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sexta-feira, 6 de maio de 2011

El condor pasa - PERU



MUSICA DO PERU - EL CONDOR PASA !

Inti Illimani - El Pueblo Unido



O GRUPO CHILENO INTI LLIMANI !

Hasta Siempre Commandante-Buena Vista Social Club



HASTA SIEMPRE COMANDANTE !

Lágrimas negras - Buena vista social club



BOA MUSICA ! O GRUPO CUBANO BUENA VISTA SOCIAL CLUB

JOSÉ MANUEL COELHO, ELEMENTOS DO PARTIDO TRABALHISTA,GARCIA PEREIRA EOUTROS, INVADIRAM A RTP

Elementos do partido Trabalhista Português tentaram entrar esta noite no edifício da RTP, em Lisboa, na altura em que se ia realizar o primeiro debate de pré-campanha entre líderes partidários sobre as eleições legislativas de 5 de Junho.
Paulo Portas e Jerónimo de Sousa já estavam no interior das instalações da RTP para o primeiro debate, hoje, sexta-feira, à noite, quando José Manuel Coelho, (Partido Trabalhista Português) e Garcia Pereira (PCTP/MRPP) escaparam à segurança, passaram a portaria e invadiram a propriedade da estação pública com um grupo de manifestantes com cartazes que diziam "televisões só convidam os cinco ladrões".
Os protestos deveram-se ao facto de estes partidos não estarem incluídos no lote de debates que as televisões vão fazer até 20 de Maio.
A polícia foi chamada para travar a manifestação e está ainda no local. Apesar de os manifestantes terem entrado em confronto com as autoridades não há registo de feridos.

PEOMA: Obama mata Osama (Por Dr. Azágua)

Dr. Ozágua

May Day!  May Day!
It’s pay day!

Na kel dia 2 di Maiu
Novidadi ben sima un raiu:
Obama mata Osama
Riba se kama
Na ladu se dama!
N’un dia xei di drama
Obama ganha fama
Ku tudu pruveitu;
Justisa dja sta fetu
Pamodi e sin k’e fetu.

Sen internet
Sen telefoni
You bet!
Bin Laden kontra ku tudu dimoni
Es da-l korti
Armadu en forti
El kontra ku se morti.
El nterradu ka na mar di Bokarron
Ma sin, na boka tibaron.
Asin fladu…



Vivam Apenas
Vivam, apenas
Sejam bons como o sol.
Livres como o vento.
Naturais como as fontes.
Imitem as árvores dos caminhos
que dão flores e frutos
sem complicações.
Mas não queiram convencer os cardos
e transformar os espinhos
em rosas e canções.
E principalmente não pensem na morte.
Não sofram por causa dos cadáveres
que só são belos
quando se desenham na terra em flores.
Vivam, apenas.
A morte é para os mortos!

(José Gomes Ferreira)


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Quinta-feira, Maio 05, 2011

“Estou agradecido por o Governo ter caído” Ulrich

Fernando Ulrich considera que o País está melhor com a vinda da ‘troika’. "Estou muito contente que tenha vindo a 'troika', que num espaço de um mês tenha havido esta junção de vontades", disse Fernando Ulrich, o presidente do BPI, numa conferência, hoje, no Porto.
E adianta: "Estou agradecido por o Governo ter caído e o PEC ter sido chumbado, porque agora vamos partir para uma nova fase da economia portuguesa".
Fernando Ulrich recordou que "ao longo do tempo fui chamando a atenção" para as medidas que o País necessitava de tomar, "chamaram-me incendiário".
O banqueiro disse também que foram postos em marcha investimentos públicos "que não se podiam fazer, o BPI até deixou de financiar alguns".
Ulrich não deixou de criticar alguns "professores académicos que estão transformados em maus jornalistas" e andam a defender a reestruturação da dívida pública. Para o presidente do BPI, "não é necessário e era um recuo civilizacional". "Se o Estado se permitisse a não pagar o que deve iria criar uma desconfiança entre todos nós que desarticularia a economia", "era um risco de alteração dos comportamentos sociais de consequências perfeitamente imprevisíveis", frisou. E concluiu: "Eu percebo que o PC e o Bloco de Esquerda defendam a reestruturação, agora professores e doutorados nas universidades americanas eu não consigo entender".

Soares: "Sócrates "tardou a reconhecer a crise global"

"Esse atraso do Governo (...) foi grave para Portugal", defende o antigo Presidente da República num livro que hoje é lançado.



bin Laden - nova versão contradizem dados oficiais.

Quem conta um conto acrescenta um ponto. A expressão podia ser aplicada à operação que levou à morte de Osama bin Laden no domingo - baptizada com o nome de código Geronimo - não fosse o caso de não se tratar de um conto. Depois de dez anos de buscas, o líder da Al-Qaeda que encabeçava a lista dos terroristas mais procurados pelos EUA foi encontrado num complexo residencial de alta segurança, na cidade paquistanesa de Abbottabad. Uma equipa dos SEALS da Marinha norte-americana entrou no complexo de helicóptero e, em 40 minutos, conseguiu matar Bin Laden com um tiro acima do olho esquerdo - "enquanto se envolveu num tiroteio ao longo de toda a operação".

Esta foi a versão contada pelo Pentágono e pelo porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, desde o fim da operação. Mas ontem fontes do Departamento de Estado norte-americano, sob anonimato, avançaram uma nova versão que a desmente. As fontes garantiram ao "New York Times" que não houve tiroteio - antes uma operação "caótica e sangrenta" levada a cabo por mais de 20 SEALS que liquidaram Bin Laden e outras quatro pessoas, entre elas uma mulher e o filho do líder da Al-Qaeda, sem que aqueles ripostassem. Uma outra fonte, esta das forças de segurança do Paquistão, afirmou que Bin Laden foi morto "a sangue frio".

As contradições surgem numa altura em que as primeiras declarações de Obama sobre as fotografias da operação vêm a público. Em entrevista ao programa "60 Minutes", que será exibido domingo na televisão norte-americana, o presidente justificou a decisão de não publicar as fotos. "É muito importante para nós garantir que fotografias muito gráficas de alguém que foi atingido com um tiro na cabeça não andem por aí espalhadas a incitar mais violência - como ferramenta de propaganda", lê-se numa transcrição avançada pela CBS. "Não há dúvidas entre os membros da Al-Qaeda de que ele está morto. Achamos que uma fotografia não vai fazer diferença. Há quem negue [que Bin Laden está morto], mas a verdade dos factos é que nunca mais voltarão a ver Bin Laden a caminhar nesta Terra."

O facto de os EUA terem levado a cabo a operação sem avisar o Paquistão azedou a relação entre os dois países. Apesar de os serviços secretos paquistaneses estarem a ser questionados pelo facto de Bin Laden estar a viver no país, numa casa situada ao lado de uma academia militar, sem fazer soar o alarme, o exército paquistanês ameaçou que "qualquer acção semelhante que volte a violar a soberania do Paquistão vai justificar uma revisão ao nível da cooperação militar e dos serviços secretos com os EUA

ORGANIGRAMA DA UNIÃO EUROPEIA.

elixir

Eleições: Debates televisivos arrancam hoje com frente-a-frente entre Portas e Jerónimo

Os debates televisivos da pré-campanha para as eleições legislativas arrancam hoje com um frente-a-frente entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas, terminando a 20 de maio com o aguardado ‘confronto’ entre Sócrates e Passos Coelho.
Foto: DR
Entre hoje e 20 de maio, os líderes dos cinco partidos com assento parlamentar regressam às três televisões generalistas – RTP, SIC e TVI – para debates a dois, à semelhança do modelo adotado em 2009.
Ao todo serão dez debates que arrancam hoje com o ‘confronto’ entre o líder do CDS-PP e o secretário-geral do PCP, enquanto na segunda-feira Paulo Portas regressa ao ecrã para o frente-a-frente com o secretário-geral do PS, José Sócrates.
O líder do PSD, Pedro Passos Coelho, terá o seu primeiro debate na terça-feira, com Jerónimo de Sousa, seguindo-se na quarta-feira o frente-a-frente entre Sócrates e o líder do Bloco de Esquerda, Francisco Louçã.
Na quinta-feira o debate é entre a oposição de esquerda, com Louçã e Jerónimo, enquanto na próxima sexta-feira será o confronto entre os líderes da direita, Passos Coelho e Portas.
A 16 de maio o debate é entre José Sócrates e Jerónimo de Sousa, no dia seguinte entre Passos Coelho e Francisco Louçã e dia 19 entre Paulo Portas e Louçã.
O último debate realiza-se a 20 de maio, com um frente-a-frente entre José Sócrates e Pedro Passos Coelho.
Os debates terão a duração de 45 minutos, à exceção do último, entre os líderes dos dois maiores partidos, que será de 60 minutos.
No final do debate, é dada a possibilidade a cada candidato de fazer uma intervenção de fecho, no máximo de um minuto de duração.
As eleições legislativas antecipadas realizam-se a 05 de junho e a campanha eleitoral decorre entre 22 de maio a 03 de junho.

Fonte: Ionline



Parece que foi ontem…Em 1971 uma primeira experiência – o Teatro Laboratório de Lisboa – OS BONECREIROS, um espectáculo para a infância e juventude, encenado por João Mota, dezenas de representações em Lisboa e mais de 30 localidades em todo o país. Um Prémio da Crítica com o Melhor Espectáculo para a Infância e Juventude. Apesar do êxito, a ruptura: o João Mota, a Manuela de Freitas, O Carlos Paulo, O Melim Teixeira e o Francisco Pestana decidimos sair e levar mais longe a aventura de um Teatro colectivo, onde os actores assumiam a total responsabilidade pelo seu trabalho.
No dia 1 de Maio de 1972 nascia a COMUNA – TEATRO DE PESQUISA num 2º andar da Rua Pedro Nunes, em Lisboa. O nome foi escolhido por votação dos ouvintes de um programa de Rádio – a Rádio Renascença – a quem propusemos duas hipóteses: ou OS CÓMICOS ou COMUNA sempre com o subtítulo de TEATRO DE PESQUISA. Queríamos ter o nome do que defendíamos: o actor primordial, o artesão, em permanente mudança ao encontro dos públicos afastados do teatro, a procura de novos espaços, OS CÓMICOS e também a comunidade natural dos criadores sem escalões diferenciados no salário, nas responsabilidades, uma relação frontal com a outra comunidade, os espectadores – A COMUNA.
O público escolheu e nós avançámos com o primeiro espectáculo baseado em textos do primeiro autor do teatro português – GIL VICENTE – com o título de “PARA ONDE IS?” – pergunta que sempre quisemos presente no nosso caminho. Chamámos para o nosso lado actores vindos do teatro profissional, do teatro universitário e jovens recém-saídos do Conservatório Nacional. De cinco passámos a 14 a ensaiar em ginásios de escolas, salas de colectividades, em casa de uns e outros … E cinco meses depois estreámos – no dia 22 de Outubro – dia de anos do João Mota, o nosso encenador, numa garagem transformada em Teatro, na Praça José Fontana, em frente ao liceu Camões, alugada pelo empresário teatral Vasco Morgado, que nos emprestou também os panos com que forrámos as paredes, a estrutura da bancada do público, e alguns projectores. Os bilhetes tinham o preço único de 20 escudos e ali ficámos a esgotar 150 lugares por noite, durante quase meio ano. O primeiro subsídio veio da Fundação Gulbenkian, 160 contos, já que ao Estado desde logo nos recusámos a pedir subsídios. Dali passámos, por oferta de Manuel Vinhas para a Sociedade Central de Cervejas na Avenida Almirante Reis, numa antiga sala de fabricação, entre ratos, chuva, caves alagadas e cargas policiais a estudantes na vizinha Praça do Chile. Ali nos mantivemos até Março de 1975 em que na companhia de cento e tal espectadores ocupámos o Casarão Cor-de-Rosa da Praça de Espanha, antigo Colégio Alemão e Lar de Mães Solteiras da Misericórdia e abandonado há vários anos. E aqui estamos há 30 anos, bem vividos em convívio permanente com a cidade e o público.
O resto é como as histórias que ainda não têm fim: a Casa da Criança, o Centro Cultural, os Projectos de Alfabetização, o Clube dos Amigos da Comuna, os Cursos de Teatro, as Exposições, os Concertos, os Debates, a abertura de 4 salas permanentes divididas com dezenas de outras companhias, e os Espectáculos de Teatro, mais de 90 criações de espectáculos destinados a todo o tipo de público: crianças, jovens, adultos e ainda a experiência inovadora do Café-Teatro e depois ainda a Palavra dos Poetas, criadas por Carlos Paulo.
Desde 1973 o nosso caminho também se fez pelos caminhos do mundo. Actuámos nos principais festivais de Teatro de todo o mundo, em mais de 19 países, dezenas de cidades, milhares de pessoas na Europa, na América e em África. Alcançámos um prestígio internacional único para uma companhia portuguesa e sobretudo resistimos aos habituais complexos de inferioridade com que teimosamente continuamos a querer olhar-nos. Fomos uma Companhia de referência do teatro mundial nas décadas de 70 e 80 e connosco vieram trabalhar actores oriundos de França, Venezuela, Suiça ou Alemanha.
Também percorremos Portugal de lés-a-lés, participando regularmente nos principais Festivais de Teatro que se realizam no nosso país, para lá de termos actuado em dezenas de cidades, vilas e aldeias.
Fomos ainda os pioneiros nas famosas Campanhas de Dinamização Cultural do MFA realizadas em 1974 e 75 levando o teatro a sítios onde nunca se tinha assistido a uma representação.
Também a dramaturgia portuguesa, a par dos grandes textos clássicos e contemporâneos do teatro mundial, foi para nós a preocupação primeira – representámos os grandes clássicos portugueses e demos a conhecer os jovens dramaturgos que o 25 de Abril permitiu crescer.
Pela nossa casa passaram mais de uma centena de actores, para lá das dezenas que formámos e dos quais alguns hoje são nomes importantes do teatro português.
Temos sido fiéis àquilo que nos propusemos em 1972 ao nosso primeiro manifesto apesar dos governos (tantos) dos ministros (mais do que a conta) das políticas culturais (quais?) das modas, das televisões, das capelinhas, dos ódios de estimação, a COMUNA orgulha-se de estar viva e de continuar a ser um espaço permanente de Pesquisa de um Teatro Vivo, dramaturgia de ruptura, espaço de nascimento e crescimento de novos actores e autores, um laboratório permanente em consonância com um público que conhecemos já em terceira geração, e que sabe que cada vez que vem à nossa Casa é para partilhar um espaço que também lhe pertence, pois a nossa história é também a Vossa história. Porque só assim o Teatro tem sentido para nós!!

poema de sal


Nasço

na raiz translúcida,

na seiva e na sombra,

na folha branca de espuma

me desfaço...,

e na sal-gema

do choro e do grito,

no silêncio que inflama,

nessa alva cama...

faço-te poema!



Maio de 2011

O FMI aprendeu alguma coisa (à custa dos gregos e irlandeses)?


O FMI aprendeu alguma coisa com a experiência da Grécia e da Irlanda? A minha resposta é: sim e não.

O FMI parece ter aprendido que a austeridade em contexto recessivo tem efeitos muito mais negativos no crescimento e no emprego do que ainda há bem pouco tempo supunha.

Temos assim neste pacote cortes profundos na despesa pública e aumentos de impostos e taxas comparáveis, senão superiores, aos do Orçamento de 2011 e do PECIV, associados a uma previsão de recessão com duração de dois anos, em 2011 e 2012 (com uma queda do PIB real acumulada de mais de 5%). Estamos assim longe dos cenários idílicos de austeridade com crescimento do governo Sócrates e dos economistas que aconselham o PSD.

Este pacote não é nada suave. Os cortes na despesa pública e os aumentos de taxas, impostos e preços de serviços públicos têm um impacto maior no orçamento familiar do que qualquer corte no décimo quarto mês. Os efeitos previstos no défice e na dívida é que são moderados, mais reduzidos e lentos do que os que o governo anteriormente prometia com medidas semelhantes.

Mas o FMI ainda não aprendeu que o crescimento, e a consolidação orçamental pela via do crescimento, só são possíveis com investimento (necessariamente público porque em recessão os privados, quando não abrem falência, só “investem” em activos financeiros ou pagam dívidas).

O aumento da competitividade de que fala o FMI, e que recomenda como via para o crescimento pelas exportações, seria conseguido exclusivamente à custa da redução dos custos salariais directos e indirectos. É por isso que este pacote vai longe nas medidas destinadas a pressionar a descida dos salários: montante, duração e condições de acesso ao subsídio do desemprego, agilização do despedimento individual, não pagamento de prestação de trabalho extraordinário, etc.

No entanto, a descida dos salários nominais não só é difícil de conseguir quando os salários são muito baixos, como não aumentaria a competitividade da economia portuguesa, não favoreceria o crescimento e não reduziria o desemprego de jovens e menos jovens. As medidas de desprotecção dos desempregados terão como efeito o aumento da “informalidade” e da ilegalidade e a expansão da economia familiar de subsistência. Mas isso são coisas que os tecnocratas do FMI não podem compreender, tal é a distância entre os seus modelos mentais e a realidade da sociedade portuguesa.

Essa será mais uma lição que o FMI terá de aprender, infelizmente à nossa custa.
 
blog Ladrões de bicicletas

UMA MULHER NA LUTA CONTRA A VIOLÊNCIA SOBRE A MULHER - A MULHER COMO PRODUTO DE CONSUMO





quinta-feira, 5 de maio de 2011


A mulher como produto de consumo...

As estratégias de comunicação em geral, vinculadas ao mercado e à necessidade de vender produtos, geraram uma relação muito direta entre consumo, prazer e poder. E a mulher aparece aí quase que como o próprio produto de consumo.

É assim que se vende cerveja, é assim que se vende carro, é assim que se vendem máquinas de lavar roupa - por motivos óbvios -, se vende qualquer coisa a partir da figura feminina, especialmente a partir do corpo da mulher..

O que acontece no caso da menina que imita a dança do tchan e um determinado comportamento de um artista que representa esse símbolo de sexualidade, é que ela está jogando de forma simbólica, está brincando com isso, e pensando sobre ela adulta.

Mas os adultos que a vêem produzindo isso dessa forma constroem sobre ela circunstâncias de poder, de sexualização precoce e de violência.

Por outro lado, também trabalha com um aspecto muito poderoso que é a formação de uma cultura de violência sobre as mulheres, sobre as crianças, algo que, em geral, fica impune, que não é considerado como algo relevante ao ponto de se mobilizar de verdade os setores públicos para o enfrentamento.

Então, esse tema interage majoritariamente com o tema das mulheres e o das crianças, desprovidas de qualquer poder. Frente a esse contexto, eu avalio que conseguimos fazer uma importante mobilização da sociedade brasileira, dar ao tema uma dimensão nacional e romper estereótipos importantes no sentido de compormos uma idéia de que se trata de um fenômeno presente em todas as regiões do país, com as suas diferenças regionais e seus determinantes culturais e econômicos, mas presente em todo o Brasil. 

Ou seja, a exploração sexual se dá por diferentes vias, diferentes formas. As rodovias passam a ter importância neste tráfico e passam a ter importância também no acobertamento dessa atuação criminosa, porque a criança explorada, a adolescente explorada - menina em geral, mas também meninos -, levadas de um lugar a outro pela rodovias, são praticamente invisíveis aos olhos das autoridades.

A internet também passou a ocupar um papel relevante. E mesmo ao falarmos de turismo sexual, nós podemos falar do Nordeste, sim, mas, quando observamos essa região, temos que falar do Sertão nordestino, do interior nordestino, bem como do Norte do país, do turismo de caráter ecológico, do Pantanal mato-grossense, das grandes capitais litorâneas. Ou seja, mesmo no caso do turismo, precisamos falar de todos esses segmentos.

Então, a forma como ele é dimensionado no Norte e no Nordeste é diferente do modo como é tratado no Sul. Isso, em termos de pesquisa social, acaba não permitindo nenhuma quantificação e essa é uma fragilidade que nós temos. 

Outro estereótipo que se rompeu, e que esteve muito presente nestes dez anos, é a idéia do empobrecimento, da situação econômica, como único fator determinante do engajamento na exploração sexual.

É um fator determinante, com certeza, mas não é o único. Existem fatores relacionados a gênero, à cultura, à expectativa, aos papéis sexuais diferenciados, à exposição das mulheres na mídia. Todos esses fatores concorrem muito fortemente.

Além disso, existem os padrões de consumo exigidos da juventude e impossíveis de serem sustentados na prática.

Tanto que encontramos, ao lado de uma menina completamente empobrecida, sendo explorada sexualmente para ter acesso a crack, outras de padrão social médio que, ao serem entrevistadas foram acompanhadas de suas próprias mães - a quem também sustentam com a situação de exploração sexual em que vivem - e nos disseram que o que elas buscam é passar na frente de uma vitrine e poder comprar o que está ali, o seu desejo de consumo.

Elas se apresentam, normalmente, como sendo casadas com algum estrangeiro, namoradas de algum estrangeiro, que paga mensalmente uma soma para que elas fiquem a sua disposição, tanto em viagens para a Europa, quanto ficando aqui no Brasil a disposição deles.

O que, em geral, não é cumprido por elas, porque elas mantém uma série de programas, mas todas com o mesmo nível social em hotéis de luxo das cidades de qualquer lugar do Brasil.

Então, o crime aqui não é só o crime do submundo, é o crime do lucro, da transformação de corpos em mercadorias realmente, em todos os sentidos e para todos os consumidores, com todos os preços imagináveis, desde ‘mercadorias’ de baixíssimo valor até aquelas do mais alto valor. Nos dois casos, assistimos à transformação do corpo humano em nada mais do que um objeto.

De fato, não sei se o que houve, em termos de comunicação, foi planejado, ou se os setores que decidem sobre ela avaliaram alguma vez os efeitos dessa coisificação da mulher.

Sem falar da fragmentação do próprio corpo feminino que vem ocorrendo já há muito tempo. 

Desde grupos musicais até programas de televisão, os meios de comunicação de massa em geral construíram uma idéia da mulher a partir de partes do seu corpo. É um bum-bum assim, é um seio desse ou daquele jeito, etc., ou seja, absolutamente fragmentando cérebro e corpo.

De uma certa forma nós cultuamos a velha idéia do ‘é bonita e burra’.