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domingo, 28 de maio de 2017

DOBRADINHA


Governo "não andou bem" no processo de recapitalização da CGD



"Não andou bem o governo do PS nesta matéria [da CGD] e andou também muito mal quando entregou o Banif ao maior banco espanhol a preço de saldo e com pesados encargos para o erário público e o Novo Banco a um fundo de investimento americano, ao mesmo tempo que adiava o prazo de pagamento da banca privada de 4,9 mil milhões de euros ao fundo de resolução do BES, por 30 anos", afirmou o líder comunista.

Jerónimo de Sousa falava em Seia, no distrito da Guarda, num almoço da Coligação Democrática Unitária (CDU), que juntou cerca de 200 militantes, após a presidente da Junta de Freguesia de Almeida, Fátima Gomes (CDU), ter falado da luta da população contra o encerramento do balcão local da CGD.

No seu discurso disse que "para o capital há sempre tempo e espaço, para aqueles que hoje lutam pelos seus direitos e interesses, como a população de Almeida, isso aí atrasa, atrasa, atrasa sempre".

"Defendemos a recapitalização da Caixa como uma necessidade estratégica para a sua defesa e desenvolvimento como banco público ao serviço do povo e do país, mas não poderíamos, nem podemos aceitar um plano de reestruturação assente em centenas de despedimentos e no encerramento de dezenas de balcões", afirmou o líder do PCP.

Acrescentou que o partido também não aceita "a solução que impôs a União Europeia, e o Governo PS aceitou, que o obriga à emissão da dívida com uma taxa de juro de 10%".
"As dificuldades por que tem passado a Caixa não estão no número de balcões, nem no número de trabalhadores. Essas dificuldades têm origem na forma como foi gerida a carteira de crédito, nos créditos concedidos aos amigalhaços, sem nenhuma garantia de reembolso, nos negócios ruinosos, como aconteceu com o negócio de Espanha, entre outros", afirmou Jerónimo de Sousa.

Observou ainda que "não foram os trabalhadores, nem as populações os responsáveis pela situação, pelo que não podiam, nem podem ser eles a ser penalizados".
O líder do PCP disse também que o problema do encerramento da agência da CGD de Almeida revela que ainda é necessário "continuar a lutar para inverter o inquietante processo de desertificação, declínio social, de estagnação de regressão económica que a política de direita promoveu durante todos estes últimos anos".

O fecho da agência de Almeida faz parte do plano da CGD para encerrar 61 agências por todo o país e consta da reestruturação do banco público acordada com a Comissão Europeia, na sequência da recapitalização de cerca de 5.000 milhões de euros.

Com o fecho do balcão de Almeida, já efetuado, os habitantes têm de se deslocar a Vilar Formoso, que dista cerca de 15 quilómetros da sede de concelho, o que tem motivado protestos.


www.noticiasaominuto.com

GLORIOSO S.L.B. TETRA E DOBRADINHA - GLORIOSO VENCEU TAÇA DE PORTUGAL

VÍDEO


Entornaram as tintas

ENTORNARAAS TINTAS













apeidaumregalodonarizagentetrata.blogspot.pt

Diógenes: O inimigo da Educação que não mais esconde sua intenção



O objetivo da obsessão pela “neutralidade” nas escolas é construir apenas uma convicção firme: a de se não ter convicções firmes.O objetivo da obsessão pela “neutralidade” nas escolas é construir apenas uma convicção firme: a de se não ter convicções firmes.
A palavra “política” pode ser traduzida como a ciência da organização, direção e administração de estados ou nações relacionados aos grupos que integravam as “pólis” à época, sendo que a “polis” compreendia a comunidade organizada, formada pelos “politikos”, que eram os seus habitantes, ou seja cidadãos.

Dos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas “pólis” derivam também as palavras “politiké” (política em geral) e “politikós” (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos).

Feita essa introdução podemos afirmar que a política está profundamente arraigada na dinâmica da relação entre o Estado e seus cidadãos e intrinsecamente ligada à questão de sua educação.

Em meio à uma crise ética, de consciência, econômica, humanitária, social e ouso dizer existencial vivida no Brasil (e no mundo) eis que surge das profundezas do obscurantismo um discurso de negação da política, mas um discurso travestido com roupagem de legítimo, sob a égide de evitar-se “doutrinação ideológica” por parte de educadores nas escolas.

Tal discurso tem sido vociferado por uma extrema direita sem escrúpulos, e replicado por uma parcela da população que se porta como caixas de ressonância de ódio sobre temas que não compreendem.
Propor a negação da política em qualquer âmbito é tentar impor um princípio antidemocrático de pensamento único.

Negar a política é praticar a pior das políticas possíveis, levando-se em consideração que “a política é a arte do possível” como disse Bismarck, ou “que somos animais políticos”, como disse Aristóteles.


Paulo Freire — Pedagogia e Práxis

“Não existe educação neutra, toda neutralidade afirmada é uma opção escondida” aprendemos com Paulo Freire, patrono da Educação brasileira e mundialmente reconhecido por sua práxis educativa.

Também com Paulo Freire aprendemos ser o domínio das linguagens e das palavras um instrumento para que, alfabetizado, o aluno elabore sua consciência política, conquistando um ponto de vista mais amplo do saber e do universo no qual habita.

Situando o aluno diante de sua posição neste universo é possível despertar sua consciência crítica, capacitando-o a exercer seu papel consoante cidadão, o papel de habilitar-se a participar mais dos processos sociais nos quais está inserido.

O alfabetizado pode ultrapassar o mero conhecimento da esfera de regras, métodos e linguagens e, alçado à condição de letrado, ser inserido no plano sócio-econômico e político do qual, iletrado, jazia excluído.

A “Educação Libertadora” utilizada por Freire é tão revolucionária que transformou sua imagem no alvo principal dos ataques daqueles que propõem hipocritamente uma “escola sem partido”.
Transformou Paulo Freire, o grande educador, num inimigo a ser batido.

Gostaria de finalizar esse texto identificando os verdadeiros inimigos a serem batidos, os inimigos da Educação.

São inimigos da Educação aqueles que propõe qualquer tipo de mordaça para os educadores.

São inimigos da Educação todos aqueles que negam aos alunos a oportunidade do saber através da multiplicidade de pontos de vistas.

São inimigos da Educação todos aqueles que, sob a égide de uma falaciosa “luta contra a doutrinação marxista” tentam aprisionar saberes, impor aos alunos e educadores a prisão do pensamento único, acrítico, forjado para minimizar o pensar e reduzir o aprender a algo mecânico, apático, disforme, parcial.

Paulo Freire foi um grande amigo da Educação que, do alto de sua enorme humildade e sabedoria, disse:

“ … inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele.

Esta é a diferença profunda entre o ser condicionado e o ser determinado.”

“Querer ser livre é também querer livres os outros.”
Simone de Beauvoir



*Diógenes Júnior é cientista político autodidata, historiador independente, ativista dos Direitos Humanos, militante do PC do B.
 


www.vermelho.org.br



"Rapa das Bestas", a tradição que controla a saúde dos cavalos selvagens na Galiza


Em Maio, arranca a temporada de uma tradição galega, que remonta à época pré-romana. O objectivo é capturar, desparasitar e marcar os cavalos selvagens da região, próxima da fronteira com Portugal.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Espanha.
Há vários séculos - a data exacta perdeu-se no tempo - duas irmãs prometeram a São Lourenço (patrono da sua paróquia) duas éguas, como oferenda de salvação, perante a peste que assolava a região. Durante a praga, as jovens refugiaram-se numa cabana junto da igreja e, ao não ficarem doentes, cumpriram a promessa e entregaram as éguas ao pároco local. O religioso deixou os animais livres na floresta e, com o tempo, acabaram por se reproduzir e espalhar-se pelas montanhas próximas...
Hoje em dia, na mesma região, há uma tradição que tem raízes nesta história e que continua a levar-se a cabo. A "rapa" - captura em galego - consiste em encaminhar para a povoação, controlar, desparasitar e marcar com microchips algumas manadas de cavalos selvagens, teoricamente descendentes das éguas da lenda e realiza-se num recinto denominado "curral", onde se juntam os animais.


A tradição oral pode basear-se em qualquer uma das pestes do século XVI, mas acredita-se que, na verdade, remonta ao período pré-romano, devido aos petróglifos encontrados na região e que representam homens a cavalo. Actualmente, repete-se anualmente em várias zonas da Galiza. Durante o trabalho com os animais, os trabalhos de desparasitação revestem-se de particular importância, já que melhoram as condições de saúde das manadas. 
O concelho de A Estrada, Pontevedra [a pouco mais de 130 quilómetros de Caminha, Portugal] é uma das zonas em que as "rapas" são mais populares. Ali, estão identificadas 13 manadas que vivem livres nas montanhas e os locais garantem mesmo que há ainda outra, extremamente selvagem, que há mais de 20 anos não desce das áreas montanhosas.
Os homens e mulheres que em cada aldeia estão encarregados de dominar os cavalos durante a "rapa" são conhecidos como "aloitadores". Sabucedo é a localidade onde se realiza a "rapa" mais famosa e, além disso, diz-se que é a única em que só se utiliza o corpo e a habilidade dos "aloitadores" para dominar os animais.
O seu actual curral foi construído em 1996 e renovado em 2012, tendo hoje uma capacidade para mil e 500 espectadores, como se fosse um pequeno estádio. Algo impressionante para uma aldeia onde durante todo oa ano apenas vivem cerca de 60 pessoas. Antigamente, esta tarefa era levada a cabo entre cercas construídas com pedras, junto às igrejas.

As "rapas" arrancam em Maio e prolongam-se até Agosto. Estas fotos dizem respeito à "rapa" realizada e, Saucedo no ano passado.
Segue o autor no Twitter @FotografiAdrian

Vê também: "As alucinantes e perigosas corridas de cavalos na Guatemala"




www.vice.com

Arroz Vermelho-Aportes dos escravos na história do cultivo do arroz africano nas Américas


Assim foi até o século 18, quando os portugueses importaram do sul dos Estados Unidos as sementes do então chamado arroz-da-carolina – melhor, mais produtivo, mais branco e mais rentável. 
O plano da Coroa era substituir por completo as lavouras do arroz-de-veneza pelo novo grão, para isso, baixou um decreto em 1772, em que proibia o cultivo de qualquer outra variedade que não o arroz branco. 


















As penas pela reincidência eram severas: um ano de cadeia e cem mil-réis de multa para os homens livres e, para os escravos, “dois anos de calceta com surras interpoladas nesse espaço de tempo”. 
Por “calceta”, entenda uma argola de ferro presa ao tornozelo. 





Documentos históricos sobre o Brasil, de meados do século XVIII, fazem freqüentes referências ao arroz, especialmente a uma espécie de casca vermelha, em uma grande área do nordeste da Amazônia (Primeiro, 1818; Marques, 1870; Chermont, 1885; Alden, 1959; Nunes Dias, 1970; Barata, 1973; Hemming, 1987; Oliveira, 1993; Acevedo, 1998). 





O arroz vermelho novamente torna-se bastante comentado durante a segunda metade do século XVIII, quando um sistema de plantação do arroz desenvolveu-se no leste da Amazônia com o apoio da metrópole. O objetivo era o de desenvolver mercados amazônidas de exportação para Portugal e adjacências, reduzir a dependência do arroz da Carolina do Sul, já que as colônias americanas haviam começado a Guerra Revolucionária (Nunes Dias, 1970; Acevedo, 1998). 
A importância do arroz como base da alimentação das comunidades de quilombolas (maroons) da Guiana já era evidente no século XVIII, quando mercenários europeus foram mandados para recapturá-los; e os quilombolas freqüentemente cultivavam o arroz em áreas descampadas e em pântanos interiores.




A domesticação do arroz africano (Oryza glaberrima) ocorreu há mais de três mil anos em uma região que vai do Senegal à Costa do Marfim, muito antes que algum navegador de Java ou Arábia tivesse introduzido o arroz em Madagascar ou na costa leste africana (Portères, 1976; NRC, 1996: 23)






Do século VIII ao XVI, árabes e europeus mencionam o cultivo do arroz ao longo do interior do delta do Rio Niger e na costa oeste africana, bem como freqüentes compras dos excedentes pelos navegadores portugueses (Ribeiro 1962; Lewicki, 1974; Littlefield, 1981; Brooks, 1993). 
Durante o tráfico de escravos pelo Atlântico, os excedentes de arroz abasteceram os navios de escravos com destino às Américas (Carney, 1996a, b). 
Ademais, apesar dos numerosos estudos sobre o arroz do oeste africano, mesmo no século XX, estudiosos rotineiramente atribuem ao arroz origem asiática, sendo sua difusão para a África dita decorrente dos comerciantes árabes e portugueses (Reznik, 1932; Ribeiro, 1962; Grimé, 1976). 
A primeira está relacionada à história do arroz nas ilhas do Cabo Verde, enquanto a segunda, tratada na próxima parte deste trabalho, analisa a presença da O. glaberrima, conforme documentos, nas regiões de colonização africana nas Américas, onde as cozinhas que utilizavam o arroz ainda mantêm sua importância. 
A partir de meados do século XV, a colonização das Ilhas do Cabo Verde, em especial de Santiago, desenvolveu um ativo comércio com os povos da costa oeste africana de cera, peles, índigo, alimentos, sal e escravos (Brooks, 1993: 130, 129). Desde o século IX o litoral e ilhas distantes da costa da Guiné, da Guiné-Bissau e Serra Leoa foram importantes entrepostos para o comércio de sal a longa distância (Brooks, 1993: 80). 
O cultivo do arroz em áreas alagadas sustentou esta vasta rede de comércio, mas esse cultivo somente emergiu como um importante bem de comércio com a chegada dos portugueses. Em torno de 1479, os principais grupos étnicos da região –Baga, Diola, Balanta, Bullom/ Sherbro e Temni– já estavam comercializando sua base alimentar com os portugueses (Rodney, 1970: 21; Carreira, 1984: 27-28; Brooks 1993: 276-96).8 

Em conseqüência desse conhecimento de certa forma tendencioso, pesquisadores falharam ao não considerar a base nativa do conhecimento sobre os sistemas de produção de arroz africano e sua intensa relação com o aparecimento deste cereal nas Américas. 
A proibição durou 120 anos, tempo mais que suficiente para que o arroz-vermelho fosse quase levado à extinção e condenado ao esquecimento. 
Se não sumiu, foi porque virou prato de resistência e subsistência em certos grotões do Nordeste, onde se escondeu para fugir da vigilância da Coroa. 
Está lá até hoje, sob o nome de arroz-da-terra, refugiado em três vales contínuos do sertão nordestino: Piancó e Rio do Peixe, na Paraíba, e Apodi, no Rio Grande do Norte. 
E, mesmo ali, também periga desaparecer. Hoje a área produtiva é três vezes menor que cinco décadas atrás. Ainda assim, podemos considerá-la a maior extensão de arroz-vermelho cultivado no mundo. 
E, ao mesmo tempo, uma espécie de fóssil vivo da alimentação humana, pois se trata da primeira variedade domesticada desse cereal. Só depois é que surgiu o branco, como uma mutação desse grão original. 
“O primeiro arroz do mundo era vermelho”, assegura José Almeida Pereira, pesquisador da Embrapa Meio-Norte e coordenador da Fortaleza do Arroz Vermelho, projeto de desenvolvimento local criado pela Fundação Slow Food. 
 É uma lavoura rara, portanto, pois são poucos os lugares onde ainda se dá valor alimentar a esses grãos. O mais comum é encontrá-los em seu estado selvagem, crescendo como invasores nos arrozais comerciais e alimentando o ódio dos arrozeiros. Tem até campanha no Brasil empenhada em varrer o arroz-vermelho do mapa. 
Tamanho é o estigma que a variedade só deixou de ser considerada oficialmente uma erva daninha em 2009, quando o Ministério da Agricultura revisou a classificação oficial. 
O fato é que, historicamente, houve pouco ou nenhum interesse pelo arroz-vermelho com fins comerciais. Se sobreviveu no sertão, foi mais como uma cultura de subsistência, uma das poucas viáveis numa região isolada e miserável, que só conheceu o arroz branco em meados dos anos 1940. Por falta de opção, virou ingrediente essencial da dieta sertaneja, sobretudo na Paraíba. Ali, e em algumas comunidades rurais do Rio Grande do Norte também, o costume é cozinhá-lo com leite e servi-lo com feijão-de-corda – combinação, no mínimo, excêntrica para os paladares destreinados. 
Mais curioso ainda é o hábito local de polir o arroz-vermelho, retirando justo aquilo que lhe dá cor e sabor, que é a película que reveste cada grão, conhecida como pericarpo. Antigamente, o povo se dava ao trabalho de passar horas socando o arroz no pilão, com a intenção de deixá-lo o mais branco possível. 
Hoje, o serviço é feito em pequenos armazéns de beneficiamento, onde uma máquina chamada “descopadeira”, enorme e barulhenta, se encarrega de descascar e polir os grãos por meio de um sistema de correias. As ilhas do Cabo Verde e o arroz africano Há algumas razões que sugerem o relevante papel do arroz africano no estabelecimento de tal cultivo nas Américas. 
Apesar de rústica, a descopadeira tem papel crucial na manutenção de uma cadeia produtiva sustentável. 
Ela gera três subprodutos, e nenhum é desperdiçado. A casca vai para os aviários, onde se torna a serragem que forra o chão dos galpões. 
Os grãos quebrados, conhecidos como “xerém”, viram ração animal, que é também o mesmo destino do pericarpo. Essa película vermelha, quando retirada, transforma-se num pó altamente nutritivo chamado por aqui de “vitamina”. 
“É lá que está o ferro e o zinco. E vai quase tudo para o porco”, diz Francisco Batista, agrônomo de Piancó (PB) especializado no cultivo do arroz-vermelho. Existe também a questão do sabor, que pode ser uma virtude para um chef de cozinha, mas que no sertão chega a ser motivo de rejeição. “O povo tem preconceito. 
Não gosta do vermelho. 
Dizem que a vitamina amarga muito o arroz”, afirma Sueli Lira, moradora da zona rural de Apodi e entusiasta declarada do cereal. O gosto é intenso, de fato, mas nada que um bom garfo não possa se acostumar ou um bom cozinheiro não possa adaptar. Sueli mesmo diz que já aprendeu várias receitas, com vitamina e tudo: “Dá pra fazer escondidinho, risoto, doce de coco...”. Sem a vitamina, o que fica é um arroz menos vermelho, menos nutritivo e menos saboroso. 
E, de certa forma, mais parecido com o branco. 
“A influência do arroz comercial é tão grande que as famílias estão polindo o vermelho porque acham o branco mais bonito”, diz José Almeida, da Embrapa. De fato, a chegada do arroz comercial nas últimas décadas trouxe benefícios que as gerações antigas desconheciam, como a maior produtividade, a agilidade no cozimento e, para certos paladares, o sabor mais suave. Sem contar a incomparável vantagem de se comprar um pacote no supermercado com os grãos já descascados e polidos, prontos para o consumo.

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