AVISO

O administrador deste blogue
não é responsável pelas opiniões
veiculadas por terceiros
nem a sua publicação quer dizer
que delas partilhe, apenas as
publica como reflexo da
sociedade em que se inserem
dando-lhes visibilidade
mas nunca fazendo delas opinião própria.
Ao desenvolturasedesacatos reserva-se ainda o direito
de eliminar qualquer comentário anónimo ou não identificado, que contenha ataques
deliberadamente pessoais, que em nada contribuampara o debate de ideias ou para a denúncia
de situações menos claras do ponto de vista ético.


terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Viagens



 Numa tarde em que me sentei ao lado de dois velhotes no banco mais propício á panorãmica do Largo, o tema da conversa dos dois idosos era a ceifa no Alentejo.Por ali foram percorrendo aldeias e montes falando da miséria desses tempos intervalando com peripécias da juventude onde cabiam os namoros quase proibidos,  com a vida de agora que até já nem "balham"  agarrados.
Faziam comparações, falavam da vida árdua mas barata, lembravam o nome dos antigos capatazes e agrários e iam disputando entre si,  nomes de estações e apeadeiros dos caminhos de ferro onde o importante era a Funcheira para beber um copito e comer a pouca comida levada no farnel.Falavam de Lisboa e recordavam-na na única vez que a visitaram convictos de que a cidade ainda hoje estaria como no tempo da sua visita.
A cavaqueira era lenta e um deles adormeceu. O companheiro deu-me um toque no braço e disse baixinho...olha Tóino ! já dorme que nem um de " rabo torcido ".
Sem prever os acontecimentos, fiquei calado durante algum tempo e quando olho para os dois, vi que ambos dormiam profundamente.
Levantei-me e sorrateiramente deixei os dois velhotes descansando talvez depois de um dia arduo de trabalho na ceifa do trigo, ou de uma fatídica viagem á capital.


António Garrochinho
estórias do Largo (1)