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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Parábola da cana e do peixe...


Há uma parábola que é repetida ao lomgo dos anos, quando se fala da pobreza e dos meios de combater essa mesma pobreza. Essa parábola é aquela em que se diz que em vez de dar um peixe, se dê uma cana e se ensine a pescar.

Tomada à letra haveria muita gente que morreria à fome antes de sentir qualquer peixe a puxar a linha, mas é interessante analisar o que aconteceu e está a acontecer a Portugal neste situação de crise.

Nos idos de oitenta, Portugal tinha um sector primário talvez sobredimensionado para o nosso país, mas que mesmo assim ia produzindo muitos dos produtos agrícolas, pecuários ou da pesca. Tinhamos uma frota de pesca com uma dimensão interessante e muitas explorações agrícolas que produziam alguma coisa.

Com a entrada na Europa, essas "canas" que nós tinhamos, foram negociadas e trocadas pelo "peixe" que entrava em milhões ao minuto. Até aí tudo bem, ou pelo menos assim-assim...

Os milhões que entraram nessa altura deveriam ter sido utilizados na modernização do país, e aí a aposta foi nos quilómetros de betão e alcatrão que tornaram o nosso país atravessável de norte a sul em menos de 10 horas.

Mas esse dinheiro, e entrou muito através do FSE - Fundo Social Europeu, deveria ter servido para a formação de pessoas, e para o aumento das habilitações, e o que aconteceu é que qualquer entidade pública ou privada tinha o seu cursinho do FSE em que convidava meia dúzia de "formandos" e "formadores" e distribuia o dinheiro sob a forma de subsidios de formação e diplomas como se fossem folhas a cair de uma árvore no Outono.

Quando não era utilizado assim, os dinheiros do FSE foram utilizados para suprir as tesourarias e caixas de muitas empresas em dificuldade que utlilizaram essas verbas para pagar os salários dos funcionários, novamente sob a capa da formação.

Ou seja, nos idos de oitenta, tiraram por um lado as nossas "canas" e o que aconteceu é que as verbas que entraram se evaporaram em pseudo formação, automoveis de alta cilindrada, viagens e não sei o quê mais, e as qualificações ficaram na mesma, ou pior, pois o dinheiro fácil não serviu para nada a não ser fazer surgir uns novos ricos instantâneos.

Estamos agora a pagar com juros acrescidos a loucura dos anos oitenta e o desmantelamento de uma boa parte do aparelho produtivo português, e como se sabe um país que não produz, não é capaz de gerar riqueza....
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POEMAS DE AMOR E DOR - A ROSEIRA NÃO SERÁ ESQUECIDA


A ROSEIRA NÃO SERÁ ESQUECIDA

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ALFAMA
Fotografia de Rogério Martins Simões

A ROSEIRA NÃO SERÁ ESQUECIDA
(Romasi)
Rogério Martins Simões


A Rosa,
Rosa das escuras ruas de Alfama,
Era rosa
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.

A Rosa
Não nasceu num berço de oiro
Nem nasceu menina rica.
Sua mãe a pariu
Quase morta
Numa manhã invernosa
A caminho da lota.

A Rosa
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.
Não se quedou apregoando sardinha
Pelas ruas da Regueira
Ou vendendo seu corpo lesto
Pelos bares tristes da Ribeira.

A Rosa,
Rosa das escuras ruas de Alfama,
Filha de Roseira Brava
Que vendia sardinha de Barrica.
Parida quase morta
A caminho da lota,
Que não teve berço de oiro
Nem nasceu para ser rica
Lutou pela Liberdade!
Morreu vendendo a vida!

Agora dizem em Alfama…
Que a Rosa não será esquecida.

1969
(Homenagem à mulher trabalhadora de Alfama)
(Registado no Ministério da Cultura
- Inspeção-Geral das Atividades Culturais I.G.A.C. –
Processo n.º 2079/09)

A Inércia do Quotidiano

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Rara será a existência que actualmente se não deixe balouçar ao sabor das correntes, cada hora impelida a um rumo diferente pela última notícia que se leu ou pela última conversa que se teve. Sem fim a que aponte, a alma da maioria dos homens flutua na vida com a fraca vontade e a gelatinosa consistência das medusas; um dia se sucede a outro dia sem que o viver represente uma conquista, sem que a manhã que renasce seja uma criação do nosso próprio espírito e não o fenómeno exterior que passivamente se aceita e que por hábito nos impele a um determinado número de acções; desfez-se a crença em que o mundo é formado pelo homem, em que o reino de Deus terá de ser obtido, não como uma dádiva dependente do arbítrio de um ente superior, mas como a paciente, firme, contínua construção dos seus futuros habitantes. 


















Daí a facilidade das entregas aos que ainda aparecem com dedos de escultor, daí os desânimos e as indiferenças, daí o supor-se que apenas surgimos no mundo para nos garantirmos, diariamente, um almoço, um jantar e uma casa; perdem-se as almas nas tarefas inferiores do existir, nenhuma grande aspiração de beleza, de liberdade e de amor guia através das noites obscuras e dos cerrados nevoeiros aqueles mesmo que nasceram mais fortemente desprendidos das animalidades primitivas.


Há como que o prazer da desordem, da irresolução, do pensamento confuso; quase se tornou censurável marchar com a regularidade dos astros, divinizou-se o acto imprevisível e o gesto que vem contrariar o do momento anterior; ninguém pára um instante para reflectir, coordenar as ideias, eliminar as que se mostram incapazes de em acordo se ligarem ao que de seguro ficou estabelecido. 


















A fala medida e o silêncio que fazem possível o diálogo e pelo diálogo a viagem aos bordos mais longínquos do universo cederam o lugar a um discurso plural que deve ser aos ouvidos de Deus como zumbido importuno de insecto que teima em passar através da vidraça; quebra-se a barreira ateniense da harmonia e a barreira espartana da vontade e dá-se livre curso aos ímpetos, aos repentes, aos caprichos; troca-se o manso fluir dos grandes rios, a ondulação poderosa e calma do mar largo pelos cachões e as espumas das correntes que se entrechocam e batem. 


Que loucura vos tomou, meus irmãos homens? Urge que apeeis o Acaso do lugar divino que lhe destes, que lanceis, como diques e caminho da vida, as fortes linhas da inteligência ordenadora e da vontade, que acima de tudo se habitue a vossa alma a construir a existência com a pureza, o nítido recorte e a querida abstenção da estrofe de um poema.

Agostinho da Silva, in 'Textos e Ensaios Filosóficos'
Virgínia Jorge - Feira das vaidades

«O Poema Original» – ARY DOS SANTOS - Original é o poeta...

  • Pintura a Óleo “Mulher”
     Autoria FM

  • mulher1
    «O Poema Original» –
    Original é o poeta
    que se origina a si mesmo
    que numa sílaba é seta
    noutra pasmo ou cataclismo
    o que se atira ao poema
    como se fosse ao abismo
    e faz um filho às palavras
    na cama do romantismo.
    Original é o poeta
    capaz de escrever em sismo.
    Original é o poeta
    de origem clara e comum
    que sendo de toda a parte
    não é de lugar algum.
    O que gera a própria arte
    na força de ser só um
    por todos a quem a sorte
    faz devorar em jejum.
    Original é o poeta
    que de todos for só um.
    Original é o poeta
    expulso do paraíso
    por saber compreender
    o que é o choro e o riso;
    aquele que desce à rua
    bebe copos quebra nozes
    e ferra em quem tem juízo
    versos brancos e ferozes.
    Original é o poeta
    que é gato de sete vozes.
    Original é o poeta
    que chega ao despudor
    de escrever todos os dias
    como se fizesse amor.
    Esse que despe a poesia
    como se fosse mulher
    e nela emprenha a alegria
    de ser um homem qualquer.
    Ary dos Santos, in ‘Resumo’

    A Líbia sob fogo da NATO: um festim de sangue

    Ir para o artigo completo
    «É claramente evidente que a OTAN excedeu o seu mandato, mentiu acerca das suas intenções, é responsável por assassínios extra-judiciais, tudo em nome daintervenção humanitária”. »

    -
    «Dois bombardeamentos da NATO terão vitimado 24 civis entre domingo e segunda-feira, afirmam as autoridades de Tripoli.»
    «A guerra da NATO contra a Líbia destruiu dezenas de infra-estruturas não militares e matou cerca de 250 civis em três meses. A ofensiva é acompanhada por uma intensa campanha mediática que não olha a meios para a apresentar como humanitária e ocultar os que defendem a soberania do país.»
    «A NATO lançou cerca de 3200 ataques com bombas de urânio empobrecido contra a população civil na Líbia, denunciou, este sábado, 28, o enviado especial do canal Telesur, Rolando Segura.»
    «Os bombardeamentos da NATO contra portos e navios líbios impedem a chegada de ajuda de emergência aos civis que a Aliança Atlântica diz pretender proteger.»
    • NATO mata (Avante!, Edição N.º 1955, 19-05-2011)
    «Depois de tentar assassinar o mais alto responsável de um Estado-Membro das Nações Unidas e do anúncio do uso de fundos soberanos para sustentar os rebeldes líbios, os imperialistas são agora acusados de terem deixado morrer dezenas de imigrantes que fugiram do país na sequência da guerra.»
    -
    -
    quinta-feira, 23 de Junho de 2011, 12:35:33 | António Vilarigues
    Castendo

    "Câmara de Beja não deverá cair nos mesmos erros de se subjugar completamente aos interesses do PS."

    Esta e outras frases, que a seguir recordamos, foram destacadas numa entrevista que Castro e Brito deu à revista 30 Dias, por altura da 28ª OVIBEJA, e que publico agora por agora ter encontrado a revista e me parecerem actuais e pertinentes:

    . "Câmara de Beja não deverá cair nos mesmos erros de se subjugar completamente aos interesses do PS."
    . "A evolução das relações da ACOS com a Câmara de Beja é a que é! Muitas vezes não é por causa do imperador, é por causa dos sultões que andam à volta do imperador."
    . "Continuamos com aquela política do dividir para reinar, com organizações fantasmas e sem actividade, que têm o mesmo voto daquelas que têm dinamismo e dimensão."
    . "Aqualidade dos políticos em Beja é péssima! Tenho muita pena de dizer isto, é do pior que há."
    . Nunca simpatizei com nenhum (partido). Tive uma educação clássica e nunca fugi atrás de foguetes."
    Alvitrando
    Até a fome parece ter já desaparecido.
    O senhor Passos Coelho, agora na pele de primeiro-ministro indigitado garante, em “entrevista ao jornal britânico Financial Times que Portugal enfrenta dois “anos terríveis” pela frente, com um desemprego recorde e uma profunda recessão.”
    Não estive de acordo com o senhor Passos Coelho durante a campanha eleitoral e lamento muito, mas não é por ele ser agora primeiro-ministro indigitado que vou passar a concordar com ele.
    Ora, é evidente que Portugal não vai enfrentar dois “anos terríveis”. Eu diria até que muito pelo contrário. Em Portugal, vai jorrar leite e mel. Aliás, tal é já um facto. Veja-se, só a título de exemplo, que a “fome” que afligia milhares, senão milhões de cidadãos, antes das eleições e, designadamente, durante a campanha eleitoral, já desapareceu por completo. Nunca mais se falou desse flagelo, nem nas televisões, nem nos demais órgãos de comunicação social. A ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) deixou de abordar o tema, através da sua hierarquia. As cantinas escolares já não precisam de abrir portas durante as férias, como no passado recente, acontecia. E, argumento decisivo: até Cavaco Silva deixou de ir “matar a fome” ao Casino do Estoril.
    Alguma dúvida?
    Francisco Clamote

    democracias...

    Nos paises da União Europeia, quando refilas por te despejarem da casa, por te roubarem o trabalho e o pão, não só levas porrada, como esfarrapam a dignidade pessoal e consporcam as tuas convicções de classe e conceitos patrióticos.

    Nos países da NATO, onde tu também votas e podes decidir, os chefes dividem, humilham e matam - fazem o que querem em função das mesmas regras e ordens. Garantir o poder do capital. Agora decorre na Libia! ...

    Se eu tivesse vinte anos...


    Se eu tivesse vinte anos... e formasse uma banda rock, provavelmente, ao contrário dos GNR, faria uma canção defendendo a saída de Portugal da CEE, ou como agora se diz, da UE e do Euro.
    Os jovens GNR, ainda com o experimental Vítor Rua e sem o Rui Reininho, fizeram sucesso nos idos de 1981 com a sua entusiástica apologia da entrada de Portugal na CEE. Era a miragem do progresso, a inocência do cordeiro que se vai meter na boca do lobo. Confirmou-se tudo. Houve algum progresso (até nas formas e na intensidade da exploração de quem trabalha) e o lobo abocanhou, como se esperava, o cordeiro. No essencial, começou a inclinar-se a ladeira que aceleraria o nosso afastamento dos ideais e conquistas de Abril. Foi esse o objectivo, desde Soares, objectivo que se vai cumprindo e agravando até hoje.
    Hoje, se tivesse vinte anos e, como já disse, fizesse uma cantiga a gritar pela saída de Portugal da UE e do Euro, acredito que não tivesse o sucesso popular dos jovens GNR... mas na verdade, ao contrário do que aconteceria há uns poucos anos, não seria trucidado pela crítica e teria até um ou outro aceno aprovativo de figuras “respeitáveis”, o apoio de economistas conceituados (mas, curiosamente, a condenação por parte de Louçã)... em vez de ser entendido apenas pelos mesmos “comunas” de sempre, que já em 81 não acharam muita graça à canção dos GNR.
    Provavelmente, à semelhança do que tem acontecido nos últimos tempos com outros protagonistas de algumas inesperadas canções de “intervenção”... eu andaria por aí, passados quinze dias, a desdobrar-me em entrevistas apelando à calma e a explicar que não senhor, não escrevia canções políticas e muito menos participava na política ativa, que era apenas artista e tal...
    De qualquer maneira, teria pelo menos introduzido a discussão e reflexão sobre o tema entre os da minha idade... isto, claro, se tivesse vinte anos.

    Obama – Apenas mais um...


    (Pawel Kuczynski)

    O que é que ganhei até agora em ouvir e ler excertos de discursos de Barack Obama?
    Passado todo este tempo é já evidente, até para aqueles que agora têm vergonha de admitir que se espalharam ao comprido ao darem o seu apoio quase beato ao presidente dos EUA, que apesar da vistosa articulação e da peganhenta “simpatia” dos discursos de Obama, o essencial da sua prática tem revelado um extraordinário aldrabão a tentar disfarçar o oxímoro criminoso de guerra nobel da paz.
    Enquanto o “comandante” da NATO, braço armado dos EUA, produz frases como esta, que mais parecem um abjecto exercício de humor-negro, isto se formos seguindo a forma mortífera com que os lacaios de Obama vão “protegendo” os civis na Líbia, mesmo que depois peçam desculpas... para logo a seguir voltarem a “proteger” mais civis... o criminoso Obama vai gerindo a sua imagem de estadista, anunciado intenções de retiradas de tropas aqui ou ali, ao sabor dos interesses da omnipotente indústria de armamento.
    Perante tal hipocrisia, perguntei “o que ganhei até agora em ouvir e ler excertos de discursos de Barack Obama”. Ganhei pelo menos uma informação: o local exato em que foi enterrado um dos filhos do velho Gepeto. E digo “um dos”, porque o famoso construtor de pinóquios produziu aquela praga às centenas... como nós por cá bem temos também sentido na pele.

    Ria Formosa tem a partir de hoje nova embarcação salva-vidas
    24-06-2011 14:30:00

    O Algarve recebeu hoje uma nova embarcação salva-vidas cuja missão é socorrer náufragos e retirar habitantes em perigo das ilhas da Ria Formosa, locais que no verão chegam a ter quatro mil habitantes.    
    A nova embarcação, que ficará estacionada junto à barra Faro/Olhão, tem 8,5 metros de comprimento - mais dois que a antiga -, disse à Lusa o capitão do Porto de Olhão, Ricardo Arrabaça, explicando que o novo barco vai atingir "uma maior velocidade, resistência, autonomia e capacidade de transporte de náufragos".
    As principais missões da nova embarcação salva-vidas SR37 é o socorro a náufragos no mar, numa área entre Vilamoura e a barra da Fuseta, mas também a retirada médica em casos de urgência da população residente e veraneante nas ilhas barreira Armona (núcleo habitacional da Armona), Culatra (núcleo habitacionais da Culatra, Hangares e Farol) e Barreta.
    Nos meses de verão a população nas ilhas da Ria Formosa chega a ultrapassar os quatro mil residentes.
    A cerimónia de apresentação da embarcação foi presidida pelo vice-Almirante Cunha Lopes, diretor-geral da Autoridade Marítima, e contou com a presença de associações dos moradores dos diversos núcleos, associações de armadores e pescadores, IPTM e Cruz Vermelha Portuguesa.
    O presidente da Câmara Municipal de Faro, o sub-diretor do Instituto de Socorros a Náufragos e representantes da Autoridade Nacional de Protecção Civil também estiveram presentes na cerimónia.

    Observatório do Algarve

    Ria Formosa tem a partir de hoje nova embarcação salva-vidas

    PRESIDENTE DA COMISSÃO DE PROTECÇÃO DE DADOS RECEBEU 59 MIL EUROS A MAIS


    por Adriana Vale, Publicado em 23 de Junho de 2011

    O Presidente da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD) Luís Silveira recebeu, por acumulação indevida de pensões, mais de 59 mil euros entre Abril de 2006 e Dezembro de 2010. O mesmo aconteceu com dois vogais da mesma comissão, Ana Cristina Roque dos Santos, que entre Janeiro de 2006 e Dezembro de 2010, recebeu a mais um montante de 86 mil euros e o vogal Luís Paiva de Andrade, que recebeu mais 38 mil euros do que devia, referentes ao período de Janeiro de 2009 a Dezembro de 2010.

    Esta conclusão é do Tribunal de Contas (TC) em relatório sobre a CNPD, assinado no passado dia 26 de Maio. O visado contestou a conclusão do Tribunal de Contas e o relatório foi enviado para que o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas se pronunciasse.

    O Ministério Público, por sua vez, enviou o caso para apreciação do Conselho Consultivo da Procuradoria Geral da República, que ainda não teve tempo de se pronunciar sobre o caso.
    Contactada pelo i, a Comissão Nacional de Protecção, através da sua assessoria de comunicação, diz que a decisão do Tribunal de Contas ainda não é final. O facto de esta verbas terem sido pagas a mais é tema que ainda está em discussão e longe de estar concluído. Mas o relatório já foi aprovado e enviado para o Ministério Público (MP) deste tribunal. Caso os magistrados do MP decidam que há matéria para uma acção a infracção será julgada na 3ª secção do Tribunal de Contas. No total, e só a estes três membros da comissão foram pagos indevidamente mais de 184 600 euros.

    Infracções Financeiras Segundo o relatório assinado pelo conselheiro Ferreira Dias, no capítulo reservado a eventuais infracções financeiras pode ler-se que foi pago a Luís Silveira "o montante de 59.817,71 euros, por ter acumulado indevidamente a remuneração de Procurador-Geral Adjunto, na situação de jubilado" com a remuneração decorrente do cargo de presidente "ainda que reduzida a uma terça parte". Quanto aos dois vogais, os pagamentos em excesso devem-se a situações semelhantes, embora nenhum deles tenha o estatuto de magistrado jubilado. A vogal Ana Roque dos Santos, recebeu a mais "86.493,35 euros por ter acumulado a totalidade da remuneração de vogal, com a totalidade da remuneração de aposentada, sem que uma delas fosse reduzida a uma terça parte" , ao contrário do que está prevista na lei. A Luís Paiva de Andrade, "foi pago a mais o montante de 38.293,34 euros, por ter acumulado a totalidade da remuneração de vogal, com a totalidade da remuneração de aposentado sem que uma delas fosse reduzida a uma terça parte."

    Ou seja, estes dois vogais recebiam o seu vencimento na íntegra a par com o pagamento da aposentação. O presidente da CNPD é remunerado de acordo com o que está fixado para o cargo de director-geral, cabendo aos restantes membros uma remuneração igual a 85% daquela, mas "sem prejuízo da faculdade de opção pelas remunerações correspondentes ao lugar de origem" Esta é, como diz a lei, uma opção e não uma acumulação. O presidente da CNPD tem ainda direito a um abono mensal para despesas de representação de montante igual ao atribuído aos directores-gerais. Os restantes membros da CNPD têm direito a um abono mensal para despesas de representação de montante igual ao atribuído aos subdirectores-gerais. Segundo a tabela a um cargo de direcção superior de 1ª grau é de cerca de 3 730,06 euros líquidos acrescidos de 778 euros de despesas de representação.

    Jubilação Luís Silveira tem 73 anos é pai de João Tiago Silveira, ex-secretário de Estado da Justiça e da Presidência de Conselho de Ministros, do executivo de José Sócrates. Foi professor universitário e membro do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República. Está na Comissão Nacional de Protecção de Dados desde 2001 de que também faz parte Luís José Durão Barroso, irmão do actual presidente da Comissão Europeia.

    Apesar de ter o cargo equiparado a Procurador-geral adjunto nunca exerceu essas funções. A sua jubilação também não foi tema pacífico dentro do Ministério Público não sendo, como nos disseram fontes do MP, caso único. Há outros casos em que um profissional com cargo equiparado da procurador-geral adjunto, em vez da aposentação opta pela jubilação. A jubilação é um estatuto mais favorável que a simples aposentação porque permite ter direito ao vencimento na íntegra, enquanto que a aposentação é semelhante à comum reforma. Um procurador-geral adjunto ganhará perto 3400 euros mensais.
    No texto do relatório refere-se ainda que a legalidade desta acumulação foi alvo de parecer pedido por Luís Silveira ao auditor jurídico da Assembleia da República. Mas o parecer parte do pressuposto que Silveira está aposentado e não jubilado, o que tem estatuto remuneratório diferentes. Diz o relator que neste caso "terá havido uma deficiente entendimento na apreciação efectuada".