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segunda-feira, 30 de maio de 2011

menino e roda

menino e roda brincando
correndo, montes galgando
roda a vida
roda o mundo
e leva um desgosto profundo
por bicicleta não ter
como outros lá na aldeia
roda, pula, serpenteia
que a vida é sempre a correr
cai e logo se levanta
que a roda do mundo é tanta
como roda a sua ideia
como roda o seu sofrer
corre o menino e a roda
na lama do mundo que é tanta
que quanto o chapeu de chuva levanta
nos seus olhos vê-se  chover

António Garrochinho

depois

é contigo que eu quero viver
depois da tropa resolver
juntamos os nossos trapinhos
nem aneis nem anelinhos
nem cerimónias com colarinhos
só assinamos os papéis
depois é construir a vida
e tu como boa rapariga
dás uma ajudinha ao rapaz
que eu sou homem capaz
com o meu trabalho e razão
de arranjar nova geração
e vivermos em amor e paz !

António Garrochinho

Eram muitos !

Eram muitos

eram muitos, os filhos nove
o meu homem tá aqui, que o prove
seis rapazes três raparigas
coisas de familias antigas
que hoje isso já não se usa
hoje até só um se recusa
plas dificuldades que a vida tem
assim como a gente, veja bem
desses nove só nos restam cinco
no estrangeiro lutam com afinco
e nós para aqui sózinhos
todo o ano sem ninguém
só plo natal os vemos
a eles e os netos pequenos
donos dos nossos carinhos
bisnetos também já temos
que são a nossa alegria
vê-los correr á manadia
aí por esses campos fora
até a minha alma chora
enquanto não nos formos embora
eu e o meu Joaquim
pois a vida é mesmo assim
que a morte em todos mora !

António Garrochinho

EXCERTOS HISTÓRICOS - A TENEBROSA PIDE

DIAS COELHO MILITANTE DO PARTIDO COMUNISTA PORTUGUES, ASSASSINADO PELA PIDE



CAÇA AO PIDE EM ABRIL DE 1974

RUA ANTÓNIO MARIA CARDOSO LISBOA - SEDE DA PIDE/DGS

A Polícia Política - Segundo a História de Portugal de A. H. de Oliveira Marques
A polícia política, cujas origens remontam  a 1926, foi reorganizada na década de 1930. Primeiro chamada Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (P. V. D. E.), passou a ser conhecida por Polícia Internacional e de Defesa do Estado (P. I. D. E.) a partir de 1945, data em que viu as suas atribuições consideravelmente ampliadas. Na época Marcelista foi a D.G.S - Direcção Geral de Segurança.
A Polícia Secreta portuguesa alcançou, sob regime de Salazar, em todas as esferas da vida nacional, tais limites de poder e penetração que desafiaram a autoridade do próprio Estado - incluindo a das Forças Armadas - e a converteram gradualmente num estado dentro dele.
Da mesma forma que a lnquisição, teve de justificar a sua própria existência e os seus amplos poderes pela «invenção» ou o exagero de ameaças à segurança do regime e pela «fabricação» de comunistas e de outros  perigosos opositores ao Estado Novo.

Movimento quer roteiro da ditadura de Salazar
Fernando Madaíl
Vocês podem imaginar isto tudo, amigos?” A interrogação da ex-presa Maria Fernanda Leitão foi publicada na revista Notícia, a 25 de Maio de 1974, sendo reproduzida no livro PIDE – A História da Repressão (coordenação de Alexandre Manuel, Rogério Carapinha e Dias Neves).
Sem a fama de Cunhal ou Soares, Jaime Cortesão ou Torga, Emídio Santana ou Palma Inácio, descrevia a repressão fascista. “O que era, em prisões destas, ser torturado, espancado, apodrecer nos curros, adoecer, tuberculizar, ter cancro, ter dores, vomitar, ter período menstrual, não tomar banho, tremer de frio, passar fome? Ninguém pode imaginar. Só vendo.”
“Vocês poderão imaginar, amigos”, prosseguia, “o que eram os interrogatórios, os insultos, a vida inteira devassada, avacalhada, o silêncio das noites, o isolamento, os anos passados, as cartas abertas, os parlatórios com microfones minúsculos debaixo dos mosaicos das paredes, as visitas com guardas ao lado? Ninguém pode imaginar. Só tendo passado por isto.”
Manuela Cruzeiro, na apresentação do livro Silêncio – Prisões Políticas Portuguesas, do fotógrafo Pedro Medeiros, invoca o título provocatório de Eduardo Lourenço, O Fascismo Nunca Existiu (1976). A investigadora do Centro de Documentação 25 de Abril da Universidade de Coimbra escreveu antes de surgir o movimento Não Apaguem a Memória!, uma vez que a missão fotográfica de reconstituir o universo concentracionário e repressivo do Estado Novo decorreu entre 1999 e 2005 e os autores da petição ao Parlamento só se organizaram em Dezembro de 2005.
O roteiro essencial do fascismo português que este movimento cívico, sem direcção formal, pretende que seja criado passa por locais emblemáticos da brutalidade da polícia política, nomeadamente a sede central da PIDE/DGS em Lisboa, as cadeias do Aljube, Caxias e Peniche, o Tribunal Plenário. Mas um dos ícones do que Salazar designava por uns “safanões a tempo” – da tortura do sono e da estátua (o comunista Francisco Miguel esteve 51 dias de pé) até à morte -, o mais temível de todos, que era o campo de concentração do Tarrafal, não está em território português.
Edmundo Pedro, um dos cinco sobreviventes que estrearam o “campo da morte lenta”, onde estiveram desde o treinador de futebol Cândido de Oliveira ao escritor Luandino Vieira, lembra que o Tarrafal integra simultaneamente a memória do combate contra o nazi-fascismo (inaugurado em 1936, era cópia dos campos hitlerianos) e da luta anticolonial: encerrado em 1954, seria reaberto para os presos dos movimentos de libertação.
E, no entanto, o projecto também deve servir para enaltecer os “semeadores de liberdade”, como definiu os lutadores contra a ditadura o ministro Santos Silva. Afinal, só as fugas mais rocambolescas davam filmes: Nuno Cruz e outros reviralhistas foram brutalmente espancados por cúmplices que se fizeram passar por polícias que os iriam transferir de cadeia; José Magro e outros comunistas saíram de Caxias no carro blindado de Salazar; Palma Inácio serrou as grades da prisão da PIDE no Porto com limas que guardava nos frascos do chocolate e do leite em pó. Vocês podem imaginar?
(http://dn.sapo.pt/2006/08/20/tema/movimento_quer_roteiro_ditadura_sala.html)
Quantas foram as vítimas da PIDE?
Fernando Madaíl
Desde o tempo em que Raul Proença editou um panfleto a denunciar a ditadura, logo em Dezembro de 1926, até Palma Inácio sair de Caxias de braços abertos a saudar a liberdade reconquistada em Abril de 1974, houve “não se sabe quantos” presos políticos durante o fascismo.
Um dos grupos de trabalho do movimento Não Apaguem a Memória! vai dedicar-se a fazer um levantamento, na Torre do Tombo, de todas as vítimas da ditadura militar e dos governos chefiados por Salazar e Marcelo Caetano.
Ao longo de 48 anos, passaram pelos calabouços do regime antigos ministros e militares do reviralho, anarquistas e comunistas, operários e camponeses, intelectuais de renome e funcionários públicos, maçons e sacerdotes, velhos republicanos e monárquicos anti-salazaristas, comunistas fiéis a Moscovo ou cisionistas pró-Pequim, africanos anticolonialistas e estudantes universitários, todas as correntes de opinião.
Na sede da PIDE/DGS, na António Maria Cardoso – nome da rua lisboeta que, a exemplo do que sucedia com a portuense Rua do Heroísmo, só de se pronunciar metia medo -, foi encontrado quase um milhão de nomes nos ficheiros, embora fossem incomparavelmente menos aqueles que tinham direito a fichas idênticas às que se publicam no topo destas páginas (de Álvaro Cunhal, Mário Soares, Palma Inácio, Dias Lourenço, Pires Jorge e Jaime Serra).
A designação PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado) só foi usada entre 1945 e 1969, mas os métodos dos agentes de Agostinho Lourenço e de Silva Pais tornaram a sigla terrível. Antes, chamou-se Polícia Especial, Polícia de Informação Pública, Polícia de Defesa Política e Social, Polícia de Vigilância e Defesa do Estado. Depois da “Primavera Marcelista”, Direcção-Geral de Segurança (DGS).
SEDE DA PIDE NO PORTO


CARTEIRA DE FÓSFOROS USADA EXCLUSIVAMENTE PELA PIDE

SILVA PAIS CHEFE DA PIDE/DGS





DIRIGENTES COMUNISTAS PRESOS PELA PIDE

ALVARO CUNHAL PRISIONEIRO DA TENEBROSA PIDE
PRISÃO DE PIDE EM ABRIL DE 1974



As origens da PIDE
As origens da PIDE começaram em 1933, ano da criação oficial do Estado Novo.  É criada a Polícia de Vvigilância e de Defesa do Estado  (PVDE), com duas secções principais:

Secção Defesa e da Política Social, a fim de reprimir a oposição política actividades, impor censura, etc
Secção internacional, utilizadas para controlar a imigração, a deportação e os serviços secretos e de inteligência.

Em 1936  a PVDE criou o presídio do  Tarrafal em Cabo Verde, sob o seu controlo directo, como um destino para os presos políticos, que o regime considerava mais perigosos. Durante 40 anos de ditadura, 32 pessoas morreram no Tarrafal, devido aos rigorosos regimes de internamento.

Com a Guerra Civil Espanhola, e depois de um atentado contra Salazar por militantes anarquistas, aumenta a repressão, em especial contra o Partido Comunista Português. A PVDE, recebeu instrutores alemães e italianos, que tentaram adaptá-la à estrutura e os métodos da Gestapo.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Portugal tornou-se um país de espiões, local de exílio para importantes personalidades estrangeiras, e aumentou a cooperação entre a PVDE e Gestapo.
De PVDE a PIDE Em 1945, a PVDE, que tinha sido criada e instruída pelo modelo GESTAPO nazista, muito BRUTA e pouco TÉCNICA, é dissolvida e substituída pela PIDE, que modifica o seu estilo e orientação profissional pelo modelo Scotland Yard. Mais TÉCNICA e menos BRUTALIDADE ! Torna-se uma secção da Polícia Judiciária , e continua a manter o seu estatuto de aparelho de repressão do regime de Salazar.



Como a PVDE, foi dividida em duas secções principais:

Funções administrativas (incluindo os serviços de imigração)
Características penal (aplicação da lei ea segurança do Estado)

A PIDE é considerada por muitos analistas como um dos serviços secretos mais eficaz e funcionais da  História.  Com células secretas em todo o território Português, conseguiu infiltrar-se em  todos os movimentos da oposição, como o Partido Comunista ou movimentos independência em Angola e Moçambique. Tinha também parceria, com centenas de civis, chamados "bufos", que actuaram como espiões entre a população. Isso deu-lhe a possibilidade de controlar todos os  aspectos da vida quotidiana em Portugal. Como resultado, milhares de portugueses foram presos e muitos torturados nas prisões da PIDE.

Desde a guerra nas colónias da África, a PIDE intensificou a sua actividade, principalmente no Ultramar. Depois do 25 de Abril de 974, foi criada uma comissão para dissolução da PIDE, e toda a sua documentação arquivada no Arquivo Nacional da Torre do Tombo. As suas páginas podem ser visualizadas, excepto o acesso aos nomes dos seus agentes e altos cargo directivos.



As Vítimas da PIDE
Foi responsável por alguns crimes sangrentos, como o assassinato do militante do Partido Comunista Português (PCP) José Dias Coelho e do General Humberto Delgado. Este último foi atraído para uma emboscada, só possível pela introdução de informadores nas organizações que o general liderava ou na sua teia mais íntima de relações pessoais, ultrapassando mesmo as fronteiras nacionais (não só o crime foi cometido em território espanhol como os informadores se encontravam instalados no Brasil, na França e na Itália).
As principais vítimas da PVDE - PIDE foram sempre os comunistas ou seus simpatizantes, cujos mártires ultrapassaram, de longe, quaisquer outros oposicionistas. Parece também averiguado que os elementos das classes «inferiores» recebiam em geral pior tratamento do que os das classes média e superior. 
Seria, no entanto, errado, considerar a polícia Secreta como um organismo de classe visando reprimir apenas actividades de outra classe. Todas as correntes de opinião, incluindo os Católicos e os Integralistas e representantes de todas as classes e grupos sociais contaram inúmeras vítimas das perseguições policiais.
Num país pequeno como Portugal, altamente centralizado, as pressões políticas iam também afectar muitas profissões «independentes», para lá do funcionalismo público, como frequentemente se verificou. Por vezes, ao perseguir-se alguém, omitiam-se cuidadosamente os motivos políticos reais, invocando-se, antes, razões de ordem profissional ou moral. 
Também se verificaram pressões sobre empresas ou sobre particulares para demitirem ou para recusarem admissão a indivíduos politicamente suspeitos ou de menos confiança. Pôde assim ser estabelecido todo um clima geral de dependência do Estado e dos seus objectivos políticos

REPURCUSSÕES DO MAIO DE 68 - A PASSEATA DOS 100 MIL E A CANÇÃO DE XICO BUARQUE - CÁLICE - CENSURADA

Foto de Evandro Teixeira   
O ano de 1968 foi marcado por manifestações populares em diversos países, como França, EUA, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda, Suíça, Dinamarca, Espanha, Reino Unido, Polônia, México, Argentina, Chile e Brasil. 
Jovens e trabalhadores protestam contra a situação social do pós-guerra, as guerras e as ocupações imperialistas. Nos Estados Unidos, os jovens opõem-se à Guerra do Vietnã e o movimento hippie cresce.
Em Paris, estudantes e operários promovem greves e passeatas. Em 6 de maio ocorre o histórico confronto entre 13 mil jovens e a polícia. Os policiais lançam bombas de gás lacrimogêneo, respondidas com pedras pelos jovens - cenário semelhante ao dos protestos contra a ditadura militar que ocorrem no Brasil.
Enquanto isso, apesar da repressão - ou justamente para reagir a ela - a contracultura fica mais produtiva, criativa e combativa do que nunca, com representações em todas as artes. O site da Revista de História da Biblioteca Nacional vasculhou o You Tube em busca de registros sobre o ano de 1968 no Brasil e no mundo.
Canção-hino em francês
Ouça "Nous sommes les nouveaux partisans" (formato MP3), canção-hino utilizada pelos participantes do Maio de 1968, em Paris, que consiste numa derivação do tema da Resistência durante a  II Guerra Mundial.

Chico Buarque e Gilberto Gil - Cálice censurado



CÁLICE CENSURADO - FOI CORTADO O SOM DO MICROFONE QUANDO CHICO CANTAVA !
ELE PERGUNTA - TEM SOM ? E O POVO ASSOBIA

1968 - Passeata dos Cem Mil


PASSEATA DOS CEM MIL APÓS A MORTE DO ESTUDANTE EDSON.

Duas em cada cinco crianças portuguesasvive em situação de pobreza. É uma das conclusões de um estudo do Instituto Superior de Economia e Gestão que será divulgado na quarta-feira, ao qual o jornal Público teve acesso.


O estudo, encomendado pelo Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, revela uma nova dimensão da pobreza - não são apenas as crianças com rendimentos abaixo do limiar da pobreza que são pobres, mas também aquelas cujas condições de vida se reflectem do seu bem estar.
De acordo com o estudo, citado pelo jornal Público, as crianças até aos 17 anos ultrapassaram os idosos como o grupo mais vulnerável à pobreza. Não há crianças sem acesso à televisão por questões esconómicas, mas há quem não faça uma refeição de carne ou peixe pelo menos de dois em dois dias.
Mais de uma em cada quatro crianças não tem actividades extracurriculares por falta de dinheiro dos progenitores, enquanto quatro por cento não come fruta nel legumes diariamente.
O estudo deixa algumas preocupações no ar, mais concretamente em relação aos apoios sociais, cujos cortes recentes "não permitem antever um futuro promissor para estas crianças".

amante de todos os poemas de amor

amante de todos os poemas de amor


Como se abrissem janelas
e respirassem vento
ousam os olhos
a calma de um amante
de todos os poemas de amor

Deixem que me embale por eles
(os teus olhos)
Sabendo que na próxima aurora
Serão os meus
Clamando poemas de amor


Tão belos como castelos
onde moram as trovas
de um amor sem trono
amor plebeu…
que se entrega sem permuta
a um poema de amor

Sinto-te tango, arguto,
da dor e da raiva rasgada
sabor cidra que invejo
no suar das folhas
que te escrevem
poemas de amor!


(imagem: Olga Sotto)

Galp deve aumentar administradores de 17 para 21 - ESTE É O EXEMPLO DA GALP !

Galp deve aumentar administradores de 17 para 21
29 de Maio, 2011
Os accionistas da Galp reúnem-se segunda-feira numa assembleia-geral em que deverá ser aprovado um aumento do número de administradores de 17 para 21, mas em que ficará de fora a escolha de um novo presidente-executivo. A Amorim Energia e a Eni, que no conjunto detêm 66,68 por cento do capital da petrolífera, propuseram a 11 de Maio "fixar em 21 o número de membros do Conselho de Administração para o triénio 2011-2013".
Os dois principais accionistas da Galp têm surgido recentemente nas notícias devido ao alegado desentendimento quanto à continuidade (ou não) de Manuel Ferreira de Oliveira como presidente-executivo da empresa.
Ferreira de Oliveira, que terminou mandato no final do ano passado (mantendo-se em funções até à AG), já manifestou disponibilidade para continuar, mas parece não reunir consenso entre os principais accionistas.
No início do mês, o Diário Económico noticiou que os italianos da ENI apresentaram formalmente uma proposta para que fosse o alemão Jochen Weise a presidir à Galp. O jornal escreveu que "o nome do gestor foi formalmente proposto à Amorim Energia [...], por carta, com data de 18 de Abril".
Já Américo Amorim, que controla a holding Amorim Energia, apoiará a recondução de Ferreira de Oliveira.
A falta de consenso nesta matéria levou mesmo à anulação do ponto de agenda da convocatória da AG que falava em "eleição dos Órgãos Sociais para o mandato 2011-2013". De acordo com uma adenda à convocatória divulgada pela CMVM, o ponto 6 foi considerado "prejudicado" e como tal "retirado".
Este ponto foi substituído por deliberações sobre a eleição da mesa da assembleia geral, da comissão de remunerações, do conselho fiscal, do Revisor Oficial de Contas e sobre o número de administradores.
Segundo as propostas dos acionistas divulgadas na CMVM, Daniel Proença de Carvalho continuará a ser o presidente da Mesa da Assembleia Geral, a Caixa Geral de Depósitos presidirá à Comissão de Remunerações (com Amorim Energia e ENI a designarem vogais) e Daniel Bessa presidirá ao Conselho Fiscal.
Esta reunião surge num momento em que já não está em vigor na Galp Energia uma cláusula do acordo parassocial que mantinha o equilíbrio de poderes na petrolífera. A cláusula impedia a Eni, a Amorim Energia e o Estado (7 por cento da Parpública e 1 por cento da CGD) de alterarem as respectivas participações.
Ainda antes do fim da cláusula, e já depois, foram várias as notícias de movimentações dos accionistas no sentido de comprarem a participação da ENI. A Petrobras negociou a compra até ao início de Fevereiro, quando anunciou oficialmente ter desistido do negócio.
No outro lado da mesa estão os angolanos da Sonangol, cujo presidente, Manuel Vicente, já afirmou que pretende ter uma participação directa na Galp, contrariando informações sobre a intenção de um aumento da sua participação indirecta através da Amorim Energia.
A Sonangol detém uma participação indirecta de cerca de 15 por cento no capital da Galp Energia, por via dos 45 por cento que detém na Amorim Energia (através da offshore Esperanza).
Lusa/SOL

Freitas do Amaral – Mais rápido do que a própria sombra *

Segunda-feira, 30 de Maio de 2011

Freitas do Amaral – Mais rápido do que a própria sombra *


O professor Diogo Freitas do Amaral tem um percurso de vida notável. Uma espécie de viagem fascinante... que só não vai bem com pessoas que tenham tendência para enjoar com as curvas acentuadas e lombas vertiginosas.
Assim num simples esboço de resumo:
Desde «devoto de Salazar», como afirmava Marcelo Caetano, passando pela fundação do CDS, com um programa que ia “rumo ao socialismo” (na época rumavam todos!); passando por uma candidatura presidencial de direita, contra Soares... e depois passando a sentir-se muito bem ao lado do mesmo Soares; passando depois pela descoberta de Sócrates, com tal agrado que aceitou ser seu ministro... tendo agora passado a achar que Sócrates, afinal, tem «pouca cultura democrática» e acabar a achar que «Pedro Passos Coelho é que é a solução»... Freitas do Amaral já disse de tudo, já provou de tudo, já esteve com (quase) tudo, desde que isso lhe cheire a lugar ou sinecura.
Estou aqui a ver se me lembro de nos últimos tempos ter visto uma coisa assim triste, patética, graxista, oportunista, invertebrada, direi mesmo... langanhosa... mas apesar do esforço, não estou a ver!
* Que me perdoe o Lucky Luke... que é uma figura divertidíssima, mesmo que apenas de ficção.

Jerónimo de Sousa recordou ! A Bem do Betão e do Alcatrão

Segunda-feira, Maio 30, 2011


A Bem do Betão e do Alcatrão

A ASSUNTO já era do conhecimento público, mas Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, e muito a propósito, voltou a recordá-lo com o respectivo sublinhado. O senhor Almerindo Marques antecipou em dois anos a sua saída da presidência das Estradas de Portugal, para ir assumir a liderança da Opway, empresa construtora do Grupo Espírito Santo. Isso aconteceu porque o dito senhor tem muita influência, sabe mexer os cordelinhos e faz muita falta noutros círculos, como foi o caso de Jorge Coelho, quando há uns anos atrás, depois ter passado pelos tablados da governação, acabou à frente dos destinos da Mota-Engil (Abril 2008), considerada uma das construtoras do regime. Não é preciso grande esforço para se perceber que estas transferências ilustram as cumplicidades e “uniões de facto” que se continuam a estabelecer entre as construtoras dos grupos económicos e financeiros, e a constelação de interesses que giram à volta do aparelho de Estado, traficando influências, chorudos negócios - como as Parcerias Público-Privadas - e outras coisas mais, que muito têm contribuído, não para o progresso do país e da sua recuperação económica, mas sim para o seu colapso e falência.
Tudo isto acontece, quase em simultâneo, com a decisão de o Tribunal de Contas de recusar o visto prévio a cinco concessões lançadas pela Estradas de Portugal (Douro Interior, Baixo Alentejo, Algarve Litoral, Litoral Oeste e Auto-Estrada Transmontana), na qual a Estradas de Portugal se comprometia a fazer pagamentos extraordinários, que carecem de fundamentação jurídica, por ter havido, diz ela, entre outras razões, uma degradação das condições financeiras entre a proposta inicial, com que os concorrentes foram seleccionados, e a final, com que assinaram os contratos. Habituados como estão a que os bolsos dos portugueses não tenham fundo, os governos (mesmo os de gestão) já nem sequer se esforçam por dissimular as suas negociatas, sobretudo aquelas que mexem com o rico e inesgotável filão do betão e do alcatrão.