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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

O triunfo dos porcos



O triunfo dos porcos 18-11-2011


George Orwell, na obra que dá título a esta crónica, coloca o narrador a dada altura a dizer “todos os animais são iguais, mas existem alguns animais mais iguais que outros”.
O discurso e registo do poder são ricos em provar continuamente a alegoria de Orwell. E é natural que assim seja, porque o poder é exercido continuadamente por capatazes do império da finança e dos interesses desse bastardo a quem ninguém chama filho, o mercado.
Por exemplo, todas as decisões são tomadas enfaticamente em nome do superior interesse público.
Vamos apenas a dois exemplos: A nacionalização do BPN foi uma decisão que defendeu o interesse público, sabendo-se que todos os portugueses, os que pagam impostos (animais mais iguais que outros) vão suportar todos os custos, até da venda?
Foi de interesse público, o governo, no processo de negociação das SCUTs introduzir a pedido de um dos consórcios, duas autoestradas já portajadas, ficando o Estado, nós todos, a pagar 1800 milhões de euros durante dezenas de anos a esse consórcio?
Agora querem-nos fazer crer que não existe alternativa à cobrança coerciva dos nossos rendimentos para pagar a incompetência, a negligência e a indigência que durante décadas presidiu ao desmantelamento do edifício que cada um foi fazendo com o produto do nosso trabalho, traduzido em impostos vários. Mas existe e eles sabem que existe.
Por exemplo, sempre que se fala da crise a partir de 2008, ameaçaram-nos com a bancarrota e o extermínio como nações e povos, se não salvássemos exatamente os mesmos que nos empobrecem e vão continuar a empobrecer.
Mais, vão dizendo que esta crise é pior que a de 1929 e que eles aprenderam com a coisa e por isso é que agora é possível fazer diferente. Escuso de evocar a situação calamitosa em que os países europeus se encontram e muitos outros, e da ameaça permanente que paira sobre nós, apesar dos cortes, extinções, anulações, castrações o que quiserem que para aí andam a fazer.
Vou resumir o que foi o new deal de Roosevelt: o investimento maciço em obras públicas, o controle sobre os preços e a produção, a diminuição da jornada de trabalho, dar dinheiro diretamente às pessoas.
Tudo isto resultou no seguinte, o dinheiro era dado a quem devia o aos bancos e estes recebendo dos seus devedores devolviam o dinheiro à economia e o equilíbrio foi-se mantendo e tudo foi recuperando. É mais ou menos assim que estão a fazer não é? A mim parece-me exatamente o contrário.
Portanto, sempre que o poder, seja o original, seja o dos capatazes, nos vem dizer que isto tem de ser assim, que temos de empobrecer para que meia-dúzia fiquem mais ricos, é no mínimo a confirmação que no reino animal do triunfo dos porcos, mesmo entre bichos da mesma espécie a igualdade é coisa que não existe nem nunca existirá.
Na obra de Orwell os porcos líderes tinham uma ideia sobre o futuro que não incluía todos os bichos nem sequer todos os porcos, e eu vejo que o meu estatuto de elemento pertencente ao reino animal, não podendo ser porco, estou tramado, quando muito borrego a caminho do matadouro.
O que é engraçado é observar a luta que se trava em algumas quintas para assumir a gamela do poder/orçamento a nível local e regional. Sim, porque isto está mal mas é para quem não tem afinidade com partidos do arco do poder, porque esses conseguem sempre ter milho que chegue para si e para a sua prol, sempre numerosa e lustrosa.
Talvez porque o toucinho tenha muita gordura, rapidamente chegados ao poder, diretores regionais disto e daquilo, diretores de serviço, chefes de divisão, etc, parece que sofrem todos um ataque de estupidez entorpecente, nivelando-se pelo nível da erva, próximos dos rastejantes e esguios bichos que apenas são predadores de coisas pequenas, bem mais pequenas do que eles, e tratam logo de aumentar o número de lugares na manjedoura para que pareça que todos somos iguais.
Mas mesmo nessas quintas, pequenas é certo, a igualdade não é para todos. É assim que apesar das múltiplas varas, ninhadas, bezeiras, enxames, temos sempre uns quantos bichos que ficando em contato com os mortais que pagam impostos e cumprem com as suas obrigações e dos outros, porque quem manda pode, corremos o risco de ficarmos conspurcados sem nunca entrar em qualquer pocilga.
Temos de criar uma quarentena para esta bicharada toda, sob pena de continuarmos a ser mandados e empobrecidos por animais rasteiros, não vertebrados, que apenas utilizam a massa cinzenta para dizer yes minister.

Jaime Ferreira
Especialista em Saúde e Família
Observatório do Algarve
'política' 'cidadania' 'bancos' 'crise' 'impostos'

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