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domingo, 27 de novembro de 2011


Semanada


  
Nesta semana assistiu-se à primeira evolução de Vítor Gaspar, a nossa versão parlamentarista do Estado Novo, perante a reacção do sector privado à sugestão de cortes nos vencimentos o ministro das Finanças socorreu-se do Fernando Ultich e agora justifica os cortes no rendimento dos funcionários públicos com uma nova teoria, a de que no sector privado esses ajustamentos já foram feitos. Se assim é porque razão este governo fala tanto em recuperar a competitividade e anda com a parvoíce dos feriados? Parece que há duas coisas que não faltam neste governo, mentiras e sacanice, nem isso nem mentirosos e sacanas.

Parece que a greve geral não teve adesão nenhuma, até há quem diga que o silêncio nas ruas de Lisboa devido à ausência de trânsito nas principais artérias da capital resultou do facto de os lisboetas terem pensado que era o dia internacional sem trânsito, alguns até levaram essa confusão tão a sério que em ruas onde é perigoso andar de carro foi possível voltar a ver bicicletas. Mas mais grave do que as aldrabices habituais nestas ocasiões foi o regresso do país aos argumentos fascistas por parte de governantes, ouviu-se um ministro dizer que o país precisa é de trabalho e outro preocupado com a unidade dos portugueses, Salazar não teria argumentado melhor.

À medida que o tempo passa o Passos Coelho é cada vez menos governo e o Vítor Gaspar é cada vez mais primeiro-ministro, o líder do PSD começa a assemelhar-se a uma marioneta que serve para levar as decisões do Gaspar a despacho ao Palácio de Belém ou para ir a Bruxelas comunicar as medidas que o próprio Gaspar já comunicou por via oficiosa. É por isso que a linguagem do ministro das Finanças é cada vez mais a de um primeiro-ministro e todos já perceberam que nada se faz no governo sem a concordância do Gaspar, isso explica que as negociações com o PS em torno da pinochetada orçamental sejam feita perante a presença do ministro das Finanças. Gaspar começa a lembrar o Salazar do Estado Novo e para que o Passos Coelho se assemelhe ao Óscar Carmona já só lhe falta a farda de marechal.

O Portas, o tal que pedia para votarem nele para poder amenizar o extremismo de Passos Coelho, faz lembrar o bêbado que depois de cair num barril de cerveja vinha de vez em quando à superfície para pedir tremoços. Desde que chegou a ministro o líder do CDS desapareceu, mas vai aparecendo de vez em quando para dizer que não fugiu para evitar dar a cara pela pinochetada orçamental do Gaspar.

Afinal a culpa não é do Álvaro, o Batanete da Rua da Horta Seca não é tão idiota quanto poderemos pensar depois de lhe vermos as caretas ou de lhe ouvirmos as baboseiras, a culpa desta má imagem que temos do homem que veio do Canadá de propósito com a missão de nos ensinar a deixar de ser labregos teve azar com a escolha da assessora de imprensa, uma rapariga com um bom par de meias-solas que veio directamente do soviete do PSD no DN para cuidar do homem. Afinal, a senhora revelou-se uma incompetente e foi despromovida, deu um imenso trambolhão e agora já é administradora do Instituto de Turismo de Portugal. Bem, se a senhora sofrer mais uma despromoção ainda vai parar a ministra da Economia e o Batanete regressa a Vancouver, de onde nunca devia ter saído.

Graças à imagem de competência do Moedas, à confiança dos mercados no Gasparoika, à boa imagem do Batanete da Rua da Horta Seca, ao sorriso pimba do Miguel Relvas e ao brilhantismo intelectual do Passos Coelho alteraram o rating da dívida soberana, deixou de ser quase lixo para passar a ser lixo, agora só resta que o Moedas e companhia consigam convencer as agências a considerá-la lixo sem aptidões para reciclagem.

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