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domingo, 12 de junho de 2011

Em causa estão cinco linhas escritas por Miguel Pinheiro, na coluna ‘Sobe e Desce’ da edição de 27 de Janeiro da SÁBADO. No texto sobre o discurso de vitória de Cavaco nas presidenciais, o director afirma que "tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas".

Domingo, Junho 12, 2011


Língua Portuguesa e Liberdade de Expressão

«O Presidente da República deu luz verde ao Ministério Público para avançar com o processo contra o director da SÁBADO, Miguel Pinheiro, acusado do crime de ofensa à honra do chefe de Estado.
(...)
Em causa estão cinco linhas escritas por Miguel Pinheiro, na coluna ‘Sobe e Desce’ da edição de 27 de Janeiro da SÁBADO. No texto sobre o discurso de vitória de Cavaco nas presidenciais, o director afirma que "tal como Fátima Felgueiras e Isaltino Morais, Cavaco Silva acha que uma vitória eleitoral elimina todas as dúvidas sobre negócios que surgem nas campanhas".
O comentário valeu-lhe uma participação de Pinto Monteiro, que considera que «o autor revelou uma clara intenção de denegrir a imagem e reputação do Presidente» e pediu que fosse dado «carácter de urgência à tramitação dos autos».
(...)
Pinheiro, que já requereu a abertura de instrução, lembra que no momento em que fez o discurso no CCB, Cavaco estava na qualidade de candidato e não de Presidente. "Num país democrático, a pessoa e a função não se devem confundir", defende o jornalista, que não percebe por que motivo foi o único a ser processado, já que outros fizeram a mesma comparação
.»

Excertos na notícia publicada no semanário SOL de 9 de Junho de 2011
Meu comentário – Quando há dúvidas sobre questões relacionadas com a língua portuguesa e seus significados, e estas têm implicações com a liberdade de expressão, em vez da instauração de um processo judicial, devia ser pedido um parecer à Academia. Isto para não se cair no ridículo, com questões de “lana caprina”. O senhor Presidente pode estar zangado, porém, os factos concretos - e não meras calúnias como ele pretende que sejam - não podem ser plebescitados nem apagados pelo voto em eleições - como ele queria que fossem - nem silenciados os comentários certeiros que se façam sobre os benefícios que comprovadamente colheu, como accionista privilegiado do Banco Português de Negócios.

Ei-los que partem, novos e velhos, buscar a sorte noutras paragens... *



Ei-los que partem, novos e velhos, buscar a sorte noutras paragens... *


Em Abril de 1965, o semanário La vie ouvrière da grande central sindical francesa, a “CGT”, fazia a sua capa com um António, trabalhador portugais que, lá dentro, explicava as razões de ter ido para França. Provavelmente seria vizinho destas “Marias”, deste “Souza” com os “ss” ao contrário na sua caixa de correio de um qualquer bidonville dos arredores de Paris, ou deste outro “Manuel” que todas as manhãs deixava a marca dos seus passos na lama funda da rua do bairro da lata, a caminho das obras de Saint Denis, ou de Nanterre, ou de Champigny...
Como incentivo, tinham apenas a necessidade extrema. Como consolo, apenas a fé (a maioria). Como objetivo, o sonho de voltar à sua terra. Como ajuda solidária, para além de alguns portugueses que clandestinamente faziam trabalho político junto da comunidade, tinham esta gente estranha, francesa, organizada em sindicatos e que falava de política, de direitos, de reivindicações, de luta de classes... tudo isso às claras, na rua ou no trabalho, coisa que devia provocar a maior estupefacção, senão mesmo medo, aos portugueses e portuguesas, bem lembrados de como “elas mordiam” a quem assim ousasse pensar, quanto mais falar abertamente, nas oficinas e campos que tinham deixado para trás no Portugal cinzento, amordaçado e fascista desses tempos.
Todos fugiram da fome e da guerra. Alguns, mais da guerra.
Esta velha necessidade de partir em busca de pão, que muitos gostam de pintar em tons de “gosto pela aventura”, vem de muito longe. Desde o povoamento das ilhas atlânticas, à colonização das costas africanas e uns pequenos pontos nos mapas das Índias e da Ásia, até à verdadeira debandada para o Brasil, antes e muito depois da sua independência. Fomos desenhando um mapa da fome lusitana na África do Sul e Venezuela, nos EUA... e, finalmente, em finais dos anos 50 do séc. XX, “descobrimos” a Europa.
Aí estava o novo “El dorado enlameado das intermináveis obras de construção civil, sobretudo na França e na Alemanha, países acabados de sair de uma guerra que os tinha oposto, mas cheios de dinheiro nas mãos e urgência em construir novas cidades, de preferência com mão de obra numerosa e barata.
Hoje, a fome volta a bater à porta de milhares de portugueses, mesmo os mais escolarizados. Estamos a repetir os números fabulosos da emigração dos anos 60 do século passado.
Antes que algum de vocês fique com a impressão de que eu estou a tentar mostrar saber alguma coisa sobre a história da emigração portuguesa, digo já que não. Toda esta sequência de imagens me veio à cabeça, ao ver que a “cavacal” figura que faz de nosso Presidente, não se tem calado com “os nossos emigrantes”, desde que começou a fazer o caminho preparatório para este 10 de Junho... ou “dia da raça”, como lhe chamou há uns tempos.
Mesmo sabendo que alguns portugueses emigrados, trabalhando muito, conquistaram o direito a uma vida confortável, que outros, descobrindo a “arte” da exploração do seu semelhante, enriqueceram... ou que outros, fazendo sabe-se lá bem o quê, ficaram podres de ricos, como Joe Berardo... mesmo sabendo disso, como dizia, não consigo deixar de ver este “filme negro” em que a esmagadora maioria dos portugueses forçados à emigração foi maltratada, abusada e desprezada pelo seu país.
Por isso me soa tão estranha esta ladainha de Cavaco para com os emigrantes em geral e que, segundo ele, «devem ajudar Portugal nesta hora de dificuldades», ainda por cima, recorrendo à tristemente célebre frase «Todos não somos demais...».
Já há muitos anos que milhares e milhares de portugueses emigrados o fazem com as suas remessas, de que o país tem largamente beneficiado. Fazem-no para ajudar as suas terras de origem, para ajudar as suas famílias... e porque são patriotas, capazes de um patriotismo que os “Cavacos” deste mundo não têm dimensão humana para entender.
Provavelmente, Cavaco Silva também está bem ciente de como Portugal tem tratado os seus cidadãos que obriga a emigrar... e este seu discurso é, afinal, um exercício de que eu não o suspeitava capaz: ironia.

* Com um agradecimento ao Manuel Freire por esta cantiga, uma das muito raras em que é autor também das palavras: “Ei-los que partem”.

Ana Hormigo conquista ouro - A portuguesa Ana Hormigo conquistou ontem a medalha de ouro na categoria de -48 kg da Taça do Mundo de Lisboa em judo, ao vencer na final a italiana Valentina Moscatt, por ‘ippon’, no Pavilhão Multiusos de Odivelas, perante mais de 300 pessoas.

Ana Hormigo conquista ouro

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Esta vitória teve um sabor especial por ter sido em casa. O público deu--me muita força", disse a atleta de Castelo Branco, de 30 anos, que obteve o segundo triunfo da temporada, depois da Taça do Mundo de Praga, em Fevereiro.
"Estas vitórias são muito importantes para chegar aos Jogos Olímpicos [Londres 2012]", observou a judoca, que interrompeu a carreira em 2009 para ser mãe e só regressou à competição no último trimestre de 2010.
Já Telma Monteiro arrecadou o bronze na categoria de -57 kg. "O meu objectivo era subir ao pódio. Obviamente que ganhar seria o ideal, mas acho que fiz uma boa competição", disse a vice-campeã do Mundo, após derrotar Tumen Od Battugs, por waza-ari, graças à acumulação de três advertências da judoca mongol.
Segunda classificada do ranking mundial, Telma Monteiro ganhou esta época o Masters de Baku (Azerbaijão).

AONDE ISTO CHEGOU ! Uma responsável regional do CDS-PP disse aos militantes do seu partido que devem correr atrás dos lugares de confiança política, porque merecem.

Uma responsável regional do CDS-PP disse aos militantes do seu partido que devem correr atrás dos lugares de confiança política, porque merecem.
O CDS-PP premeia "pelo esforço e pelo mérito", disse a líder da distrital de Beja O CDS-PP premeia "pelo esforço e pelo mérito", disse a líder da distrital de Beja 

“Este é o momento…de se correr atrás de lugares…” assinalou ontem Sílvia Ramos, presidente da distrital de Beja do CDS-PP, aos microfones da emissora local Rádio Pax.

A dirigente popular deixou claro aos militantes do seu partido que lhes compete estar “nos devidos lugares, proporcionalmente ao nosso peso político e porque temos isso legitimado pelos votos que obtivemos”.

Sílvia Ramos acrescentou que o CDS-PP “é um partido que premeia pelo esforço e pelo mérito”, frisando que não quer o poder, mas apenas “o melhor para Portugal e para o distrito.”

“Este é o momento”, repetiu a presidente da distrital de Beja do CDS-PP, alertando os militantes do seu partido para o que espera o próximo Governo, que “será o mais desgastante de todos”, pois “o legado é amargo”.

Apesar das dificuldades, Sílvia Ramos expressou a convicção que o seu partido vai conseguir superar as obstáculos, argumentando que o CDS-PP é “a quarta força política” do distrito de Beja, depois de ter obtido “o melhor resultado de sempre” nas eleições do passado dia 5 de Junho.

E antecipando-se a eventuais dúvidas que possam surgir sobre o empenhamento do seu partido na região, Sílvia Ramos lembrou que a organização de que é responsável “levou dois anos em constante mobilidade pelo distrito e em várias áreas”.

Mesmo sem ter deputado eleito pelo circulo de Beja, Sílvia Ramos, garante que “irá representar o distrito” para que o Parlamento e o próximo Governo reconheçam “as potencialidades, as necessidades” do distrito e que “jamais seja esquecido no mapa”.

O PÚBLICO pediu a Sílvia Ramos esclarecimentos sobre o teor das suas declarações. A dirigente explicou que “quem tiver mérito comprovado” no desempenho do seu cargo “fica, independentemente da sua cor política”. Mas diz que “não vai abdicar” do que se julga com direito, “até para nos fazermos ouvir”.

Mário Simões, presidente da Distrital de Beja do PSD, reagiu com lacónico comentário: “ Este é o momento para guardar bom recato”.

Já o secretário-geral do CDS-PP, Lino Ramos, disse ao PÚBLICO que o partido “não terá, nem alimentará clientelas”. O CDS-PP, segundo Lino Ramos, “defende uma cultura de mérito na administração pública". "Isto significa uma posição muito firme contra o clientelismo”, acrescentou Ramos.

A Doença e os Remédios

Domingo, 12 de Junho de 2011

A Doença e os Remédios

O Presidente da República, professor Cavaco Silva, em visita a Castelo Branco para as comemorações do 10 de Junho, incitou os portugueses a empenharem-se nos desafios que têm pela frente, recorrendo a uma frase de um médico célebre do século XVI, João Rodrigues de Castelo Branco, conhecido como Amato Lusitano, o qual teria sentenciado que “não há cura para aquele que não quer ser curado”.
Penso que quando Cavaco Silva pede empenho aos portugueses, está sobretudo a pedir aos mais vulneráveis e de fracos recursos, que aceitem a prescrição de mais austeridade, e a nova dose de sacríficios que se avizinham, como se estes remédios fossem o tratamento adequado para a tal doença de que o país padece.
Ora, penso que o Presidente escolheu mal a comparação e o destinatário do pedido de empenho. Esta doença está instalada no país, não porque os portugueses sejam portadores dela, e andem a espalhar a enfermidade, mas sim porque quem nos tem governado, em vez de aplicar a profilaxia adequada ao seu combate, tem andado a ajudar à sua propagação, não só da estirpe genuinamente portuguesa, mas também daquela que veio de fora, e que agravou ainda mais a contaminação. Portanto, assentemos ideias: o país está em muito má situação económica e financeira, à beira da bancarrota, porque quem andou a gerir a coisa pública, não soube fazer diagnósticos, é incompetente, negligenciou, trocou os medicamentos, deliberadamente ou não, e deixou que a epidemia infectasse todo o tecido económico e social. Aplicada às circunstâncias actuais, a frase inspiradora deveria ser mais exactamente esta: não há cura para a doença quando se está a aplicar o remédio errado.

Adenda - Curiosamente, o próprio Presidente da República, se fosse levado a sério nas coisas que diz, teria dado um exemplo de errada prescrição medicamentosa, quando disse na aldeia de Alcongosta, que as cerejas fazem bem a tudo, e até são boas para os calos. Qualquer boticário que se preze, se não ficasse escandalizado, pelo menos não esconderia um sorriso de desdém.