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sexta-feira, 17 de junho de 2011

NOVO GOVERNO

Vitor Gaspar é o ministro das finanças.


Vítor Gaspar, é agregado em Economia (Universidade Nova de Lisboa, 92), com doutoramento em Economia pela mesma Universidade. É consultor no Banco de Portugal, professor catedrático convidado na Católica Lisbon Business & Economics e professor catedrático convidado no ISEG.

Gaspar colaborou com Cavaco Silva, quando o actual Presidente da República foi primeiro-ministro.

Já Álvaro Santos Pereira é Professor Associado da Simon Fraser University (Vancouver, Canadá), onde lecciona Desenvolvimento Económico e Política Económica. É igualmente professor convidado na University of British Columbia, onde ensina Macroeconomia.

O novo Governo é o seguinte:

Finanças - Vítor Gaspar

Economia - Álvaro Santos Pereira

Negócios Estrangeiros - Paulo Portas

Defesa - Aguiar-Branco

Justiça - Paula Teixeira da Cruz

Administração Interna - Miguel Macedo

Ministro-Adjunto e dos Assuntos Parlamentares - Miguel Relvas

Segurança Social - Pedro Mota Soares

Educação e Ensino Superior - Nuno Crato

Agricultura, Ambiente e Território - Assunção Cristas

Saúde - Paulo Macedo
Câmara de Lisboa recebe 100 mil euros por realização de "mega horta" na Avenida da Liberdade
A organização da "mega horta" da Avenida da Liberdade financiou o arranjo dos espaços verdes daquela artéria lisboeta e a recuperação de uma horta em Campolide, num total "superior a 100 mil euros", disse hoje o vereador do Ambiente, Sá Fernandes.

SURGE A NOVA MULHER



fotos de Arno Bani


A razão ao buscar a sua verdade
É persuasiva e não imperativa
No diálogo sem som do pensamento
De si para consigo
Na reflexão.

E, quando a tensão provocada
Por uma forte emoção
Ocasiona uma queda livre
Dentro de si mesma
Um mergulho no íntimo
Surge uma reação
Da oportuna razão.

A nova Mulher
Antes, afetada e sofrida
Surge cantando seu fado.

Tremo sinto calafrios
Mas, venci derrotei o vazio.

Fui exilada
Não me importa mais
Desisti transgredi
Reagi não me submeti.

Matei de um só golpe
A inferioridade e a carência
Que tinham plantado
Em mim.

Em tempo algum
Nenhum ato ou sentimento
Deve ser maior
Que nossa liberdade
Nosso amor próprio.

Nenhum efeito
Deve ser maior
Que aquilo que o causou.

Libertei-me sou outra
Renasci no ato da revolta.

Quando perguntarem
Direi que não existo mais
Alforriei-me sou livre
Me amo me respeito.

Tornei-me uma alma
Iluminada corajosa feliz
A noite de outrora acabou.

O presente (agora) me diz
Que aquela mulher sofrida
Escrava das circunstâncias
Se foi... desvaneceu-se.

O amanhã rege meu hoje
Sou dona da minha vida
Cúmplice do meu destino.

(sou a nova Mulher...)


ALICE LUCONI NASSIF
Luso poemas

Prece




Não te peço palavras,
redondas ou curvas
mas a singeleza dos actos
que num só gesto
valha mais do que todas elas...

Não te peço que me levantes
quando rastejo no chão
de punho fechado
e coração aberto.

Mas antes...
que te lembres de mim
quando me sinto mais só
e mais frágil e efémera
que uma borboleta!
 
Vóny Ferreira
Sonho

A Grécia que não nos mostram

@Gui Castro Felga

Os nossos jornais e as nossas televisões falam-nos agora da Grécia todos os dias, dos becos aparentemente sem saída da sua situação na Alemanha ou em Bruxelas, e mostram-nos, quase exclusivamente, violência nas ruas – barricadas, polícias, desacatos.

Mas há outra realidade para além dessa e vamos felizmente tendo acesso a fontes de informação diversificadas, como é o caso deste artigo ontem publicado, não num «pasquim» de «acampados», mas no respeitado Guardian: In Greece, we see democracy in action - The public debates of the outraged in Athens are the closest we have come to democratic practice in recent European history.

Depois da monumental manifestação que encheu as ruas de Atenas há dois dias, e quaisquer que venham a ser as próximas etapas da crise grega, o reconhecimento, por parte de Papandreou, do falhanço das políticas até agora aplicadas, é certamente o maior sucesso da oposição anti-austeritária na Europa, até agora.

Se até há cerca de três semanas, a comunicação social e as elites intelectuais conseguiram espalhar o medo e limitaram a resistência, desde então a realidade é bem diferente: a mítica praça Syntagma passou a estar ocupada por homens e mulheres (por vezes mais de 100.000), de todas as ideologias, idades e profissões, que mantêm debates regulares bem organizados, para os quais são convidados economistas, advogados e filósofos que apresentam alternativas para enfrentar a crise. Discute-se a injusta pauperização dos trabalhadores gregos, a perda de soberania, a destruição de valores democráticos.

É bom que aqueles que tanto louvaram Indignai-vos!, de Stéphane Hessel, e o seu apelo para «uma insurreição pacífica», reconheçam que nem o próprio terá previsto que os «indignados» espanhóis e os «ultrajados» gregos tomassem à letra os seus conselhos, tão depressa e tão espectacularmente. Porque é disso que se trata.

À praça Syntagma, chegam ecos da velha Ágora ateniense.
Joana Lopes
Entre as brumas da memória

versinhos populares

eles estão além
eles estão aqui
neste jogo do vai vém
do PSD e do FMI
eles estão a gamar
o povo não os esquece
neste eterno girar
do FMI do CDS
eles são uns matreiros
jogam forte na aposta
na equipe dos Loureiros
e na do Oliveira e Costa
eles são uns grão finos
eles gostam da vida cara
tal como os Isaltinos
e seguidores do Vara
eles são exploradores
gente desonesta de má fé
para não sermos sofredores
vamos corrê-los a pontapé !

António Garrochinho

Chegada


Onde estiveste
passaram  horas, dias, os anos … 
viraram das páginas da  minha vida
trazes algo dentro de ti, dentro do coração
pelos lugares que percorreste
amaste ou sofreste
que janelas abriste  no teu olhar
porque voltaste
senta-te aqui ao pé de mim
temos tempo
não vamos dizer mais nada !

António Garrochinho

O «bom aluno»
Nas comemorações do 10 de Junho, o Presidente da República, Cavaco Silva, decidiu promover a «aposta na agricultura», afirmando as suas preocupações com o «défice alimentar» português e propondo «um programa de repovoamento agrário do interior, criando oportunidades de sucesso para jovens agricultores».
Acontece que, há 20 anos, o professor Cavaco era o primeiro-ministro de Portugal com maioria absoluta, mas nessa altura as suas preocupações não se prendiam com défices alimentares ou sucessos de agricultores, jovens ou velhos: o seu empenho centrava-se no cumprimento escrupuloso dos ditames de Bruxelas, que ordenavam precisamente o contrário - o desinvestimento na produção agrícola nacional. E não se pense que a prestimosa CEE nos ia apenas às couves e aos nabos: o ataque era de raiz, por assim dizer, e praticou o abate sistemático de culturas inteiras e seculares, como as da vinha e as do olival.
Os 220 mil agricultores que, hoje, continuam a receber subsídios da União Europeia para não produzir já vêm desse tempo, quando o dinheiro vinha às carradas a «subsidiar» o desmantelamento programado da agricultura portuguesa – naturalmente para garantir a produção das potências agrícolas da União, nomeadamente  a França e a Alemanha.
Nessa altura, o empenhado executante desse desmantelamento foi Cavaco Silva, que diligenciou os primeiros subsídios para os 220 mil agricultores que, hoje, continuam a ser pagos pela UE para não produzirem.
E não só: foi também Cavaco Silva quem promoveu o abate da frota pesqueira com subsídios comunitários, liquidando de caminho as pescas nacionais que, numa dúzia de anos, desceram de 70% para 30% no abastecimento do pescado de consumo interno, o que significa que deixámos de importar 30% para importarmos 70% do peixe que consumimos. Isto sendo o país com a segunda maior ZEE marítima (o primeiro é o Canadá) e também o segundo no consumo de peixe per capita (o primeiro é o Japão).
Na altura, o PCP foi extremamente claro na denúncia e apresentação de todos estes factos e previsões (basta consultar as notícias da época), ao que Cavaco Silva responderia com a arrogância do costume, remetendo os argumentos do Partido para a estafada despromoção do «discurso da cassete». 
Mas quem tinha o «discurso da cassete» era o próprio Cavaco, quando afirmava estar no «pelotão da frente» da submissão aos ditames de Bruxelas, se gabava de Portugal ser «um bom aluno» no cumprimento desses ditames e promovia o turismo como o destino privilegiado do País, imaginando-o como imenso resort para uso e gozo da Europa gorda dos ricos.
O resultado está à vista: o ancentral país agrícola que sempre fomos já não produz alimentos que dêem para a sopa, tal como já nem barcos tem para apanhar os peixes que come, apesar de possuir das maiores zonas marítimas do mundo.  
É por isso estranho ver agora o Presidente da República a promover recuperações agrícolas, qual Mestre preocupado com a falta de resultados da turma.
É que este «Mestre», há 20 anos atrás, foi precisamente o «bom aluno» que desarticulou a agricultura que agora diz querer recuperar.

  • Henrique Custódio  A talhe de foice

NOS DOMÍNIOS DO ARBÍTRIO - OPINIÃO DE BAPTISTA BASTOS

Na noite de Santo António, uma vendedeira de sardinhas assadas e bebidas coadjuvantes gritou, arfante de entusiasmo: "Que venha a crise! Que venha o FMI!" O negócio estava a render, Alfama abarrotava de gente, hora e meia para se arranjar lugar sentado. A afirmação da vendedeira não se desentendia com a realidade. Era, afinal, a imagem devolvida de um país a que não falta estilo popular mas carece de razão soberana.
Portugal está a meio caminho entre a realidade e a ficção. Sempre assim foi. A própria construção da nossa identidade é um milagre quase perfeito. Leia-se José Mattoso e António Borges Coelho. Mas Portugal, apesar de tudo, ilumina-se com o seu próprio brilho, recusa enclausurar-se em si mesmo, e detém um panteísmo específico que o tem levado a realizar o imponderável e o impensável.
O Algarve esteve cheiinho como um ovo de galinha de campo. Durante quatro dias o povo removeu sombras e incertezas e sublinhou o dito: perdido por cem, perdido por mil. Claro que, nestes extremos, há um esteticismo desesperado que deixa os sábios estrangeiros muito pasmados. A razão parece-me simples: não somos como eles. E ainda bem. Quem nos dirige e em nós tem mandado não nos sabe dirigir nem mandar. António Barreto, no discurso do 10 de Junho, falou, um pouco emocionado e levemente lírico, nesse "eu" interior. Criticou os que produzem a indiferença, e que a política, assim entendida e praticada, conduz à pior das dissoluções: a moral. Um texto escrito num idioma de lei e destinado, pelo dia e pelo fasto, a despertar as comoções de quem o ouvisse. Qualquer comparação com a redacção de terceira classe, dificultosamente escrita e penosamente lida pelo dr. Cavaco, é pura indigência mental.
Estamos à beira de coisas terríveis? Todos os dizem. E a massa informativa que recebemos a cada instante não é de molde a criar evasivas, mas torna ilusória qualquer esperança de se fazer uma escolha com base racional. Como disse a vendedeira de Alfama, se isto é a crise, então onde está a crise? Mas ela existe, e não é fluida nem abstracta. A nossa rejeição instintiva da crise é tudo o que nos resta como afirmação de independência e de decência pessoal. Há algo de ingénuo e de muito digno nesta resistência às evidências. Claro que há. É uma característica que nos diz respeito, que nos formou e nos tem ajudado a viver, por vezes no pior dos opróbrios.
As coisas têm passado depressa demais. Anos e léguas não nos deixam reflectir sobre o que nos vai acontecendo, e, até, "legitimam" a brutalidade de muitas decisões tomadas por quem tende a medir o homem com uma bitola comum. Estou a falar da troica e dos constrangimentos que impõe aos povos. Este poder absurdo e quase absoluto não é limitado por nenhuma lei nem por qualquer obrigação moral.
Australianos estão interessados na compra da ANA. No entanto, o Grupo MAp quer conhecer, primeiro, o caderno de encargos para decidir se avança para a compra da empresa que gere os aeroportos portugueses.

Em declarações ao Diário Económico, Max Moore-Wilton, chairman do Sidney Airport, afirmou que a "MAp Airport está interessada em novos aeroportos". Por isso, disse, olha "activamente para todas as oportunidades que possam surgir e Portugal será uma delas".

No entanto o Grupo MAp quer conhecer o caderno de encargos antes de decidir se avança para a compra da empresa que gere os aeroportos portugueses e só avançará se puder garantir uma posição maioritária.

O Grupo MAp é uma empresa australiana que controla os aeroportos de Sidney, Copenhaga e Bruxelas.
NC

Que Falem os Cidadãos

CONSIDERANDO que nenhum dos partidos que vai formar governo tem programa próprio, pois essa função vai ser desempenhada pelo acordo assinado com a troika FMI-CE-BCE, e se as opções mais polémicas nele inscritas, como sejam a nova onda de privatizações de sectores básicos da economia, profundas alterações à legislação laboral e emendas à Constituição da República, matérias tão sensíveis que não foram sufragadas pelos eleitores, sustento que tais medidas devem ser objecto de referendo, dando voz aos cidadãos. E direi mais: porque desempenham a função de coluna vertebral do regime, sendo vitais para a sustentabilidade e soberania do país, não deviam ser negociadas como garantia ou contrapartida para a obtenção de resgates ou empréstimos, pois há outras vias e modos de o assegurar. Será que há receio que aconteça o mesmo que aconteceu na Itália de Berlusconi, com a rejeição em referendo da opção nuclear e de novas privatizações? Provavelmente há, todavia, a democracia não pode resumir-se a ser apenas um verbo-de-encher, porque convém, quando convém e a quem convém…

Maria Vitória – Uma derrocada simbólica



Quase a fazer noventa anos, muitos dos quais à espera de um novo impulso na vida do Parque Mayer, na popular Revista à Portuguesa e na própria cultura em geral... o Teatro Maria Vitória cansou-se de esperar... e partiu.
Não partiu completamente, mas a derrocada de parte do tecto impossibilitou a abertura de pano do espetáculo que estava programado para ontem, dia 16 de Junho, deixando um punhado de artistas à procura de um espaço alternativo.
Se esta derrocada tivesse sido pensada como um golpe publicitário, ou uma espécie de “performance” para assinalar a entrada em cena do novo governo do PSD/CDS e o seu previamente anunciado desprezo pela cultura, teria sido uma ideia brilhante. Infelizmente, trata-se apenas da crua e fria realidade.
Às verbas irrisórias que são postas ao serviço da cultura, desde há muitos anos, vem agora juntar-se a ainda maior desvalorização oficial da criação cultural e da preservação do património e defesa da língua, com o anunciado fim do Ministério da Cultura.
Ao contrário dos seus antecessores, estes que agora chegam ao poder podem pelo menos gabar-se de estarem a ser perfeitamente coerentes com a sua concepção ultraliberal de cultura... que ainda há um par de dias ouvi Vasco Graça Moura, um dos caceteiros cavaquistas mais cultos do país, defender numa entrevista televisiva:
«O que tem muito público e dá dinheiro, é para ficar; aquilo que não for comercialmente viável, é para acabar... ou então, que se pague a si próprio!»
Segundo este critério miserável, muitos dos que hoje são consensualmente aceites como grandes símbolos da nossa cultura, nunca teriam chegado ao nosso conhecimento. Nunca teriam visto os seus livros editados, as suas obras musicais tocadas e gravadas, os seus quadros expostos e, sobretudo, o seu pensamento divulgado.
O que é grave é que calhordas como este Vasco Graça Moura e o seu novo primeiro-ministro, sabem muito bem que assim é. Sabem para que lado estão a tentar torcer o rumo da História... e não têm perdão, pois sabem muito bem o que fazem!