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quarta-feira, 20 de abril de 2011

na Sé de Faro

cardo - cardas - cardadas

boas pastagens
no brejo no prado
melhor é o queijo
se florido o cardo
manhãs de geada
calos na mão
nas botas as cardas
pra ganhar o pão
mulher esperando
o amor é sã
cardadas as mantas
da mais pura lã
António Garrochinho

ENTREVISTA NA ÍNTEGRA - Jerónimo de Sousa entrevistado por Clara de Sousa.


Entevista Clara de Sousa a Jerónimo de Sousa secretário geral do Partido Comunista Portugues.
(entrevista na íntegra) calque no link abaixo se faz favor !
http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2011/4/jeronimo-de-sousa-entrevistado-por-clara-de-sousa-entrevista-na-integra19-04-2011-215615.htm
banana anda obcecado pela laranja e vice versa
 

tu é que és o culpado
                   - não ! o culpado és tu
                   e diz o povo cansado
                   que cada um termine a quadra conforme as suas posições políticas e razões !                 

viagem


Les Sauvagines d'Angelle - arte com sementes secas e espinhos. lindo !










feira, 20 de Abril de 2011

Soares – Sem sombra de surpresa


Confesso que quando vi as notícias das recusas, por parte do PCP, dos Verdes e do BE, à participação nas reuniões com a troika do FMI e dos outros... pensei logo com os meus fechos éclair e um colchete: Danou-se! E agora o que é que vai dizer o doutor Soares, “balhamedeus”?!
Agora a sério, esta notícia, já repescada, garantindo que Mário Soares não ficou surpreendido com a recusa do PC... também não me surpreende nem um pouco. Soares já conhece relativamente bem os comunistas portugueses, mas nada que se compare com o conhecimento e convívio que tem tido com o FMI e a “europa connosco”, de que foi (e é), entre nós, o principal lacaio. Sabe muito bem, portanto, que uns e os outros não ligam.
Os seus amigos americanos vieram sempre em “seu auxílio” de cada vez que os capitalistas portugueses precisaram muito e era necessário alguém de fora para fazer o trabalho sujo de esmagar os direitos dos trabalhadores e roubar ordenados e pensões, permitindo aos seus amigos do PS salvarem a cara e manterem as aparências... mesmo que o “socialismo” já estivesse (sempre esteve!) na gaveta.
Nas duas vezes em que fomos roubados pelo FMI, a primeira em 1977 e a segunda em 83, o principal pretexto para as dificuldades e para a brutal austeridade foi o “choque petrolífero”. Das duas vezes o povo pagou duramente a restituição dos milhões que os capitalistas sentiam fugir-lhes das mãos. Das duas vezes, era primeiro-ministro Mário Soares.
Na verdade, para além do pretexto do "choque petrolífero", o país afundou-se, em 1977, em resultado do violento boicote internacional à Revolução de Abril, somado à massiva fuga de capitais criminosamente cometida pelos senhores “do antigamente”, que em vez de terem os dentes partidos por essa traição, foram recompensados com rios de dinheiro do FMI.
Na verdade, para além do repetido pretexto do "choque petrolífero", o país voltou a afundar-se, em 1983, principalmente porque grandes empresas e a banca, começaram a ficar estranguladas com as novas políticas monetárias da Reserva Federal dos EUA e a consequente subida dos juros, imposta pela chegada ao poder dos neoliberais, curiosamente, os “gurus” políticos e económicos do inútil que agora lidera as hostes da São Caetano e do PSD.

De todas as vezes Portugal foi "aliviado" de copiosas toneladas das suas reservas de ouro.
Resumindo... embora o calhordas Soares tenha aproveitado esta sua “não surpresa” pela recusa do PC em colaborar com o FMI, não para valorizar essa posição de coerência, ou para constatar (ainda que discordando) a existência de uma posição e projeto alternativo na defesa do interesse e soberania nacionais, mas sim para cantar louvores ao FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia (que é para isso que é pago há muitos anos)...  eu, pela minha parte, quero afirmar que também não fiquei surpreendido com essa recusa... mas pelas razões certas.
Colaborar, seria como se alguém viesse assaltar-me a casa e eu, voluntariamente, ainda me dispusesse a ajudar os ladrões a embalar as minhas coisas e levá-las para a carrinha. Não contem comigo! 

Outro mundo é possível... mesmo que por enquanto tenha que me deixar roubar.
 
pub: Samuel O Cantigueiro

A Economia Moral da Dívida


“Os portugueses vivem acima das suas possibilidades”. É uma proposição moralista vinda de quem gosta de dizer que a economia é amoral.

Em Portugal o saldo da conta corrente tem sido negativo, isto é, a balança de pagamentos é equilibrada com empréstimos contraídos no exterior pela banca, o estado e as grandes empresas públicas e privadas. Este saldo negativo acentuou-se desde a entrada no Euro. Portugal viveu a crédito e isso só é possível durante algum tempo. O moralista pergunta: quem é responsável? E responde: “Todos”.

Não, não somos todos responsáveis.

A história dos países periféricos da Europa reproduz em escala macro o drama do “subprime”. Um pobre endivida-se quando lhe oferecem crédito ao preço da chuva e acredita que poderá pagar porque a coisa que adquire com o dinheiro emprestado se está a valorizar e se irá continuar a valorizar no futuro. O dinheiro emprestado irá torna-lo mais rico e sendo rico pagará com facilidade. O usurário por acaso até sabe que o pobre irá explodir um dia e por isso mesmo passa a batata quente da dívida a outros pobres (e ricos) impingindo-lhes produtos “derivados” recheados de hipotecas duvidosas. Quem é responsável? O pobre ou o usurário?

Como é esta história na versão macro? Os bancos e outras instituições financeiras tendo em mãos recursos financeiros abundantes, cujos donos não querem, ou não podem, canalizar para a “esfera real”, emprestam-nos aos estados, aos bancos e às grandes empresas das economias deficitárias a juro baixo. Estas economias esperam crescer com o investimento privado e público e a expansão da procura interna. Essa era a promessa da convergência na UE. Crescendo poderão fazer face à divida. Os credores por acaso até sabem, ou suspeitam, que o crescimento não é garantido e que o processo de endividamento não se pode prolongar indefinidamente. Mas isso não lhes interessa nada porque no fundo acreditam que se a coisa não correr bem lá estarão as instituições internacionais para garantir que os Estados dos países endividados obrigam os pobres desses países a pagar a dívida privada e pública. Quem é responsável?
 
Blog - Ladrões de bicicletas