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segunda-feira, 21 de novembro de 2011

ELEIÇÕES EM ESPANHA - VITÓRIA DE PIRRO ?

Mais um. Também o governo espanhol,  socialista por sinal, foi varrido com estrondo pelo eleitorado. O pano de fundo é o mesmo de outras mudanças políticas na Europa periférica: a crise das dívidas soberanas, o desemprego e a austeridade.
Assim tem sido, com eleições (Irlanda, Portugal e Espanha) ou sem eleições (Grécia e Itália), instalou-se a crença de que a substituição de governos chega para travar o avanço da maré de juros e de recessão que começa a instalar-se na Europa.
A onda de contestação que derrubou os socialistas, recolocou no poder o PP após um intervalo de sete anos de governação de J.L.R. Zapatero. Com uma abstenção de 28,3%, à vitória da direita nacional em quase toda a Espanha apenas escaparam as nações históricas do País Basco e da Catalunha, onde as maiores representações parlamentares foram para as formações nacionalistas – para os conservadores da CiU na Catalunha e para a frente da esquerda abertzale Amaiur no País Basco.
Apesar da continuidade do bipartidarismo – PSOE e PP somam 276 dos 350 deputados e mais de 17 milhões e 800 mil votos -, o congreso espanhol passa a partir de agora a contar com representantes de treze formações políticas, contra as nove no anterior parlamento, com um total de 54 deputados (eram 26 no parlamento anterior). De entre as formações de âmbito nacional, relevo ainda para a considerável subida da frente dinamizada pelos comunistas, a Izquierda Unida, que passa de 2 para 11 deputados e para a UPyD (de matriz nacionalista espanhola, laica e progressista) que conquista cinco deputados, contra um nas anteriores eleições gerais.
Mercados derrubam governos
Agarrados à bóia democrática das eleições, mas com os eleitorados condicionados por essa força verdadeiramente determinante que são os “mercados”, os sistemas políticos europeus têm substituído governo atrás de governo. Se assim tem sido nos países da periferia, adiante se verá o que vai acontecer no centro norte da Europa. À bóia democrática justapõe-se o peso pesado da “crise sistémica” com o seu cortejo de penalizações para as classes médias e que empurram as embarcações nacionais para um fundo de recessão. O exemplo de uma crise em tempos de globalização, em que cada uma das nações é demasiado pequena e insignificante para se opor à força dos ventos que sopram dos “mercados”.
Uma das lições que é já possível retirar é a de que política é crescentemente determinada por factores irracionais ou incompreensíveis que emanam das leituras de agências de rating e dos mercados financeiros. E que se tornaram – por obra e graça das instâncias políticas – nos verdadeiros deuses ex machina do sistema político. Políticos eleitos são cada vez mais representantes e executores de políticas não sufragadas, decididas em função de obscuros interesses dos “mercados”.
M. Rajoy em Espanha, como P.Coelho em Portugal, venceram eleições sem se comprometerem com nada em concreto, sem políticas nem medidas definidas; venceram porque estavam lá e beneficiaram do rotativismo instalado. Rajoy foi a votos pela terceira vez. P. Coelho actualizou a famosa máxima de D. Barroso “tenho a certeza que serei primeiro-ministro, só não sei é quando”.
Os continuados aumentos dos juros implícitos da dívida espanhola que já hoje “saudaram” a vitória de M. Rajoy, querem dizer que os mercados não lhe concederam a margem “de mais de meia-hora” que o líder da direita espanhola lhes havia implorado ainda enquanto candidato ao lugar.
Bem podem estes e outros lideres eleitos põr-se de cócoras a pedir favores aos mercados, pois que de pouco ou nada lhes servirá. Há que reformar no sentido do primado da política sobre a economia dos interesses particulares, nebulosos e socialmente irresponsáveis.

post Carlos Anjos
Praça do Bocage

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