AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

1983 - Luís Cília - "Inventário"



Adriano vai na memória
Dos séculos que há na canção
Que persiste em ver na História
O reverso desta ilusão.
Vai a Grandola cantando o Zeca
O Sérgio está mais gordinho
O Fausto ficou careca
E eu feito num desalinho.

O GAC perdeu o pé
Tropeçou, caíu no poço
Canta o Graça um fado em ré
Diz o Branco um Padre Nosso.
Nas maminhas da Maria
Não há ninguém que não toque
Há guerra na Academia
Quando o Coiro canta o rock.

A velha diz que se mata
O Partido perdeu a linha
Só por causa do Barata
Querer cantar prá criancinha.
A canção do punho erguido
Partiu o punho, que chatice.
Matei o porco, fiz um enchido
Fiquei cheio de aldrabice.

Eu, disco d'oiro e tu, de prata
Reina a selva na canção
Há quem faça discos de caca
P'ra ver se chegam ao milhão.
Já cantaste na Patagónia
Em Badajoz e no Seixal
E como vives da Parvónia
És uma star internacional.

Quem não sabe fazer nada
Quem não lê e escreve mal
Vai prá polícia montada
Ou p'ra crítico musical.
Diz do primo, que esse é que sim
E do cozido, que é português
Vai dizendo mal de mim
E apadrinha dois ou três.

Agora, para ser artista
É preciso ir à TV
Ao concurso pluralista
Bardamerda, vá você.

Quem perde no Festival
Da canção dos vomitórios
P'ra consolo do seu mal
Meta três supositórios.

Vi um burro comer alpista
Vi voar um camaleão
Um general que é pacifista
E que não gosta do neutrão.
Vi uma bomba que é uma ofensa
E vi a outra, que é muito boa
Só não vi foi a diferença
Se uma delas cai em Lisboa.

Vou mudar de profissão
Ninguém ouve o meu recado
Isto não dá nada, não
Vou, mas é, p'ra deputado.
Porque a minha cama é fria
Não vou ficar ao relento
Espero ir dormir um dia
Nas sessões do parlamento.

Depois desta canção
É que vou ouvir das poucas
Mas aceito a condição
De Cília. o Manda Bocas.
Parece que canto mal
Ao que diz o Índio Chupista
Que até chupa o Capital
P'ra mostrar que é progressista.

Acordai

Letra: José Gomes Ferreira


Acordai
...acordai
homens que dormis
a embalar a dor
dos silêncios vis
vinde no clamor
das almas viris
arrancar a flor
que dorme na raíz

Acordai
acordai
raios e tufões
que dormis no ar
e nas multidões
vinde incendiar
de astros e canções
as pedras do mar
o mundo e os corações

Acordai
acendei
de almas e de sóis
este mar sem cais
nem luz de faróis
e acordai depois

mais um amolador

Acordei com um som estranho vindo da rua. Uma mistura de maçarico com apito . Olhei pela janela  e parado na calçada estava um senhor com um instrumento pra lá de esquesito, um antigo amolador de facas, e tesouras. Procure no arquivo deste blogue outro amolador em vídeo-entrevista por Adão Contreiras.