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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Tradição Algarvia - Os Maios e as Maias

Quando eu era pequena
Já ouvia o meu avô dizer
Que era um par de namorados
Que se tinham encontrado nessa manhã muito cedo
Ela à fonte foi à água,
Ele ao campo ia lavrar,
Ele ficou de arado às costas,
Ela com a bilha a pingar
De amor estavam atacados
Como diz a tradição
Nem sentiram o dia passar
Com tanto amor no coração
Olham um para o outro e dizem com muita ternura:
Ó dia de Maio, de Maio ventura
Ainda agora era de manhã
E já é noite escura




Maia algarvia

Em Estoi e um pouco por todo o Algarve os Maios são uma tradição a manter.

A partir de hoje vou publicar no blogue uma imagem diária da tradição dos Maios que no Algarve tem resistido ao desaparecimento de usos e costumes do povo algarvio. Para introdução publico um texto da autoria de José Farias que tenta explicar o motivo e razão de tais costumes culturais. As fotos recolhidas têm as mais diversas fontes, jornais, cedidas por amigos, e na internet.
.....
Os “Maios” ou “As Maias” são uma tradição já quase esquecida no Algarve, mas que nalguns pontos do país continua a ser festivamente comemorada como um símbolo da vitória da Primavera, o despertar da vida sobre o frio e áspero Inverno.

No dia 1 de Maio, nas ruas do Montenegro e na localidade de Bias, em plena EN125, enchem-se de Maios e Maias confeccionados com mestria, bonecos na sua maioria feitos à mão ainda por pessoas idosas, do tempo em que as Festas das Maias eram mais movimentadas e criticas, o que está a voltar a acontecer com muito entusiasmo.

Cada um dos bonecos representa as vivências da região.

Na região algarvia a Maia era personificada por uma boneca feita de palha de centeio, farelos e trapos, vestida com traje branco, cercada de flores.

Quando a noite caía, dançava-se em seu redor e ouvia-se, na voz das moças, o canto:
"O meu Maio moço/ Ele lá vem/ Vestido de verde/ Que parece bem”.
"O meu Maio moço/ Chama-se João/ Faz-me guarda à casa/ Como um capitão.”
Muitos destes escritos voltaram a surgir, agora, nos muitos bonecos de ambos os sexos artisticamente trabalhados à mão, com palha, centeio e panos.

A maioria deles ostenta ditos humorísticos cheios de criticas fortes à sociedade e às próprias pessoas que prometeram, mas que nunca cumpriram as suas promessas de um arruamento melhorado, de uma estrada alcatroada ou de um outro qualquer pedido que nunca chegou a ser satisfeito. As críticas vão quase sempre para as pessoas influentes da terra que poderiam fazer um pouco mais por ela.


Colocados ao longo da estrada e das ruas, estes simpáticos Maios e Maias, garbosamente vestidos e apetrechados, ou cumprindo mesmo as velhas tradições do vestir antigo, são o gáudio para muita gente que vê ou relê nos seus escritos velhas aspirações das gentes da região, ao mesmo tempo que estes bonecos relembram os velhos e remotos tempos em que as Festas das Maias eram celebradas na Florálias, festa romana em honra de Flora.

Antigamente havia no Algarve o velho uso e costume de as pessoas irem para o campo, ao alvorecer do 1º de Maio, para celebrar a chegada da Primavera. As moças enfeitavam-se, então, e por toda a parte se erguiam Maias, que são as giestas em flor.

Ano após ano, no mês de Maio, por todo o lado, as giestas em flor povoavam a terra verde e adornavam as janelas, as portas, o gado, as crianças e os jovens. Esta é outra tradição quase no esquecimento no Algarve, mas que está agora a renascer, de ano para ano, com a reunião de familiares e amigos e a romaria para os campos onde já é costume não faltar a carne para assar na brasa, o vinho e os saborosos caracóis cozidos com o aroma dos orégãos.