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quinta-feira, 16 de junho de 2011

CONTOS E FÁBULAS DO ALGARVE - A LENDA DAS AMENDOEIRAS

Lenda das Amendoeiras - Algarve - Portugal

"Passam os anos, sopram os ventos, vibram os trovões, cai a chuva, desfazem-se as terras, morrem as gentes,... _ mas as lendas ficam. ... as lendas transmitem-se e perduram,... Apenas a voz as transporta. De voz em voz galgam os séculos. Perpetuam-se como a própria vida. E é ao povo, sem dúvida, que devemos tão extraordinário milagre."

Há muito tempo, antes da independência de Portugal, quando o Algarve pertencia aos árabes, havia ali um rei mouro que desposara uma rapariga do norte da Europa, à qual davam o nome de Gilda.

Era encantadora essa criatura, a quem todos chamavam a Bela do Norte, e por isso não admira que o rei, de tez cobreada, tão bravo e audaz na guerra, a quisesse para rainha.

Apesar das festas que houve nessa ocasião, uma enorme tristeza se apoderou de Gilda. Nem os mais ricos presentes do esposo faziam nascer um sorriso naqueles lábios agora descorados: a "Bela do Norte" tinha saudades da sua terra.

O rei conseguiu, enfim, um dia, que Gilda, em pranto e soluços, lhe confessasse que toda a sua tristeza era devida a não ver os campos cobertos de neve, como na sua terra.

O grande temor de perder a esposa amada sugeriu, então, ao rei uma boa ideia. Deu ordem para que em todo o Algarve se fizessem plantações de amendoeiras, e no princípio da Primavera, já elas estavam todas cobertas de flores.

O bom rei, antevendo a alegria que Gilda havia de sentir, disse-lhe:

- Gilda, vinde comigo à varanda da torre mais alta do castelo e contemplareis um espectáculo encantador!

Logo que chegou ao alto da torre, a rainha bateu palmas e soltou gritos de alegria ao ver todas as terras cobertas por um manto branco, que julgou ser neve.

- Vede - disse-lhe o rei sorrindo - como Alá é amável convosco. Os vossos desejos estão cumpridos!

A rainha ficou tão contente que dentro em pouco estava completamente curada.


A Princesa:
Ai portas do meu silêncio,
Ai vidros da minha voz,
Ai cristais da minha ausência
da terra dos meus avós.
Desataram-se em soluços
os seus cabelos desfeitos...

O Rei Mouro
Dizei-me magos, oragos,
anões, duendes, profetas,
adivinhos e jograis,
sagas, videntes,poetas...
Como hei-de secar o pranto,
daqueles olhos de rio?
Como hei-de secar os ais,
daquela boca de estio?
Como hei-de quebrar o encanto
que numa tarde de pedra
talhada pela tristeza
selou com dados de chumbo
o sorriso da princesa,
que suspira pela neve
da ponta do fim do mundo?

José Carlos Ary dos Santos

Esta manhã acordei
E mal cheguei à janela
Todo o campo em meu redor
Parecia a coisa mais bela
Amendoeiras em flor
Seculares árvores benditas
E o vento fazendo bailar
Mil pétalas das mais bonitas
É assim o meu Algarve
Em cada mês de Janeiro
Sem neve no seu regaço
Mas sempre um branco canteiro

E l s a

lenda da moura encantada - castelo velho de Alcoutim

Diz assim:

[O Castelo Velho segundo Duarte de Armas - Séc.XVI]

No castelo velho de Alcoutim, estava encantada uma bela agarena por motivos que não são conhecidos mas que devem estar relacionados com o abandono forçado que aquele povo teve que fazer.

Depois “conhece-se” a forma de proceder à quebra do encanto, libertando a bela moura:
Na manhã de S. João, e só nessa altura, o pretendente ao desencanto, que ao efectuá-lo, receberia o grande tesouro que se encontrava escondido no local onde se situou o velho castelo mourisco que denominava e vigiava a curva existente no rio, tinha que travar luta contra um bicho façanhudo, tipo réptil que tinha grandes pestanas e sobrancelhas e, o que é muito importante para a estória, uma malha preta na cabeça, único ponto vulnerável que possuía, desde que fosse tocado por uma arma branca.

Se o pretendente não o conseguisse, seria devorado por tal bicho que tinha como local de repouso, observação e defesa dois chaparreiros onde se enroscava e o dilatado tempo já passado, sem que ninguém tivesse o arrojo de o enfrentar, tinha originado o alisar do tronco das árvores.

Quanto à bela agarena, a lenda não indica o seu destino.

Que houve gente que passou dias a cavar no local esperando encontrar o tesouro sem enfrentar o bicho façanhudo, parece ter acontecido pelo menos nos princípios do século passado e possivelmente aconteceu o mesmo em séculos anteriores onde naturalmente a lenda estava mais arreigada.

Ainda hoje e segundo informações muito recentes há tractoristas que em locais impregnados de lendas deste tipo fartam-se de escavar para cima e para baixo esperando encontrar as famosas barras de oiro em arcas ou em coiro de boi, por exemplo!

E a moira, de que se desconhece o nome, o que nem sempre acontece, lá continua no seu padecido encantamento, até a lenda se perder com o esboroar dos tempos!

O Wikileaks publicou esta quinta-feira um vídeo e um comunicado para denunciar as condições em que se encontra detido Julian Assange, um dos seus fundadores, há precisamente seis meses em prisão domiciliária.

Julian Assange (foto AP)
Wikileaks divulga vídeo para denunciar condições em que Assange é tratado

O Wikileaks publicou esta quinta-feira um vídeo e um comunicado para denunciar as condições em que se encontra detido Julian Assange, um dos seus fundadores, há precisamente seis meses em prisão domiciliária.

«Estão a tratá-lo como a um animal enjaulado», afirmou Sarah Harrison, uma das suas colaboradoras, aludindo às fracas condições em que se encontra Assange.

A rotina do australiano passa por entrar na esquadra da polícia em Norfolk, Sul de Inglaterra, mostrar a pulseira electrónica e assinar papéis, além de estar a ser controlado pelos aparelhos electrónicos instalados na sua casa em Elligham Hall.

Recorde-se que Assange está a ser vigiado enquanto aguarda o desenrolar do processo de extradição para a Suécia, onde é acusado por crimes de natureza sexual

O QUE DIRÁ MÁRIO SOARES !!! O PS vai votar contra a candidatura de Fernando Nobre para a presidência da Assembleia da República, por considerar que o fundador da AMI “não reúne as condições para o bom desempenho do cargo”.

O PS vai votar contra a candidatura de Fernando Nobre para a presidência da Assembleia da República, por considerar que o fundador da AMI “não reúne as condições para o bom desempenho do cargo”.
Nobre também não terá os votos do PS Nobre também não terá os votos do PS

A decisão foi tomada hoje à tarde na reunião do Secretariado Nacional do PS, que vai agora comunicar à bancada parlamentar socialista a indicação de voto contra a candidatura do cabeça de lista por Lisboa do PSD nas eleições legislativas do passado dia 5 de Junho ao cargo de presidente da Assembleia da República.

Em declarações aos jornalistas no final da reunião do órgão executivo do PS, Fernando Medina, porta-voz do partido, disse que “a confirmarem-se as indicações da candidatura por parte do PSD à presidência da Assembleia da República [de Fernando Nobre], o Secretariado Nacional do PS irá comunicar ao seu grupo parlamentar a indicação de voto desfavorável”.

“Consideramos que se trata de um candidato que não reúne as condições para um bom desempenho das funções de presidente da Assembleia da República, lugar de tão grande importância para o país, nomeadamente nas circunstâncias que atravessamos”, declarou ainda Fernando Medina.

Já quanto à questão do futuro líder da bancada parlamentar socialista, o porta-voz do PS adiantou que o Secretariado vai mandatar o presidente do PS, Almeida Santos, para propor “uma personalidade à bancada que seja do agrado dos dois candidatos” à liderança do partido, Francisco Assis e António José Seguro.

O líder cessante da bancada parlamentar do PS, Francisco Assis e membro do Secretariado Nacional, disse que está marcada para amanhã uma nova reunião na sede nacional do PS com o presidente do partido e com António José Seguro. Admite-se que da reunião saia um nome consensual para liderar interinamente a bancada parlamentar socialista. Posteriormente, o nome será depois votado pela bancada parlamentar.

ATENÇÃO !!! VEJAM O ECLIPSE BREVEMENTE NA RTP 1

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

O eclipse - brevemente numa Tv perto de si...



CARTA DE ABRAHAM LINCOLN AO PROFESSOR DO SEU FILHO

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado.
Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir a todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho.  Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar sozinho contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.
 Abraham Lincoln, 1830

Gatos esses felinos antigos

gatos, felinos antigos
independentes, guerreiros, amigos
patrulhadores dos telhados
astutos, e lutadores
unhas e dentes afiados
gatos de olhos luminosos
de pelos brilhantes e sedosos
são pequenos predadores
dorminhocos, brincalhões, charmosos
e de assanhar perigoso
gatos reis da altura
ter animais é um gozo
e gatos são uma ternura !


António Garrochinho

A HISTÓRIA DO TEATRO LETHES FARO ALGARVE


livro sobre o teatro Lethes

História do teatro Lethes

Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida).
Emblema do Teatro Lethes
O edifício que hoje se designa por Teatro Lethes começou por ser um colégio de Jesuítas - Colégio de Santiago Maior, fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas, «para ali ensinarem as letras, cuja licença lhes foi concedida por Carta d´El Rei D. Filippe datada em Madrid a 8 de Fevereiro de 1599,...».
Em 1759, confiscados os bens e banida do país e dos domínios ultramarinos a Companhia de Jesus, o Colégio de Santiago Maior encerrou as suas portas. Com a ocupação das tropas napoleónicas comandadas pelo General Junot, as instalações do antigo Colégio foram devassadas e profanadas para aí alojarem os seus soldados.
Anos mais tarde, em 1843, foi o Colégio arrematado em hasta pública pelo Dr. Lazaro Doglioni, médico italiano, de grande sensibilidade artística, que manifestara publicamente a sua intenção de construir em Faro um teatro à semelhança do S. Carlos de Lisboa.
As obras de restauro e adaptação da antiga igreja a teatro prolongaram-se até à primavera de 1845. No lugar do altar-mor ficava a "Sala Verde" do teatro e no coro da Igreja que se situava junto à frontaria, erigiu-se o respectivo palco. A sala do teatro Lethes possuía apenas a plateia e duas galerias de camarotes.
A inauguração do teatro efectuou-se a 4 de Abril de 1845, associando-se às comemorações do aniversário da Rainha D. Maria II.
Após a morte de Dr. Lázaro Doglioni os seus bens foram legados ao sobrinho Dr. Justino Cúmano, notável clínico, grande benemérito e protector das artes. A ele se ficou a dever a fama que o Teatro Lethes granjeou, não só no Algarve como em todo o país. Na década de 1860 ampliou as capacidades do teatro para 621 espectadores. Mandou construir uma caixa de ressonância abobadada, ampliou a plateia para 215 espectadores, aumentou de duas para quatro ordens de camarotes repartidas por 51 compartimentos com seis lugares cada e uma varanda com capacidade para 100 pessoas.
Para o bom funcionamento do teatro constituiu-se uma autêntica equipa, na qual se incluía a orquestra e vários outros elementos ligados aos bastidores do espaço cénico.
A 11 de Setembro de 1898 exibia-se pela primeira vez em Faro o chamado animatógrafo, tendo-se então instalado no Teatro Lethes por ser o mais amplo e distinto espaço cultural da cidade.
Em 1901 a sala foi encerrada e em 1906 iniciam-se obras de restauro, sob a orientação de João Coelho Pereira Matos e do pintor José Filipe Porfírio, concluindo-se os trabalhos a 21 de Abril de 1908. O teatro reabriu, possuindo uma acústica perfeita, confortável plateia, quatro ordens de camarotes, com varandins de ferro forjado, tectos pintados representando cenas de música e um pano de boca com magnífica paisagem bucólica, tudo da autoria de José Filipe Porfírio. A iluminação passou a ser feita por um sistema especial em acetileno.
O declínio dos espectáculos e consequentemente da sala começa em 1920, encerrando-se o teatro em 1925.
Em 1951 a família Cúmano vendeu o imóvel à Cruz Vermelha Portuguesa, em cuja posse ainda se mantém.
De 1972 a 1993 na Ala Sul do edifício funcionou a escola de música da Associação do Conservatório Regional do Algarve.
(Boletim Informativo "O Teatro Amador no Algarve" editado pela Delegação Regional do Sul da S.E.C. em 1987 - O TEATRO LETHES - Breve apontamento histórico por José Carlos Vilhena Mesquita)
A sala do Teatro Lethes encontra-se cedida por protocolo à Delegação Regional do Algarve do Ministério da Cultura e na Ala Norte restaurada e adaptada em 1991 funcionam os serviços regionais do Ministério da Cultura.
Nos anos de 1990 a 1993, a Delegação Regional da Cultura equipou a sala de espectáculos com um sistema de refrigeração e substituiu algum equipamento de palco e procedeu à substituição dos tecidos e alcatifas, bem como ao restauro das madeiras e ferragens.
O teatro esteve até final de 1998 com uma programação regular.
Detectada a necessidade de se proceder a uma consolidação estrutural em abóbadas de cobertura e paredes, no final desse ano, a Delegação Regional decidiu encerrar a sala de espectáculo.
Em Março de 1999 iniciaram-se os trabalhos de diagnóstico de "patologias" do edifício, cujos relatórios especializados possibilitaram a realização das obras de consolidação e restauro, concluídas em Maio de 2001


TEATRO LETHES - FARO

BREVE HISTÓRIA
Para os naturais de Faro, ou para aqueles que residem nesta cidade, o Teatro Lethes é um espaço sobejamente conhecido de todos, no entanto, para os que nunca visitaram a capital do Algarve, ou, para os que o fizeram de uma forma rápida e superficial, é provável que não tivessem tido o privilégio de visitar este magnífico edifício e de nele assistir a um qualquer espectáculo teatral ou musical e muito menos conhecer um pouco da sua história.
Tudo começou em 1599, quando em Faro foram restauradas umas casas antigas, que serviram para instalar um Colégio e uma Igreja da Companhia de Jesus, que permaneceu naquele local até 1773.
A partir de 1779 essas mesmas casas passaram a ser habitação dos Padres Marianos ou Carmelitas Descalços.
Mas, por volta do ano de 1804, numa terrível noite de tempestade, naufragou ao largo da costa algarvia um navio veneziano onde viajava um jovem médico de Veneza, de seu nome LÁZARO DOGLIONI, que se deslocava a Inglaterra para aprofundar os seus estudos.
Na sequência desse naufrágio, os sobreviventes foram entregues ao Cônsul de Veneza na cidade de Faro, e, durante a convalescença, o jovem Lázaro Doglioni tornou-se amigo de um dos mais ilustres habitantes da cidade (Guilherme B. Crispim), por cuja filha, Maria, se interessou, tanto mais que esta jovem era herdeira de uma das maiores fortunas do Reino.
Apesar da discordância da família da noiva, e depois de várias peripécias, o casamento foi consentido, pelo que, de um momento para o outro, Lázaro Doglioni  passou a dispor daquela enorme fortuna, o que lhe permitiu dedicar-se ao fomento das artes. Como era amante de música e de ópera, decidiu criar em Faro um teatro destinado a esse fim, de modo a poder rodear-se do ambiente boémio semelhante ao da sua terra natal (Veneza).
Assim, em 1843, adquiriu, em hasta pública, o referido edifício e de imediato deu início às obras de transformação e restauro, as quais duraram até 1845, ano em que o Teatro Lethes foi inaugurado.

LETHES é a designação de mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas, os reveses e as agruras da vida.

Tendo como modelos o Scala em Milão e o São Carlos em Lisboa, a capela passa a sala de espectáculos, para estranheza da população local que não esperaria tal transformação.

No entanto, o resultado final é encantador e Faro ganhou um teatro com um palco e uma plateia delicadamente trabalhados, com capacidade para quinhentos espectadores e com duas ordens de camarotes.

O seu promotor quis ainda deixar à vista de todos a máxima latina MONET OBLECTANDO, que significa: – "Instruir Divertindo", que mandou inscrever no frontão exterior do edifício.

O Teatro Lethes é uma autêntica jóia arquitectónica da cidade de Faro e uma relíquia que deve ser preservada e promovida com a arte que ali se representa


 

Teatro Lethes


Fachada do Teatro Lethes
O Teatro Lethes é um edifício notável, situado em Faro.Originalmente construído, em 1605, como Colégio de São Tiago Maior da Companhia de Jesus, foi fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas. Em 1759, confiscados os bens e banida do país e dos domínios ultramarinos a Companhia de Jesus, o Colégio de Santiago Maior encerrou as suas portas. Com as invasões francesas comandadas pelo General Junot, as instalações do antigo Colégio foram devassadas e profanadas para aí alojarem os seus soldados.
Em 1843 Lázaro Doglioni[1], médico italiano, de grande sensibilidade artística, que manifestara publicamente a sua intenção de construir em Faro um teatro à semelhança do Teatro de São Carlos, em Lisboa, adquire-o em hasta pública. Depois de remodelado, foi inaugurado a 4 de Abril de 1845, por ocasião do aniversário da Rainha D. Maria II. Foi-lhe dado o nome de Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida) como símbolo do apaziguamento desejado após a Guerra Civil que correspondeu às Lutas Liberais (1828-1834). A inscrição latina na fachada do edifício, "monet oblectando", poderá ser traduzida por "instruir, divertindo", salientando assim as preocupações culturais do promotor da construção desta sala de espectáculos.
Herdado pelo sobrinho de Lázaro Doglioni, o Dr. Justino Cúmano, notável clínico, grande benemérito e protector das artes, o edifício sofreu ampliações por volta de 1860, de forma a receber mais espectadores. Em virtude de ser um espaço amplo e distinto na cidade, em 11 de Setembro de 1898 funcionou nele o primeiro animatógrafo em Faro.
No início do séc. XX veio a sofrer novas remodelações tendo em vista melhorar as condições de espectáculo. Contudo, o declínio do espaço enquanto sala de espectáculos inicia-se na década de 20, culminado com o seu encerramento em 1925.
Em 1951 a família Cúmano vende o edifício à Cruz Vermelha Portuguesa, em cuja posse ainda se mantém.
Sucessivamente sujeito a obras de recuperação, o Teatro Lethes, sendo actualmente propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, é gerido, na sua vertente de sala de espectáculos, pela empresa municipal Teatro Municipal de Faro, EM.

HISTÓRIA DO TEATRO LETHES - ALGARVE - FARO






 

Livro sobre o teatro Lethes

 

HISTÓRIA DO TEATRO LETHES

Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida).
Emblema do Teatro Lethes
O edifício que hoje se designa por Teatro Lethes começou por ser um colégio de Jesuítas - Colégio de Santiago Maior, fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas, «para ali ensinarem as letras, cuja licença lhes foi concedida por Carta d´El Rei D. Filippe datada em Madrid a 8 de Fevereiro de 1599,...».
Em 1759, confiscados os bens e banida do país e dos domínios ultramarinos a Companhia de Jesus, o Colégio de Santiago Maior encerrou as suas portas. Com a ocupação das tropas napoleónicas comandadas pelo General Junot, as instalações do antigo Colégio foram devassadas e profanadas para aí alojarem os seus soldados.
Anos mais tarde, em 1843, foi o Colégio arrematado em hasta pública pelo Dr. Lazaro Doglioni, médico italiano, de grande sensibilidade artística, que manifestara publicamente a sua intenção de construir em Faro um teatro à semelhança do S. Carlos de Lisboa.
As obras de restauro e adaptação da antiga igreja a teatro prolongaram-se até à primavera de 1845. No lugar do altar-mor ficava a "Sala Verde" do teatro e no coro da Igreja que se situava junto à frontaria, erigiu-se o respectivo palco. A sala do teatro Lethes possuía apenas a plateia e duas galerias de camarotes.
A inauguração do teatro efectuou-se a 4 de Abril de 1845, associando-se às comemorações do aniversário da Rainha D. Maria II.
Após a morte de Dr. Lázaro Doglioni os seus bens foram legados ao sobrinho Dr. Justino Cúmano, notável clínico, grande benemérito e protector das artes. A ele se ficou a dever a fama que o Teatro Lethes granjeou, não só no Algarve como em todo o país. Na década de 1860 ampliou as capacidades do teatro para 621 espectadores. Mandou construir uma caixa de ressonância abobadada, ampliou a plateia para 215 espectadores, aumentou de duas para quatro ordens de camarotes repartidas por 51 compartimentos com seis lugares cada e uma varanda com capacidade para 100 pessoas.
Para o bom funcionamento do teatro constituiu-se uma autêntica equipa, na qual se incluía a orquestra e vários outros elementos ligados aos bastidores do espaço cénico.
A 11 de Setembro de 1898 exibia-se pela primeira vez em Faro o chamado animatógrafo, tendo-se então instalado no Teatro Lethes por ser o mais amplo e distinto espaço cultural da cidade.
Em 1901 a sala foi encerrada e em 1906 iniciam-se obras de restauro, sob a orientação de João Coelho Pereira Matos e do pintor José Filipe Porfírio, concluindo-se os trabalhos a 21 de Abril de 1908. O teatro reabriu, possuindo uma acústica perfeita, confortável plateia, quatro ordens de camarotes, com varandins de ferro forjado, tectos pintados representando cenas de música e um pano de boca com magnífica paisagem bucólica, tudo da autoria de José Filipe Porfírio. A iluminação passou a ser feita por um sistema especial em acetileno.
O declínio dos espectáculos e consequentemente da sala começa em 1920, encerrando-se o teatro em 1925.
Em 1951 a família Cúmano vendeu o imóvel à Cruz Vermelha Portuguesa, em cuja posse ainda se mantém.
De 1972 a 1993 na Ala Sul do edifício funcionou a escola de música da Associação do Conservatório Regional do Algarve.
(Boletim Informativo "O Teatro Amador no Algarve" editado pela Delegação Regional do Sul da S.E.C. em 1987 - O TEATRO LETHES - Breve apontamento histórico por José Carlos Vilhena Mesquita)
A sala do Teatro Lethes encontra-se cedida por protocolo à Delegação Regional do Algarve do Ministério da Cultura e na Ala Norte restaurada e adaptada em 1991 funcionam os serviços regionais do Ministério da Cultura.
Nos anos de 1990 a 1993, a Delegação Regional da Cultura equipou a sala de espectáculos com um sistema de refrigeração e substituiu algum equipamento de palco e procedeu à substituição dos tecidos e alcatifas, bem como ao restauro das madeiras e ferragens.
O teatro esteve até final de 1998 com uma programação regular.
Detectada a necessidade de se proceder a uma consolidação estrutural em abóbadas de cobertura e paredes, no final desse ano, a Delegação Regional decidiu encerrar a sala de espectáculo.
Em Março de 1999 iniciaram-se os trabalhos de diagnóstico de "patologias" do edifício, cujos relatórios especializados possibilitaram a realização das obras de consolidação e restauro, concluídas em Maio de 2001


TEATRO LETHES - FARO

BREVE HISTÓRIA
Para os naturais de Faro, ou para aqueles que residem nesta cidade, o Teatro Lethes é um espaço sobejamente conhecido de todos, no entanto, para os que nunca visitaram a capital do Algarve, ou, para os que o fizeram de uma forma rápida e superficial, é provável que não tivessem tido o privilégio de visitar este magnífico edifício e de nele assistir a um qualquer espectáculo teatral ou musical e muito menos conhecer um pouco da sua história.
Tudo começou em 1599, quando em Faro foram restauradas umas casas antigas, que serviram para instalar um Colégio e uma Igreja da Companhia de Jesus, que permaneceu naquele local até 1773.
A partir de 1779 essas mesmas casas passaram a ser habitação dos Padres Marianos ou Carmelitas Descalços.
Mas, por volta do ano de 1804, numa terrível noite de tempestade, naufragou ao largo da costa algarvia um navio veneziano onde viajava um jovem médico de Veneza, de seu nome LÁZARO DOGLIONI, que se deslocava a Inglaterra para aprofundar os seus estudos.
Na sequência desse naufrágio, os sobreviventes foram entregues ao Cônsul de Veneza na cidade de Faro, e, durante a convalescença, o jovem Lázaro Doglioni tornou-se amigo de um dos mais ilustres habitantes da cidade (Guilherme B. Crispim), por cuja filha, Maria, se interessou, tanto mais que esta jovem era herdeira de uma das maiores fortunas do Reino.
Apesar da discordância da família da noiva, e depois de várias peripécias, o casamento foi consentido, pelo que, de um momento para o outro, Lázaro Doglioni  passou a dispor daquela enorme fortuna, o que lhe permitiu dedicar-se ao fomento das artes. Como era amante de música e de ópera, decidiu criar em Faro um teatro destinado a esse fim, de modo a poder rodear-se do ambiente boémio semelhante ao da sua terra natal (Veneza).
Assim, em 1843, adquiriu, em hasta pública, o referido edifício e de imediato deu início às obras de transformação e restauro, as quais duraram até 1845, ano em que o Teatro Lethes foi inaugurado.

LETHES é a designação de mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas, os reveses e as agruras da vida.

Tendo como modelos o Scala em Milão e o São Carlos em Lisboa, a capela passa a sala de espectáculos, para estranheza da população local que não esperaria tal transformação.

No entanto, o resultado final é encantador e Faro ganhou um teatro com um palco e uma plateia delicadamente trabalhados, com capacidade para quinhentos espectadores e com duas ordens de camarotes.

O seu promotor quis ainda deixar à vista de todos a máxima latina MONET OBLECTANDO, que significa: – "Instruir Divertindo", que mandou inscrever no frontão exterior do edifício.

O Teatro Lethes é uma autêntica jóia arquitectónica da cidade de Faro e uma relíquia que deve ser preservada e promovida com a arte que ali se representa


 

Teatro Lethes


Fachada do Teatro Lethes
O Teatro Lethes é um edifício notável, situado em Faro.Originalmente construído, em 1605, como Colégio de São Tiago Maior da Companhia de Jesus, foi fundado pelo então Bispo do Algarve D. Fernando Martins Mascarenhas. Em 1759, confiscados os bens e banida do país e dos domínios ultramarinos a Companhia de Jesus, o Colégio de Santiago Maior encerrou as suas portas. Com as invasões francesas comandadas pelo General Junot, as instalações do antigo Colégio foram devassadas e profanadas para aí alojarem os seus soldados.
Em 1843 Lázaro Doglioni[1], médico italiano, de grande sensibilidade artística, que manifestara publicamente a sua intenção de construir em Faro um teatro à semelhança do Teatro de São Carlos, em Lisboa, adquire-o em hasta pública. Depois de remodelado, foi inaugurado a 4 de Abril de 1845, por ocasião do aniversário da Rainha D. Maria II. Foi-lhe dado o nome de Lethes (designação de um mítico rio, cujas águas tinham o poder mágico de apagar da lembrança das almas os reveses e as agruras da vida) como símbolo do apaziguamento desejado após a Guerra Civil que correspondeu às Lutas Liberais (1828-1834). A inscrição latina na fachada do edifício, "monet oblectando", poderá ser traduzida por "instruir, divertindo", salientando assim as preocupações culturais do promotor da construção desta sala de espectáculos.
Herdado pelo sobrinho de Lázaro Doglioni, o Dr. Justino Cúmano, notável clínico, grande benemérito e protector das artes, o edifício sofreu ampliações por volta de 1860, de forma a receber mais espectadores. Em virtude de ser um espaço amplo e distinto na cidade, em 11 de Setembro de 1898 funcionou nele o primeiro animatógrafo em Faro.
No início do séc. XX veio a sofrer novas remodelações tendo em vista melhorar as condições de espectáculo. Contudo, o declínio do espaço enquanto sala de espectáculos inicia-se na década de 20, culminado com o seu encerramento em 1925.
Em 1951 a família Cúmano vende o edifício à Cruz Vermelha Portuguesa, em cuja posse ainda se mantém.
Sucessivamente sujeito a obras de recuperação, o Teatro Lethes, sendo actualmente propriedade da Cruz Vermelha Portuguesa, é gerido, na sua vertente de sala de espectáculos, pela empresa municipal Teatro Municipal de Faro, EM.

PARA QUEM ESTIVER INTERESSADO - ESTÁDIO DE FUTEBOL MOVEL

  PARA QUEM ESTIVER INTERESSADO - ESTÁDIO DE FUTEBOL MOVEL

"A ideia de base deste estádio é que, em vez de ser construído num local para ali ficar por décadas, com encargos financeiros brutais  é uma mega-estrutura flutuante que pode ser transportada de país para país, de acordo com a calendarização dos eventos desportivos.
É montada para estar a funcionar durante a competição, e o país organizador paga uma renda por isso e, findo o evento, é desmontado e levado por navio para outro local onde possa vir a ser preciso.
Pode levar até 65 mil pessoas e oferece todas as condições de conforto e segurança que qualquer outro estádio convencional. além de que ele próprio, pelas suas características, se tornaria numa atração turística."

CARTA A UM PEIXINHO DESCONHECIDO

É pouco nítida a imagem que tenho de ti
Conheco-a clara e bela enamorada de ti
Precisou de um amante
E tu dás-lho galante
Mas de coracao aberto
Sei como uma flor te idolatra
E sei que o teu silêncio a mata
Sei que tudo isto é certo
És o oásis do deserto
Mais do que isto eu nao sei dizer
Antes do benefício de te conhecer.
CFlor



http://www.ziolkowskigregor.de/
Novo Governo com 11 ministros
16 de Junho, 2011
Pedro Passos Coelho deverá chefiar um Governo com 11 ministros. De acordo com a imprensa de hoje, o CDS-PP deverá ficar com três pastas, sendo a das Finanças entregue a um independente. O Diário de Notícias avança que a lista dos membros do novo Executivo ficará definida até sábado, sendo que o CDS-PP deverá ficar com pelo menos três ministros e seis secretários de Estado.
O Correio da Manhã acrescenta que Passos Coelho se recusou a entregar o Ministério das Finanças aos centristas. O CDS-PP deverá ficar, segundo o diário, com os Negócios Estrangeiros, a Agricultura e eventualmente a Educação ou uma pasta na área da Acção Social.
O jornal também refere a preferência do líder do PSD por Vítor Bento para suceder a Teixeira dos Santos, e avança com o de Eduardo Catroga para a pasta da Economia.
Contudo, o Diário Económico refere que Eduardo Catroga é o preferido de Passos para a pasta das Finanças. O jornal diz que Passos e Catroga passaram a tarde de ontem a falar, mas a SIC Notícias diz que Passos esteve de noite em casa do economista Vitor Bento – depois de ter dito ao Financial Times que o Ministério das Finanças será dirigido por um independente.
Na sua edição de hoje, o i refere precisamente a lista de 'ministeriáveis' para aquela que será a principal pasta governamental, onde Catroga está incluído, mas a primeira página avança com outra hipótese: Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, que também encaixa no perfil ontem traçado por Passos.
O PSD e o CDS-PP assinam hoje o acordo político e programático visando uma coligação de Governo para os próximos quatro anos, com maioria absoluta no Parlamento, oito dias depois do arranque das negociações.
O acordo será assinado pelo presidente dos sociais-democratas, Pedro Passos Coelho, e pelo líder do CDS-PP, Paulo Portas, numa cerimónia agendada para as 11h, num hotel de Lisboa.
Pedro Passos Coelho comunicou na terça-feira ao Presidente da República que o seu partido e os democratas-cristãos dispunham de «uma solução maioritária de Governo» e, no dia seguinte, foi indigitado primeiro-ministro por Cavaco Silva, depois de o chefe de Estado ter ouvido todos os partidos com assento parlamentar.
SOL com Lusa

Rio de Janeiro - Passeio de helicópetro

 
Rio de Janeiro
Passeio de helicóptero


Um lindo passeio de helicóptero sobre o Rio de Janeiro,
começando na Barra da Tijuca, toda a orla da Zona Sul,
Aterro do Flamengo, Castelo, Maracanã e finalmente o "Engenhão".
Um colírio para os olhos.
 
Basta clicar na imagem e sentir-se sobrevoando o Rio de Janeiro...

X_Rio_de_Janeiro.jpg
 
O
 

ENTRUDO DE SANGUE

Parei na montra do mini-mercado
juntei-me á criança encantada
os meus olhos descobriram
as máscaras, as serpentinas
pistolas de água, confetis, bigodes
coisa variada
varinhas mágicas, coroas
despropositadas narinas
caras medonhas, monstros
ferida não cicatrizada
martelos, apitos, bichos
e imitações de consola meninas
réplicas de rostos de certos figurões
fantochada
colarinhos de padre, boinas militares
hábitos de freiras beniditinas

perguntei ao menino
onde está o Bush, o Blair, o Durão ?
fugiram da montra ! disse o menino
apontando a cara de um assassino
e continuou olhando aquela passarel de ilusão

António Garrochinho

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011


MAGISTRADOS DA TANGA

Togas da tanga
por FERREIRA FERNANDES


O Centro de Estudos Judiciários (CEJ) fez um exame a 137 candidatos a juízes e procuradores do Ministério Público. Isto é, examinou gente que no futuro vai investigar para que se faça justiça e gente que vai fazer justiça. Os examinadores do CEJ consideraram que "a esmagadora maioria dos testes tinha muitas respostas parecidas ou mesmo iguais". Copianço generalizado, pois. Ou quase generalizado, já que talvez tenha havido quem não tenha aceitado a trafulhice. Perante a impossibilidade da destrinça - entre os aldrabões e os outros -, o CEJ decidiu-se pela justiça salomónica: pegou na espada e rachou ao meio os 20 valores máximos do exame: deu nota 10 a todos (como a média costuma ser 13 ou 14, o 10 serviu de sanção). E foi assim que de pequenino se não torceu o pepino destes futuros magistrados. Dificilmente se podia ter encontrado solução mais injusta: os trafulhas, que deviam ter tido 0 (e convidados a ir vender cautelas premiadas aos donos de fortunas ilícitas), tiveram 10; os alunos dignos, que deviam ter tido a sua verdadeira nota, tiveram a nota do arranjinho; e o CEJ, que não soube prever o problema, não foi obrigado a fazer novo exame. Ah, já me esquecia: o teste era sobre Investigação Criminal! Depois admirem-se que os filhos destes exames, não sabendo investigar, se safem fornecendo a jornalistas, rafeiros como eles, fugas ao segredo de Justiça. São fugas nota 10.

Quinta-feira, 16 de Junho de 2011

ALUNOS QUE COPIARAM DEVIAM SER "EXCLUÍDOS" DA PROFISSÃO

O bastonário da Ordem dos Advogados (OA), Marinho Pinto, defendeu hoje que os formandos do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) que utilizaram "métodos fraudulentos" para ficarem aprovados no curso para magistrados deviam ser "excluídos" da profissão.

Em declarações à Agência Lusa sobre o caso do copianço generalizado num teste do curso de auditores de Justiça do CEJ, António Marinho Pinto salientou que as pessoas que "utilizam métodos fraudulentos para acederem à magistratura não serão seguramente magistrados honestos". "Isto é, de facto, um dos pontos mais graves da nossa Justiça", disse o bastonário dos advogados, observando que a estes formandos apanhados a copiar "falece-lhes a legitimidade moral para poderem ser magistrados" e julgarem e condenarem outros cidadãos. Quanto à medida da direcção do CEJ de anular o teste, mas atribuir nota positiva (10 valores) a todos os futuros magistrados do curso, Marinho Pinto considerou que se tratou mais de "uma decisão para salvar a face do que para castigar os elementos prevaricadores". "Quando se começa a prevaricar nos primeiros passos da carreira, imagine-se o que eles farão quando forem magistrados", com os poderes inerentes à profissão, comentou o bastonário, notando que quando estes auditores de Justiça começam "logo com fraudes" é "de esperar e temer o pior" no futuro.
Marinho Pinto lembrou que estas "fraudes" no curso para magistrados não são inéditas, pois em 2008 houve também a anulação de uma prova porque se descobriu que o filho de um magistrado que frequentava o CEJ teve conhecimento antecipado das perguntas do teste. Tudo somado, o bastonário da OA conclui que isto revela que "as grandes reformas da Justiça em Portugal tem de começar pelo recrutamento de magistrados".

Um copianço generalizado num teste do curso de auditores do CEJ levou à anulação do teste, mas a direcção decidiu atribuir nota positiva (10) a todos os futuros magistrados. Num despacho datado de 01 de Junho e assinado pela directora do CEJ, a desembargadora Ana Luísa Geraldes, a que a agência Lusa teve acesso, é referido que na correcção do teste de Investigação Criminal e Gestão do Inquérito (ICGI) "verificou-se a existência de respostas coincidentes em vários grupos" de alunos da mesma sala. O documento indica que, em alguns grupos, "a esmagadora maioria dos testes" tinha "muitas respostas parecidas ou mesmo iguais", constatando-se que todos os alunos erraram em certas questões.
No despacho é dito que as perguntas erradas nem eram as mais difíceis do teste, tendo-se verificado também o inverso: numa das questões mais difíceis ninguém falhou. Realça ainda que há pessoas sentadas umas ao lado das outras que têm "testes exactamente iguais, repetindo entre elas os erros que fizeram". Perante o copianço da turma, a direcção do CEJ decidiu, em reunião, "anular o teste em causa, atribuindo a todos a classificação final de 10 valores" naquela cadeira da área criminal. A principal missão do CEJ é a formação de magistrados, competindo-lhe assegurar a formação inicial e contínua de magistrados judiciais e do Ministério Público para os tribunais judiciais e para os tribunais administrativos e fiscais.