do i, esse jornal feito por adolescentes e para adolescentes. A mulher do primeiro-ministro de Portugal, Laura Ferreira, é comparada a Michele Obama, mas o padrão da comparação é obviamente Michele, e não Laura. Laura é uma imitação de Michele, ainda por cima de Massamá.

Nunca teria ocorrido ao jornalista, ou a quem estabeleceu a comparação, chamar a Michele Obama a Laura Ferreira de South Shore, um pobre bairro negro de Chicago onde Michele nasceu e cresceu.

Mas a comparação é ainda mais capciosa do que aparenta, porque aquilo que estas duas mulheres têm obviamente em comum é a côr da pele. Se ninguém ainda tinha reparado na côr da pele da mulher do primeiro-ministro, o jornal i veio lembrar-lhe.

Portugal está cheio de democratas de vão-de-escada como o jornalista que fez esta peça, e o director do jornal que a deixou passar. Não passaria em qualquer jornal decente dos EUA. Seria considerada ofensiva. Em Portugal não, porque ofender o próximo, ou depreciá-lo, é um desporto muito popular no país e, evidentemente, o traço cultural mais anti-democrático que um povo pode ter.

Desaprender

Carlos Cipriano, jornalista do Público, tem escrito, em primeira mão, a triste história do desmantelamento da rede ferroviária nacional. Em parte devido ao encerramento de centenas de quilómetros de linhas, os caminhos-de-ferro perderam 99 milhões de passageiros em duas décadas, uma redução de 43%. As políticas públicas privilegiaram o transporte rodoviário privado e isso teve tradução nas estatísticas: entre 1990 e 2004, o uso de comboio passou de 11,3% para 3,8%, o uso de autocarros de 20,5% para 11,1% e o uso do automóvel de 54,6% para 68,7% nas “preferências” dos cidadãos. Estas preferências são então sempre condicionadas por escolhas políticas, moldadas por poderosos interesses empresariais, a montante. Portugal tem agora 20 metros de auto-estrada por Km2 (a média europeia é de 16 metros) e na rede ferroviária tem 31 metros por Km2 (a média europeia é de 47 metros). As contas externas e o ambiente agradecem o desinvestimento no transporte que só poder ser público, o que também explica parcialmente o peso dos combustíveis no orçamento dos portugueses registado há poucos anos: 5,2% para uma média Europeia de 3,3%. E agora? Agora, vamos persistir no erro, graças à austeridade selvagem, que também vai desmembrar a CP, entregando aos privados os lucrativos comboios suburbanos: estudo entregue à troika propõe fecho de 800 km de linha férrea. A lógica, para retomar uma vez mais os termos de Tony Judt num ensaio sobre caminhos-de-ferro, é a de desaprender “a partilhar o espaço público para benefício comum”.