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terça-feira, 14 de junho de 2011

CARTA DO NOVO DIRECTOR DO JN A HONÓRIO NOVO - A TRÓIKA NO TRUCA TRUCA !!!

Exmº. Sr. Dr. Honório Novo
Rua ....

Porto, 7 de Junho de 2011

Caro Honório Novo,

O “Jornal de Notícias” inicia uma nova etapa da sua longa e memorável existência com novos objectivos e novas âncoras conforme “o nosso compromisso”, publicado no dia do 123º aniversário do nosso jornal.
O JN necessita de voltar a ter um grande foco nas razões de proximidade que fizeram dele mais que um jornal, o sítio onde as pessoas encontravam refúgio e ganhavam voz para os grandes desafios e trabalheiras do quotidiano.
Uma das tarefas que a Direcção editorial, e eu próprio, temos, desde já, pela frente é a de aconchegar a opinião que é publicada pelo JN a estas razões de proximidade, pelo que vamos reduzir drasticamente as colunas de opinião produzidas no exterior do ambiente das nossas Redacções do Porto e Lisboa e em contrapartida fazer crescer as análises dos nossos jornalistas a propósito dos temas e assuntos noticiados.
Reconheço que perder a opinião do meu Caro Honório Novo é seguramente um risco inerente à qualidade do pensamento e da escrita que assina e muito tem honrado o JN, mas há uma nova aposta que vale a pena ser vivida em nome de um jornalismo e de um jornal mais próximo das nossas gentes sem deixar de olhar todos os horizontes.
Caro Honório Novo, a interrupção da nossa parceria não significa que o JN deixe de ouvir as suas opiniões a propósito dos vários temas e assuntos da vida real que continuaremos a noticiar e a tentar aprofundar na busca de todas as explicações e também das boas causas.
E porque esta não é uma despedida, gostaria que continuasse a considerar o JN como a sua casa e que sempre que lhe aprouvesse abrisse a porta e me viesse visitar. Sem ter de se anunciar, que é o modo de receber os amigos

SERÁ QUE SÃO SANGUESSUGAS?


Nos tempos que correm, com o aumento do desemprego, da fome e da miséria e uma, cada vez mais, situação de precariedade,vamos vendo o  nosso sangue a esvair-se, muito provavelmente, pelo cano de esgoto.
Hoje, Dia Mundial do Dador de Sangue, ficámos a saber que a solidariedade, o altruísmo e acompreensão pelo País que temos, em boa parte, cerca de metade é jogada fora. Enquanto os governantes, quando em viagem, levam vários litros de sangue que os portugueses generosamente dão, quando o cidadão comum precisa de uma transfusão tem que pagar, e de que maneira, para ter direito a alguma porção.
O próprio presidente do Instituto Português do Sangue sente-se revoltado por saber que se joga sangue fora e depois gasta-se 70 milhões de euros para adquirir o plasma.
Se dar sangue é um acto de generosidade, de solidariedade, não será legítimo que o cidadão doador exija saber em que condições é que o seu sangue é aproveitado e, impor mesmo, condições para a sua doação?

Olhão Livre

Participação sim, mas com respeitinho...

Terça-feira, 14 de Junho de 2011


Por falta de disponibilidade, não tenho aqui escrito sobre as manifestações no Rossio do movimento Democracia Verdeira Já e das reacções que as mesmas têm gerado. Confesso-me estupefacto por ver tanta direita dita arejada mas também diversos sectores da esquerda a escarnecer tão abertamente o que ali se tem passado. Vi comentários a dizer que se tratavam de meninos que deviam era estar em casa a jogar playstation. Vi gente a chamar de inúteis e porcalhotos quem por lá se fixou. Vi até gente a esboçar um sorriso com a intervenção policial que se verificou no dia anterior às eleições.


Não querendo simplificar em demasia, apenas digo que é hoje um lugar comum dizer-se que os jovens não participam, que os jovens não se importam, que os jovens não querem saber. Muitas vezes tal é feito recordando com respeito o activismo da geração de Abril, da geração que combateu a ditadura, da geração que fez o Maio de 68. Curiosamente, são também muitas as figuras que, encaixando-se neste perfil de pensamento, são os primeiros a desvalorizar quem decidiu acampar no Rossio pedindo (vejam só que tolice…) “mais democracia”. Que horror… Como se atrevem a ocupar pacificamente e sujar uma praça para pedir tal disparate?

Podemos simpatizar mais ou menos com determinadas formas de participação política. Podemos considerar que a democracia deve ser mais participativa ou que deve ser sobretudo canalizada para os modelos de participação institucionais (voto, participação em partidos, etc). Podemos querer tomar parte na discussão pública ou querer assumir um papel menos activo. Qualquer opção acima é legítima. Mas daí a escamotear e denegrir algo totalmente pacífico, com contornos genuínos em torno do ideal da democracia, revela uma incómoda pequenez.
Activismo de sofá

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

Fernando Nobre – As galinhas que se ponham a pau...


A poucas horas de se saber qual a composição do novo Conselho de Administração que irá cuidar, em Portugal, dos negócios e interesses dos bancos e especuladores internacionais, representados pela “troika”, os habituais “mentideros” fervem de atividade.
Há de tudo nos muitos “diz-se” do costume. Desde o regresso do esquecido Fernando Nogueira, ministro de Cavaco, desde a possível confirmação do também ministro de Cavaco, o incontinente Catroga, até à possibilidade de um trânsfuga do governo de Guterres reocupar a Economia... tudo é possível.
Na verdade, a “notícia” que me tem em suspenso é a possibilidade de Fernando Nobre, barrado pelo CDS para segunda figura do Estado, na Assembleia da República, vir, em alternativa, a ocupar toda a área da Segurança Social e da Saúde, transformando-se assim como que numa espécie de Super-Ministro”.
Quem anda num perfeito estado de terror com este zum-zum são as galinhas... sobretudo as que têm a mania de fugir com pedaços de pão no bico. Que galinha é que consegue escapar a um “Super-Ministro”... ainda por cima quando este já demonstrou ser um verdadeiro especialista em galinhas, especialmente as que têm a mania fugir com pedaços de pão no bico?
Seja como for, se tudo o resto falhar, Belmiro de Azevedo, o apoiante número um de Pedro Passos Coelho, pode sempre arranjar-lhe um lugar de gerente num “Supermercado”. Lá que não é a mesma coisa… não é...  mas sempre é Super.

flor da vida

não morra a flor
não seque o amor
profundo
na mulher
no mundo
tenha sede o mundo
da mulher
calor
e que o amor inunde
todo o peito em flor
que não seque o colo
da mulher
fecundo

António Garrochinho

Vamos tirar "day off", vamos banalizar o amor, vamos sair pelas ruas dizendo que o mundo é nosso

Vamos tirar "day off", vamos banalizar o amor, vamos sair pelas ruas dizendo que o mundo é nosso. Vamos fazer planos para o futuro e que se lixe se vai ou não acontencer. Vamos brindar com os nossos amigos. Vamos decepcionar os outros, os que só pensam no dinheiro, o mundo não será melhor assim?  Há algo de errado em ser assim ! onde estão as pessoas verdadeiras? Elas existem? Porra ! que mundo é este ? Estou no lugar certo?
Venham daí ! seja benvindo, quem vier por bem !

António Garrochinho

OS MALTESES DA PONTE DA MARATECA - CANÇÃO DO MALTÊS POR MANUEL DA FONSECA - LENDA DA MARATECA - UM POUCO DE HISTÓRIA


OS MALTESES 

..
OS MALTESES PERCORRIAM O
ALENTEJO DOURADO, SEMPRE
PROCURANDO ONDE COMER E
DORMIR
.

.
"Maltêz significa natural da ilha de Malta,
ou cavaleiro da Ordem de Malta.
Contudo em Portugal, sobretudo no Alentejo,
não se sabe bem porquê, atribuiu-se o nome
de maltês, a mendigos de passagem, índividuos
mal encarados, "homens desprezíveis". A pala-
vra maltês, é quase sempre empregada com sen-
tido prejurativo"

.
As condições de vida no Alentejo, por meados do sec XX, eram muito penosas, e o número de pessoas sem trabalho fixo, ou mesmo, sem nenhum trabalho, era muito elevado, sendo a única possibilidade de sobrevivência, a esmola.
Parte desses homens que andavam de Vila em Vila, de aldeia em aldeia, e até de Monte em Monte, eram denominados malteses.
Ao contário dos ciganos, que chegavam a permanecer num sítio, por vezes, uma semana; os malteses, esses, nunca dormiam no mesmo sítio mais que uma noite, circulando sempre, entre os locais onde sabiam ter certa uma esmola, quase sempre em alimentos, como sopas de pão aletejano , migas, etc, etc.
Na região Castro-Almodôvar, os malteses circulavam, por exemplo, entre o Pereiro, o Barrigão, Monte-Gordo (ao pé do Rosário), Várzea da Fôrca, São Marcos da Ataboeira, Torre Vã, Do Testa, etc. etc-
No Do Testa, os senhores de terras da Casa Grande, instituíram mesmo, aquilo a que chamavam a Casa da Malta, ou Casa dos Pobres, onde diàriamente permitiam que os malteses pernoitassem, fornecendo sacos que estes enchiam de palha apanhada na eira, no monturo, e também lhes davam o jantar:
.
"Olhem lá, vâo ali para o pé
da casa, quando soar a corneta,
venham, que têm uma sopa que
lhes damos
"
.
diziam os da Casa Grande aos malteses que iam chegando dos caminhos.
O Tio João Guerreiro, maltês de São Marcos da Ataboeira, que andava sempre com uma concertina, por vezes, ficava mais de um noite, animando os serões com as suas modas e as suas estórias e ditos.
Os senhores de terras tinham vantagens em ajudar os malteses, pois, estes. eram gente pacata que não roubava, aceitando de boamente o que "generosamente" lhes ofereciam, e até defendiam a propriedade com a sua presença.
Um dos principais protectores dos malteses, (além do já falado, Senhor da Do Testa) era o José Nobre da Torre Vã. Era tal o Poder do fazendeiro que, todo o maltez que se acoitasse na Torre Vã, sentia-se protegido até da própria GNR, e dizia-se, que quem não queria ir à tropa, ia trabalhar para as terras da Torre Vã.
Alguns dos malteses passavam frequentemente no Monte da Ribeira. O Blé Careto, que era de Almodôvar, chegava a fazer pequenos serviços, como arranjar paredes, muros, "porteiras" e outros trabalhos.
.
"Oh Tia Felicidade, hoje venho cá
almoçar, arranjei ali uma parede
...."
.
Mas para ser maltês, havia que adquirir alguns conhecimentos básicos, como contava o Tio Abílio, no dizer do Zé Batista;
.
"Havia como que um verdadeiro curso de maltês. Era
tirado na Marateca, e lá os "candidatos", aprendiam
a jogar o pau, e fazer migas, atiçando uma fogueira
debaixo da Ponte. Diz a lenda, que eles só estavam
preparados, quando atiravam ao ar as migas, e as
apanhavam, correndo com a frigideira para o outro
lado da Ponte
"
.

Não havia momento em que eu me sentisse mais desamparado do que quando, na escola, me perguntavam o que é que o meu pai fazia. Tinha a vaga ideia de que ele vivia algures em França, mas sobre a coisa sólida e definitiva que a profissão do pai representa para a imaginação infantil eu não sabia nada.

foto retirada da net por António Garrochinho


O que é que faz o teu pai?"
Não havia momento em que eu me sentisse mais desamparado do que quando, na escola, me perguntavam o que é que o meu pai fazia. Tinha a vaga ideia de que ele vivia algures em França, mas sobre a coisa sólida e definitiva que a profissão do pai representa para a imaginação infantil eu não sabia nada. A pergunta “O que é que faz o teu pai?” não admite tergiversações, excessos de ficção. Desde os meus oito anos peguei nos cacos da realidade e tentei juntá-los num vaso coerente e credível, que não suscitasse muitas questões ou acusações de falsidade. Futebolista foi, naturalmente, a primeira opção. O meu pai tinha jogado futebol, mas um futebolista era, e ainda é, uma entidade mítica, semi-divina, que atiçava curiosidades e a vontade de saber pormenores. Em que clube jogava, a que posição, e isso obrigava-me a uma mentira elaborada, demasiado técnica, que eu não pretendia. Lembrei-me então de que, entre os vestígios que sobravam da existência do meu pai, havia um cartão de funcionário da Quimigal. A partir daí, era assim que o identificava: “funcionário da Quimigal”, uma actividade suficientemente desinteressante para desmotivar extensos questionários de colegas. Mais tarde, quando a cortina de névoa sobre a vida do meu pai se desfez um pouco, a quem me perguntava eu respondia que era militar, resposta um tanto vaga, com uma aura de mistério e romantismo, que exercia grande fascínio sobre os meus amigos e igualmente sobre mim, ao mesmo tempo narrador e ouvinte da história que conhecia quase tão mal quanto eles. Às vezes, depois da euforia da ficção, de exageros, de me perder na história que inventara, sentia-me triste, imaterial, evanescente, como se o meu pai não fosse real, como se eu não fosse real, como se nenhum de nós existisse. Talvez por tudo isto, eu invejava o Sérgio, rapaz tímido, desajeitado, aluno medíocre, mas cujo pai era maquinista da CP. Ser maquinista da CP era algo real, compreensível, verdadeiro. Não admitia dúvidas, nem questões. Era uma profissão límpida de que ele se orgulhava. Quando dizia que o pai era maquinista da CP, o acanhamento habitual evaporava-se, brilhavam-lhe os olhos, como quem exibe perante colegas pobres um objecto valioso. Nesses momentos, as minhas ficções pareciam-me absurdas, caía num desamparo profundo, sem um galho de realidade ao qual me agarrar. O meu pai nunca seria uma presença real, um pai que não tivesse de ser inventado. Seria sempre uma mentira. O outro, o maquinista da CP, era a verdade, o pai que acontece a um filho todos os dias.
 Bruno Vieira Amaral
Circo da lama

Depois das presidências abertas dos seus antecessores e dos roteiros eleitoralistas do primeiro mandato Cavaco Silva vai criar as presidências rurais

  
A mentira do dia d'O Jumento
 
  
Depois das presidências abertas dos seus antecessores e dos roteiros eleitoralistas do primeiro mandato Cavaco Silva vai criar as presidências rurais, recordando os conselhos de ministros de Santana Lopes e a mudança de António Costa para o Intendente o Presidente da República vai criar as Presidências Rurais. O Palácio de Belém vai circular pelos meios rurais instalando-se em quintas abandonadas. Teremos a Presidência do Eucalipto, a Presidência das Estufas de Odemira, a Presidência do Açúcar de Beterraba de Coruche e outras presidências que recordarão aos portugueses que em matéria de apoios à à agricultura e meios rurais não houve outro como Cavaco.

Jumento do dia

CAFÉ DE LUIS FIGO EM VILAMOURA, FECHADO PELA ASAE

Paulo China gerente
                                          Luis Figo proprietário



A cozinha do Sete café, propriedade de Luís Figo, na marina de Vilamoura foi fechada pela ASAE.

De acordo com esta entidade, o espaço de restauração vai ficar fechado até posteriores inspecções.

Os clientes que se deslocaram a este espaço tiveram apenas direito a bebidas, revela o “Correio da Manhã”.

De acordo com o sócio-gerente do café, Paulo China, tratou-se de “uma visita de rotina e os inspectores determinaram a realização de pequenos ajustamentos”. Segundo o mesmo, estes ajustamentos estão a ser realizados e “esperamos que tudo volte à normalidade num curto espaço de tempo”. 
14 DE JUNHO 2011

BERLUSCONI PERDEU EM 4 REFERENDOS !



Os italianos votaram mais de 95,7% pela água pública,
 96,1% contra o aumento das tarifas,
94,6% contra a energia nuclear, 95% pela revogação da lei de imunidade a Berlusconi e demais membros governo. Quatro referendos, quatro vitórias populares.
Como participaram mais de 57%, os referendos são vinculativos.
Quem defendeu a abstenção? Berlusconi!

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

Mário Soares – Um português sem filtro...


(Imagem do jornal “A Bola”)

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

Mário Soares – Um português sem filtro...


(Imagem do jornal “A Bola”)

Um dos encantos das crianças é a ausência de filtros nas suas conversas e brincadeiras, ainda virgens que estão da tirania das convenções e normas de conduta. Na idade adulta essa ausência de filtros raramente tem graça e apenas é justificada nalguns milhares de cidadãos... mas todos com excelentes explicações do foro clínico. Não é o caso de Mário Soares! Esse está a perder toda a capacidade de filtrar aquilo que diz, como resultado da degradação irremediável do filtro principal de todo o sistema, que no caso dele, sempre funcionou de forma deficiente: a vergonha.
Como complemento ao longo rol de “semvergonhice” com que nos tem brindado ao longo da longa vida, há dias vimos Soares numa peça televisiva, na companhia do seu dileto amigo Frank Carlucci, os dois entrevistados por um Mário Crespo baboso e rindo alarvemente de satisfação por estar a entrevistar ao mesmo tempo o fundador do PS e o seu parceiro da CIA, cúmplice e financiador da traição ao 25 de Abril.
Questionado sobre os seus encontros semanais com Carlucci durante o “verão quente”, na Embaixada dos EUA, Soares carregou mesmo nas tintas, dizendo que a coisa chegou a ser «várias vezes por semana», acrescentando, como uma nota ilustrativa do carácter muito “dado”, aberto e popular do agente da CIA, o facto de este, nessa época, «até jogar ao ténis com o Otelo» (com que finalidade seria?!)
Agora, há apenas dois dias, inaugurou a rubrica “QI”, uma colaboração entre o jornal “i” e o canal de televisão por cabo “Q”. Foi entrevistado pelo diretor do canal (e das Produções Fictícias), Nuno Artur Silva e pela diretora do jornal, Ana Sá Lopes. Podem ler a entrevista aqui, embora esteja muito resumida, em relação à versão falada da televisão.
Num dia mais pachorrento teria ouvido a entrevista na íntegra; não sendo o caso, fui ouvindo excertos, entre zappings. As “pérolas” foram várias... mas destaco apenas três, citando mais ou menos de memória:
Discorria Soares sobre que, o mal da Europa e de Portugal é terem chegado ao poder aqueles que se inscreveram nas “juventudes” partidárias e vieram para a política para enriquecer e não pelo sentido de serviço público.
- E o senhor, ao longo da sua carreira, sobretudo quando estava no poder, era capaz de, apenas numa conversa, distinguir uns dos outros?
- Sabe, o que acontece é que no meu tempo não havia disto... os grandes políticos, no meu tempo, eram todos honestos...
(Espantosa, esta facilidade com que Soares esqueceu tanta, tanta gente, como por exemplo o seu grande amigo do PS italiano, Bettino Craxi, ou os seus amigos e companheiros de Macau, ou...)
- Sabe... a História da nossa democracia divide-se em vários momentos. Houve a “Revolução dos Cravos”, de que continuo um grande adepto (confesso que “adepto”, nunca tinha ouvido) e depois veio logo aquele período muito conturbado... sabe... se o secretário geral do PCP fosse o Santiago Carrillo (do PC espanhol), em vez do Álvaro Cunhal... não tinha havido todo aquele “problema”...
(Acredito bem que não! Acho mesmo que hoje nem sequer existiria o próprio PCP, que toda a gente sabe que é um grande “problema”)
- O senhor, apesar de agnóstico, ficou conhecido por, nessa época, ter feito vários acordos com a Igreja Católica...
- Acordos não! Eu conspirei ativamente com a Igreja e com o D. António Ribeiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Se o D. António não tivesse dado instruções aos sacerdotes para dizerem nas missas que era conveniente os cristãos comparecerem na nossa manifestação da Fonte Luminosa, nunca teria sido possível juntar uma multidão tão impressionante, que fez cair... ou melhor, inverter o rumo dos acontecimentos no nosso país...
E agora digo eu: Fantástico, não é? Como vimos no princípio deste texto, as crianças e os doidos têm as “desculpas” que já conhecemos; qual será a desculpa deste figurão?

Como complemento ao longo rol de “semvergonhice” com que nos tem brindado ao longo da longa vida, há dias vimos Soares numa peça televisiva, na companhia do seu dileto amigo Frank Carlucci, os dois entrevistados por um Mário Crespo baboso e rindo alarvemente de satisfação por estar a entrevistar ao mesmo tempo o fundador do PS e o seu parceiro da CIA, cúmplice e financiador da traição ao 25 de Abril.
Questionado sobre os seus encontros semanais com Carlucci durante o “verão quente”, na Embaixada dos EUA, Soares carregou mesmo nas tintas, dizendo que a coisa chegou a ser «várias vezes por semana», acrescentando, como uma nota ilustrativa do carácter muito “dado”, aberto e popular do agente da CIA, o facto de este, nessa época, «até jogar ao ténis com o Otelo» (com que finalidade seria?!)
Agora, há apenas dois dias, inaugurou a rubrica “QI”, uma colaboração entre o jornal “i” e o canal de televisão por cabo “Q”. Foi entrevistado pelo diretor do canal (e das Produções Fictícias), Nuno Artur Silva e pela diretora do jornal, Ana Sá Lopes. Podem ler a entrevista aqui, embora esteja muito resumida, em relação à versão falada da televisão.
Num dia mais pachorrento teria ouvido a entrevista na íntegra; não sendo o caso, fui ouvindo excertos, entre zappings. As “pérolas” foram várias... mas destaco apenas três, citando mais ou menos de memória:
Discorria Soares sobre que, o mal da Europa e de Portugal é terem chegado ao poder aqueles que se inscreveram nas “juventudes” partidárias e vieram para a política para enriquecer e não pelo sentido de serviço público.
- E o senhor, ao longo da sua carreira, sobretudo quando estava no poder, era capaz de, apenas numa conversa, distinguir uns dos outros?
- Sabe, o que acontece é que no meu tempo não havia disto... os grandes políticos, no meu tempo, eram todos honestos...
(Espantosa, esta facilidade com que Soares esqueceu tanta, tanta gente, como por exemplo o seu grande amigo do PS italiano, Bettino Craxi, ou os seus amigos e companheiros de Macau, ou...)
- Sabe... a História da nossa democracia divide-se em vários momentos. Houve a “Revolução dos Cravos”, de que continuo um grande adepto (confesso que “adepto”, nunca tinha ouvido) e depois veio logo aquele período muito conturbado... sabe... se o secretário geral do PCP fosse o Santiago Carrillo (do PC espanhol), em vez do Álvaro Cunhal... não tinha havido todo aquele “problema”...
(Acredito bem que não! Acho mesmo que hoje nem sequer existiria o próprio PCP, que toda a gente sabe que é um grande “problema”)
- O senhor, apesar de agnóstico, ficou conhecido por, nessa época, ter feito vários acordos com a Igreja Católica...
- Acordos não! Eu conspirei ativamente com a Igreja e com o D. António Ribeiro, o Cardeal-Patriarca de Lisboa. Se o D. António não tivesse dado instruções aos sacerdotes para dizerem nas missas que era conveniente os cristãos comparecerem na nossa manifestação da Fonte Luminosa, nunca teria sido possível juntar uma multidão tão impressionante, que fez cair... ou melhor, inverter o rumo dos acontecimentos no nosso país...
E agora digo eu: Fantástico, não é? Como vimos no princípio deste texto, as crianças e os doidos têm as “desculpas” que já conhecemos; qual será a desculpa deste figurão?

Dois Mil e Quatrocentos Anos os Separam

COM um nome tão fora do vulgar, o ex-primeiro-ministro José Sócrates, parece querer fazer-lhe juz, correndo a notícia de que irá para Paris, cursar filosofia durante um ano. Ironias à parte, mas ter nome de filósofo e pretender estudar filosofia é de uma grande responsabilidade, tão grande como chamar-se Futre e querer aprender a jogar futebol. A ser verdade, veremos o que vai sair dali, já que o Sócrates original (469-399 a.c.), em oposição à sua actual versão lusa, sempre se manteve afastado da política, e a sua personalidade, segundo crónicas e depoimentos daquela época da antiguidade clássica, provocava apreensão e inquietação, a quem se cruzava com ele.
Embora tivesse dedicado toda a vida à filosofia e ao seu ensino, o Sócrates original sobre ela nada deixou escrito, muito embora por ela tenha dado a vida, ao ser condenado à morte, acusado (talvez injustamente) de corromper a juventude de Atenas com as suas ideias e crenças, numa época em que não havia contemplações com os delitos de opinião. Com dois mil e quatrocentos anos a separar ambos os Sócrates, o pouco que sabemos do mais antigo foi-nos transmitido por Aristóteles, pelo historiador Xenofonte nos seus “Ditos Memoráveis de Sócrates”, e por Platão, ao qual deu voz em alguns dos seus “Diálogos”, em que o pensador é posto a discorrer sobre vários temas filosóficos. Teria adoptado a divisa délfica «Conhece-te a ti mesmo», regra que impunha um exame constante de si próprio em relação aos outros, e dos outros em relação a si mesmo. Mestre em discernir entre o imaginário ou falso, e o genuíno ou verdadeiro, terá aconselhado os seus discípulos, na sua derradeira lição, antes de ingerir a fatal taça de cicuta, que «se não vos preocupardes com vós próprios e não quiserdes viver da maneira conforme vos tenho aconselhado, fazer-me agora muitas e solenes promessas não servirá de nada». Fica aqui registado o oportuno comentário do original Sócrates, sobre a importante e tortuosa questão das promessas não cumpridas, e que ele ilumine quem dele ostenta agora o nome, bem como todos os outros.

Imagem: O Pensador de August Rodin (1840-1917)

MADRUGADAS ALENTEJANAS BLOG - LUZ - Ester Pita

Terça-feira, 14 de Junho de 2011

LUZ.

Ontem
na
noite
o
céu
aconchegou
as
estrelas

e
escondeu-as
adormeceram

não
nos
mostraram
seu
brilho

mas
a noite
teve
mais
luz

que
hoje 
o  
dia
meu

Ester Pita
Foto: Iain Wilson

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Ester Pita