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terça-feira, 23 de julho de 2019

Como o «Salto Fosbury» mudou o salto em altura para sempre




Até 1968, todos faziam o salto em altura de duas maneiras distintas: o salto tesoura e preferivelmente o straddle que você vai ver no vídeo. Mas aí apareceu um cara chamado Ricahrd "Dick" Fosbury e mudou tudo. Ele deixou a plateia boquiaberta ao revolucionar o salto em altura criando uma nova técnica ao saltar de costas; salto que passou então a levar seu nome: Salto Fosbury. Quando começou a praticar o salto em altura, ele não gostava do estilo prevalente até então, o straddle, e para desgosto de seu treinador saltava com arcaico estilo tesoura. Mas um dia, quando tinha 16 anos decidiu inventar, saltou de costas e nunca mais olhou para trás.

Em 1968 ele venceu o campeonato da Associação Atlética Colegial Americana, assim como as seletivas olímpicas, utilizando sua nova técnica. Nas Olimpíadas da Cidade do México, no mesmo ano, ele não apenas ganhou a medalha de ouro senão que consolidou um novo recorde olímpico quando saltou 2,24 metros. Pese que o coletivo do salto em altura tenha torcido o nariz, a princípio, para sua técnica, nos Jogos Olímpicos de 1972, em Munique, 28 dos 40 saltadores já utilizavam-se da técnica de Fosbury.


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Em 2013 se tornou viral um vídeo que mostrava estudantes quenianos participando de um campeonato colegial de salto em altura. Muitos diziam que este era um salto criado pela escola queniana de atletismo, mas me parece que é uma variante do salto tesoura. Veja:

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Pois se resta alguma dúvida sobre os vários tipos de saltos, este vídeo compila todos eles. Inclusive com a presença do recorde de Javier Sotomayor, de 2m45, que já dura quase 25 anos.

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A família

AS GATAS AZUIS RUSSAS




Você não pode deixar de se perder nos olhos das irmãs Xafi e Auri. As duas felinos azuis russas têm olhos verdes brilhantes que reluzem como jóias com seus casacos cinzas. Esta combinação hipnotizante rouba o foco de qualquer foto em que elas estão, mas a dupla não deixa sua beleza esconder o fato de que são gatos como quaisquer outros. O par colado regularmente estende a língua para a câmera ou até mesmo aponta um para o outro.

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Gatas azuis russas compartilham os mais fascinantes olhos verdes 01
Xafi e Auri são irmãs de sangue, mas têm idades diferentes. Xafi nasceu na primavera de 2016 e Auri mais tarde naquele outono. Quando eram mais jovens, era mais fácil distingui-las, mas elas cresceram e parecem gémeas, e saber quem é quem se torna um desafio, especialmente para os fãs delas no Instagram.

Seus humanos, Anneken e Tim, têm maneiras de saber a diferença. Auri tem uma cara mais redonda, segundo dizem , e também orelhas mais largas e pêlos mais escuros. Xafi tem uma cara mais angulada, com orelhas ligeiramente mais altas.

Além de suas diferenças físicas, os humanos de Xafi e Auri dizem que as duas têm personalidades distintas. Xafi adora ser abraçada e sentar no colo de seus humanos enquanto eles trabalham ou assistem televisão. Auri, por outro lado, ganhou o apelido de "clepto-gata" porque gosta de roubar coisas e fugir com elas, além de desenrolar qualquer rolo de papel higiénico que encontre.

Role para baixo para ver mais fotos dessas gatas e siga as futuras travessuras de Xafi e Auri em seu Instagram compartilhado.
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Gatas azuis russas compartilham os mais fascinantes olhos verdes 02

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Gatas azuis russas compartilham os mais fascinantes olhos verdes 19
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Porque os franco-atiradores alemães disparavam nos britânicos com bigode?





Os franco-atiradores do exército alemão haviam melhorado consideravelmente suas armas e sistemas ópticos desde a Primeira Guerra Mundial. Sua excelente preparação e os precisos fuzis Karabiner 98k provocaram o pânico entre os aliados durante os dois primeiros anos da Segunda Guerra Mundial. Eles literalmente botavam o terror nas linhas inimigas, muitas vezes se baseando no detalhe, na coisa banal e na visão holística que fazia a diferença no final.

Por que os franco-atiradores alemães disparavam nos britânicos com bigode?
Os snipers alemães avançavam com as tropas, cobriam seus flancos e abatiam observadores, ninhos de metralhadoras, casamatas, operadores de artilharia, provocando a desmoralização das tropas, que sentiam que nunca estavam a salvo em nenhum momento.

Uma das táticas desse franco-atiradores durante um avanço inimigo consistia em ferir primeiro os soldados situados nas últimas filas mediante certeiros disparos em seus estômagos. Os pungentes e desesperados gritos dos feridos provocavam o pânico entre seus colegas e então os atiradores alemães aproveitavam o momento de desconcerto para atingir os soldados inimigos mais próximos na cabeça.

Outra técnica similar usada pelos franco-atiradores era a de não matar, senão ferir um inimigo, e quando seus colegas iam socorrê-lo, tiravam proveito para causar um monte de baixas.
Por que os franco-atiradores alemães disparavam nos britânicos com bigode?
Os franco-atiradores alemães também conseguiram semear o pânico e o desarranjo entre as filas aliadas disparando de uma maneira seletiva nos oficiais e comandos inimigos. Em determinado momento, era tão alto o número de baixas entre os oficiais britânicos que chegaram a suprimir todo sinal ou distintivo de patentes de seus uniformes.

Apesar disso, os snipers alemães seguiam identificando e fazendo alvo entre os oficiais. Até que certo dia capturaram um desses atiradores alemães e interrogaram-lhe para saber como conseguiam identificar os oficiais, ele respondeu que:

- "Simples, disparamos nos soldados que usam bigode!"

E por que os oficiais britânicos usavam bigode? Segundo a Ordem número 1.695 do Regulamento Real de 1860:
"O cabelo deverá ser mantido curto. O queixo e a parte inferior dos lábios deverão ser barbeados, mas não a parte superior..."
No começo da Primeira Guerra Mundial os soldados começaram a obviar aquele obsoleto regulamento porque em muitas ocasiões os bigodes impediam que as máscaras de gás se ajustassem perfeitamente, com o potencial perigo de inalar o veneno.
Por que os franco-atiradores alemães disparavam nos britânicos com bigode?
Em 6 de outubro de 1916 o general Sir Nevil Macready revogou a obrigação do bigode. Mesmo assim, muitos oficiais que usavam o bigode desde que eram soldados rasos decidiram mantê-lo. Mal sabiam que estavam assinando a sua própria sentença de morte.


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A era dos eleitores cínicos



Em meio à crise civilizacional, risco de descer mais um degrau. Abandonadas pela democracia, maiorias seguem exemplo dos políticos: renunciam ao futuro e votam segundo interesses cada vez mais mesquinhos e oportunistas

Slawomir Sierakowski | Outras Palavras | Tradução: Inês Castilho | Imagem: Yue Minjun, Arca de Noé, (2006)

Muitos dos que votaram em Donald Trump para presidente dos EUA sabiam que ele é um mentiroso contumaz, assim como a base do Partido Conservador no Reino Unido sabe que Boris Johnson (1), primeiro-ministro, subiu trapaceando e mentindo. Na Polónia, não é segredo que o partido do governo, Lei e Justiça (PiS), está inchando as instituições de governo com seus lacaios, deformando a mídia pública, recompensando comparsas e minando a independência dos tribunais. No entanto, o PiS goleou os partidos de oposição da Polónia nas eleições para o Parlamento Europeu, em maio.

O fato de polacos, britânicos e norte-americanos abrirem as portas para governos moralmente falidos é sintomático daquilo que o filósofo alemão Peter Sloterdijk descreveu como “razão cínica” no início dos anos 1980. Sloterdijk argumentava que, na ausência de narrativas de progresso amplamente compartilhadas, as elites ocidentais absorveram as lições do Iluminismo mas as colocaram a serviço de interesses pessoais estreitos, ao invés do bem comum. Problemas sociais tais como a pobreza e a desigualdade já não podiam mais ser atribuídos somente à ignorância humana. Contudo as pessoas esclarecidas não tinham determinação para resolvê-las. Como diz Slavoj Zizek, hoje a operação da ideologia já não é “eles não sabem, mas estão fazendo”, e sim “eles sabem, mas estão fazendo assim mesmo”.

 Na visão de Sloterdijk, esse cinismo começou na elite. Agora todos nós nos comportamos como egoístas esclarecidos. Embora saibamos lutar contra as desigualdades, elas estão aumentando. O autoritarismo (seja russo ou chinês) lida melhor com a pobreza do que a democracia. As sociedades ricas são pouco sensíveis a guerras ou crises de refugiados.

Grandes ideias que prometem significativas mudanças sociais, sejam elas da democracia social ou da democracia cristã, estão encontrando ressonância somente entre as gerações mais velhas. Eleitores indiferentes ao fato de que populistas como Trump ou o primeiro-ministro húngaro Viktor Orban mudam suas declarações de um dia para o outro não são admiradores cegos do poder. São apenas defensores de seus próprios interesses particulares. Se reduzir emissões de gás de esfeito estufa significa fechar minas de carvão e usinas termoelétricas a carvão, aqueles que têm interesse no setor de carvão não apoiarão as políticas climáticas. Da mesma forma, aqueles que vivem nas áreas mais ricas não se importam muito com a demissão dos mineradores de carvão.

Na Europa, a emergente divisão entre Verdes e populistas parece refletir um novo eixo pós-ideológico. Nos dois lados da linha divisória, os eleitores comportam-se agora como velhos políticos, destacando determinados assuntos enquanto evitam outros cuidadosamente. Eles internalizaram a linha partidária (muitas vezes uma colcha de retalhos de antigas políticas de esquerda e direita), que repetem em grupos de discussão, nas mídias sociais e em torno da mesa de jantar. Os partidos políticos já não representam os eleitores; ao contrário, os eleitores representam os partidos, às vezes até antes de emergirem, como demonstraram os protestos dos coletes amarelos na França.

A presidência de Trump, o desastre do Brexit do Reino Unido e a ascensão do PiS e de Orban sugerem uma generalizada perda de fé no progresso. A visão de progresso da Europa Oriental foi por muito tempo sinónimo de transição do comunismo ao capitalismo. Mas três décadas de aperto dos cintos à espera de um amanhã melhor cobraram uma pesada taxa de confiança das pessoas na democracia liberal. O populismo apela aos eleitores com sua promessa de uma espécie de revolução de Copérnico, revertendo o aperto dos cintos, bem como as suposições predominantes no passado.

Pouco depois da vitória do PiS nas eleições para o Parlamento Europeu, nas quais ele obteve 45,5% dos votos, o serviço de notícias OKO.press perguntou aos poloneses, “O atual governo do PiS persegue os próprios interesses partidários mais do que os governos anteriores do PO-PSL (Partido Popular Polaco-Plataforma Cívica)?”

No total, 68% dos entrevistados responderam que sim e apenas 24% disseram que o PiS tem menos interesses do que seus predecessores. Mesmo entre os eleitores do PiS, 38% reconheceram que o aparato estatal está mais aparelhado do que sob o PO e o PSL. Quando perguntados se o governo atual do PiS faz mais para o ganho financeiro pessoal de seus funcionários do que o governo anterior do PO-PSL, 58% consideram o PO e o PSL mais honestos.

Contudo, em pesquisas qualitativas com eleitores polacos ouve-se consistentemente coisas do tipo “Sei que o PiS não é particularmente honesto, mas eles cuidam das pessoas; roubam e enrolam, mas ao menos repartem”. Em outras palavras, esses eleitores apoiam o PiS a despeito de seus óbvios defeitos, porque não acreditam que podem dar-se ao luxo de votar contra o partido que, à sua maneira, tem canalizado dinheiro e outros benefícios sociais em sua direção.

A teoria das perspectivas, modelo de economia comportamental introduzido pelos ganhadores do Prémio Nobel Daniel Kahneman e Amos Tversky, prevê que as pessoas se tornarão menos avessas ao risco se lhes forem apresentadas apenas possibilidades negativas. Nosso cálculo depende não apenas do que podemos ganhar ou perder em termos absolutos, mas de nossas expectativas e situação atual. Quando alguém que está esperando um pagamento alto recebe menos do que imaginava, fica decepcionado, ao invés de sentir-se satisfeito por ter pelo menos ganho alguma coisa.

Essa heurística mostra como os eleitores podem tornar-se ligados a políticos tipo Trump ou o líder do PiS Jaroslaw Kacynski. Eleitores polacos, britânicos e norte-americanos fizeram escolhas políticas que sabem ser arriscadas porque sentem que não têm nada a perder e, afinal, suas opções são entre “ruim” e “pior”. A defesa de ideais elevados como a democracia, a ordem constitucional e a liberdade de imprensa parece um luxo exorbitante. Eles não estão dispostos a sacrificar benefícios materiais por princípios abstratos.

Quem pode culpá-los? As corporações multinacionais ocidentais que fazem negócios na Rússia, China e outros países vêm há anos sacrificando o liberalismo em nome do lucro. Como Sloterdijk observou quase 40 anos atrás, a razão cínica escorre para baixo. Se isso ao menos fosse verdade sobre a riqueza, a história poderia ter sido bem diferente.

*Slawomir Sierakowski, fundador do movimento Krytyka Polityczna, é diretor do Instituto de Estudos Avançados em Varsóvia e membro da Academia Robert Bosch em Berlim.

(1) Texto publicado em Outras Palavras a 22/7 e atualizado por Página Global em 23/7 no referente à recente eleição do britânico Boris Johnson primeiro-ministro.


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