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domingo, 17 de abril de 2011


          O preço da gasolina em Portugal vai encarecer na próxima semana para um novo recorde.
Nas últimas semanas todas as gasolineiras têm vindo a reflectir a subida dos preços dos combustíveis nos mercados internacionais. Gasolina e gasóleo já aumentaram cerca de 14 e 17 cêntimos, respectivamente, desde o arranque do ano e a tendência parece ter chegado para ficar.

Na próxima semana o cenário repete-se. É que o comportamento dos mercados antecipa mais uma subida do preço da gasolina. Já o gasóleo deve registar uma descida ligeira, naquela que a acontecer será a quarta desvalorização do ano.

Os preços praticados pelas gasolineiras têm como base a cotação média da gasolina e do gasóleo na semana anterior. Tendo em conta que, segundo dados da Bloomberg, o preço da gasolina nos mercados internacionais aumentou 0,34%, antecipa-se uma subida do preço deste combustível já a partir de segunda-feira.

Por outro lado, as cotações do gasóleo deslizaram 2,33% face à semana anterior, pelo que os preços nas bombas devem descer.

O preço de referência do litro de gasolina em Portugal está actualmente em 1,619 euros, enquanto o preço do gasóleo ronda os 1,445 euros por litro. São os preços mais elevados de sempre
O plano desenhado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para apoiar financeiramente Portugal tem um prazo maior do que a proposta da Comissão Europeia, logo, acarreta juros mais baixos, pelo que merece a preferência dos economistas portugueses contactados pela Lusa.
<p>Os economistas lembram a visão social de Strauss-Khan</p> Os economistas lembram a visão social de Strauss-Khan
 (Yuri Gripas/Reuters)

“A lógica apontaria para que fosse ao contrário, ou seja, os papéis acabam por estar invertidos”, disse à agência Lusa o economista Luís Nazaré, ligado ao PS, quando questionado sobre os detalhes que vão sendo conhecidos sobre o plano de resgate a Portugal pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu (BCE), e FMI.

Já o economista João Duque, conselheiro do líder do PSD, Pedro Passos Coelho, admitiu “ter ficado um pouco surpreendido” ao ter conhecimento (ainda que pouco profundo, sublinhou) dos planos que o FMI e Bruxelas têm em cima da mesa. “Parece-me mais adequado o plano do FMI do que a proposta da Comissão Europeia”, salientou à Lusa, explicando que o essencial, nesta altura, é aliviar a pressão financeira sentida por Portugal mas dar fôlego a algumas injeções de investimento que melhorem a competitividade e a produtividade do país.

Também Manuel Caldeira Cabral, professor de Economia na Universidade do Minho e próximo do PS, alinhou pelo mesmo diapasão, considerando mesmo que “há algumas coisas em que o Atlântico está hoje invertido”, com a Europa a assumir uma postura mais conservadora, ao passo que os Estados Unidos da América (EUA) seguem uma política mais expansionista. “Todos têm interesse que seja implementada uma solução de médio e longo prazo, justa e equilibrada, para Portugal”, referiu Caldeira Cabral.

“Uma intervenção demasiado dura não resulta. Acho que a renegociação das condições dadas à Grécia e à Irlanda é um bom sinal”, reforçou o professor da Universidade do Minho, alertando para o perigo de, caso o resgate financeiro a Portugal não seja bem sucedido, haver um contágio a países como a Espanha, a Itália ou a Bélgica. Uma opinião que, de resto, é partilhada pelos outros economistas ouvidos.

Luís Nazaré sublinhou que o director geral do FMI, Dominique Strauss-Khan, “é uma pessoa com uma personalidade mais sensível às questões sociais”, enquanto “na Europa há hoje um forte cunho de direita, nalguns casos, com governos populistas” que querem agradar às suas opiniões públicas que, por vezes, são contrárias ao apoio aos países europeus em dificuldades.

“Isto impediu a Europa de ter uma resposta enérgica logo quando foi preciso intervir na Grécia. Considero que tem havido um défice de visão europeia”, acrescentou.O economista realçou ainda que “há um cunho conservador e populista nalguns governos europeus, que pode ser visto como uma marca egoísta do norte da Europa contra uma visão e política solidárias”.

Nazaré recordou que, por seu lado, o FMI “já passou por muitas crises em muitas latitudes, pelo que aprendeu a ser moderado nas intervenções. Percebeu que não se consegue nada com práticas sanguinárias”.

Para Luís Nazaré, “Strauss-Khan está mais próximo de Jacques Delors [político francês que presidiu a Comissão Europeia entre 1985 e 1995 e que deu um forte impulso ao processo de integração europeia] do que da Europa egoísta da senhora Merkel”.


POBREZA/ALGARVE

40 restaurantes em Faro ajudam carenciados na Páscoa

por LusaOntem

Quarenta restaurantes de Faro uniram-se ao Centro de Apoio aos Sem Abrigo contra a fome e lançam na segunda-feira a campanha "Páscoa Solidária", para angariar dinheiro e dar às famílias carenciadas, disse hoje fonte daquela organização.
"Por cada refeição servida nos 40 restaurantes aderentes à campanha da Páscoa, a CASA recebe uma pequena percentagem que será canalizada para ajudar famílias carenciadas que apoiamos", explicou à agência Lusa Isabel Cebola, fundadora da CASA em Faro, sublinhando que a CASA "vive exclusivamente do trabalho dos seus voluntários não contando com outro tipo de apoios".
A campanha, que nesta segunda edição contou com mais restaurantes do que em 2010, visa sensibilizar a população para a "grave situação em que muitas pessoas se encontram" e é um "apelo e um alerta a todos que possam e queiram colaborar, fazendo uma refeição num dos restaurantes", acrescentou a fundadora da CASA.
O número de refeições distribuídas diariamente pelo Centro de Apoio aos Sem Abrigo (CASA) aumentou de 80 para 500 nos últimos meses, revelou Pedro Cebola, coordenador da CASA.
"Diz não há fome" é o nome da campanha "Páscoa Solidária", que este ano decorre durante uma semana, entre segunda-feira, dia 18, e dia 25 de abril.
A "Páscoa Solidária" integra ainda uma campanha de recolha de produtos de higiene para crianças, privilegiando-se fraldas, leite, sabonetes, pastas dentífricas, champôs, gel banho, toalhetes, cremes hidratantes. Os produtos doados podem ser entregues entre 21 e 23 de abril no primeiro piso do Mercado Municipal de Faro.

é tarde

espera

se outro amor existe
e no meu que ainda resiste
sorte a tua, canalha !
coração que sangra não viste
deste amor que não morreu
a esse novo que é teu
morte, canalha !
amor que matou o meu !

António Garrochinho

breve madrugada...


Tão breve a madrugada

em que tu e eu

depois de nada…

fomos ciclone no apogeu

breve madrugada de pássaros de Inverno

onde os sentidos…

arderam em braseira de penas

confesso que tão breve me perdi

nessa hora de pele e de bocados de céu

onde as nossas línguas se deram

em mar de fogo

em tão breve madrugada…!

Ser Poetisa





(...) O fogo é um elemento incontrolavel. A loucura é a minha cura. Habito entre estas duas tensões, fusas nas muitas noites impressas na tinta das minhas palavras.
Ser poetisa é vestir as rodas excitadas do fogo. Comer poesia numa precipitação em brasa, no poder firme, silêncioso. Absorvente. Assoberbado. No ar erupt...ivo das imagens lívidas por mim recriadas. É ferver num vulcão dos mil sentidos, consumida pelos orgãos e uma esfera que pensa mais alto. Numa abertura interior. É possuir a fonte oculta. Desconhecida, onde tudo se ousa e o sangue se move frenético. Onde o ardor é batido nas veias inacabados que ropem portas. È morosa, a minha loucura. Obsessiva e incustrada. Sem direcção ou posição.
Na extenuante alucinação, os sentidos em germinação. Glória num ardor exemplar, elementar. Redentor. Alucinado. Onde poema se vem nas minhas formas, adentro e, se transforma, extilhaça-me num pulsar, aberto, onde ele bate, bate, bate e me rasga universalmente, numa mão imortal que arde. Desce. Arde. Dói. Arde. Num grito. Arde na fala imensa, na mulher que grita em mim, na matéria violenta que arde, incriada no meu inconstante ventre escarlate, onde as chamas movem as palavras delicadas. Quentes. À tona do poema. À tona Do brotar que o lê. À tona do olhar que o abraça. À tona de mim, Poetisa que o desata de um jorro leito rosa, num manar secreto e eterno que entontece as nuas distancias (...)

Toma lá um set-aside nos tomates

Revoltado porque estamos entregues aos porcos (porcos orwellianos, para quem notou a referência).
Hoje em pesquisas para tentar descobrir porque é que Portugal deixou de explorar milhares de hectares de terrenos agricolas cheguei ao programa 'SET-ASIDE', que em português é como quem diz pousio.
O programa Set-aside, segundo a wikipédia, foi criado como uma medida política pela União Europeia em 1988 para ajudar a reduzir os custos da produção excedentária na Europa.

Descobri este programa 'Set-aside' num documento que fala sobre a Política Agrícola Comum  (PAC, não confundir com PEC), e que nos explica o seguinte:


Set-aside – Consiste em deixar em pousio cerca de 15% da área das explorações agrícolas que produzem mais de 92 toneladas por ano.

Objectivo: redução dos produtos excedentes.

Implicações da norma no sector dos cereais: impediu os agricultores portugueses de produzirem certos cereais de forma a não concretizarmos o nosso objectivo que  consistia em desenvolver a agricultura, principalmente no Alentejo.




Ou seja, a União Europeia pagou-nos (a mim não, mas a alguém...) um prémio para deixarmos de explorar terrenos agrícolas que na perspetiva da UE, cria produtividade excedentária, porque na Europa já não seria preciso tanta produção. E como tal, pagam-nos para deixarmos de criar produção soberana.
O que acontece é que enquanto esses terrenos estão parados, a procura aumentou e hoje em dia importamos quase tudo do estrangeiro em vez de produzirmos nossos.
Ora, se não produzimos produto para nós, temos de importar dos vizinhos europeus e assim criar mais dívida.

Mas o que estou a dizer não é novidade.
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em 2006, criou um documento que pode ser visto aqui, em que avisam:
Estes últimos 20 anos foram pautados por políticas agrícolas nacionais onde sobressai:
Uma afectação de recursos financeiros socialmente distorcida, centrada nos sectores de grandes áreas e explorações (cereais/arvenses, carne em regime extensivo, set-aside/pousio a receber sem nada produzir, etc.).
Veio a Reforma da PAC em 1992 e tudo se começou a alterar, PARA PIOR :
- Diminuição dos Preços ao Produtor, [...], pagar para não se produzir, (o tristemente famoso set-aside).
VINTE ANOS DEPOIS E APÓS 30 000 MILHÕES DE EUROS GASTOS EM NOME DA AGRICULTURA:
# Temos menos explorações e menos Agricultores
# Temos 150.000 hectares (com tendência a aumentar) improdutivos, em Pousio/Set aside.
# Vimos diminuir a nossa Soberania Alimentar e aumentar o déficit da Balança Agro-Alimentar.

A Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP) também avisou:
Finalmente chama-se a atenção para o aumento significativo das áreas em set-aside, que em 2002 atingiu cerca de 22% da área total.


Mesmo sem considerar o set-aside, Portugal tem hoje 2 milhões de hectares de terreno ao abandono, que poderia ser explorado para benefício nacional.


Hoje em dia quando vamos às compras, mais de metade dos produtos alimentares disponíveis são de origem estrangeira, contribuindo assim para as economias estrangeiras e prejudicando a nossa. Como é que poderiamos algum dia recuperar a dívida se nos limitamos a gastar dinheiro importando produtos, quando deviamos era produzir cá para exportar?


Deixo as perguntas no ar: 
Para onde terão ido parar estes prémios?

Quem serão os responsavéis, ou seja, quem serão os PACmans?
Nós cá não sabemos, mas provavelmente serão parecidos à personagem do jogo, só querem é enfardar.
A revolta dos griséus