AVISO

OS COMENTÁRIOS, E AS PUBLICAÇÕES DE OUTROS
NÃO REFLETEM NECESSARIAMENTE A OPINIÃO DO ADMINISTRADOR DO "desenvolturasedesacatos"

sábado, 23 de junho de 2018

Milagres de Notre Dame de Paris


Ninguém gosta de comida requentada, ainda que muitas vezes nem se dê por isso graças às maravilhas do micro-ondas. Também na arte preferimos o original, fugimos das cópias, desprezamos reproduções e ficamos de pé atrás com restauros.
Tome-se por exemplo o salvamento dos templos de Abu Simbel na barragem de Assuão. Não há dúvida de que foi uma notável obra de engenharia (ao preço de quarenta milhões de dólares) e uma meritória preservação. Mas apesar de ter mais visitas num dia que as gravuras de Foz Côa num ano, para alguns nada é agora como dantes, pois têm pena de ver aquelas figuras colossais retiradas do tempo para uma montanha artificial, expulsas da escarpa onde viveram os melhores milénios das suas vidas.
009_temples-d-abou-simbel_theredlist
Abu Simbel antes da construção da barragem de Assuão
É psicológico e relativo. Claro. E tanto assim é que eu próprio partilhando a opinião que acima enunciei vou apresentar um outro exemplo em que me contradigo em toda a linha.
Sempre que tenho a sorte de ir a Paris não deixo de visitar Notre Dame, imponente exemplo de arquitectura medieval religiosa, espécie de museu ao ar livre de estatuária medieval.
OLYMPUS DIGITAL CAMERA
Notre Dame na actualidade
Para além do chamado friso dos Reis, a meia altura, outras dezenas de estátuas se distribuem pelos três portais da fachada principal do templo. Contudo, são meras reproduções!
Como é possível? Que aconteceu aos originais?
Tudo começou por um equívoco. Um documento ainda medieval transmitiu para a posteridade a opinião de que as estátuas correspondiam a reis de França, desde os primórdios da monarquia até àquele que reinava no tempo da construção. Esse texto foi como uma sentença de morte!
Em Agosto de 1793, estava-se à beira do que justamente se convencionou chamar o Terror – já tinha de facto começado, e continuaria pelo ano seguinte com a designação de “Grande Terror” – quando um articulista do jornal “A Revolução de Paris” apelou ao zelo das autoridades municipais para defenderem a sensibilidade dos cidadãos, ferida pela vista “de todos os emblemas e atributos aviltantes da realeza” esculpidos em edifícios públicos e casas particulares. O escrito incentivava os responsáveis a promover o desaparecimento dessas imagens repulsivas, a que chamava “monumentos góticos da servidão”. Em particular referia “todos os reis de pedra que decoram a fachada da igreja metropolitana” que aconselhava fossem decapitados, a exemplo do que se fizera no princípio desse ano com Luís XVI, rei de carne e osso.
notre-dame sem estátuas
A Catedral nos primeiros anos do século XIX totalmente despida de imagens
A municipalidade não desiludiu. Passado pouco tempo foi contratado um empreiteiro cheio de zelo revolucionário e profissional que se encarregou da tarefa. Os reis foram decapitados e os seus corpos atirados para a praça onde se estilhaçaram. As estátuas de reis e santos que se encontravam mais em baixo, nos portais, foram também previamente decapitados e destruídos à marreta.
Durante algum tempo ficou aquele monte de entulho encostado a uma das paredes do templo até que, por questões de saúde pública, foi contratado outro empreiteiro para fazer desaparecer dali o que restava das estátuas de Notre Dame, fazendo dos blocos de pedra o que entendesse. Desapareceram então sem deixar rasto e o templo ficou despido das suas nobres e venerandas figuras durante muitas dezenas de anos. De facto só em meados do século XIX, já longe estava o Terror, os nichos vazios foram preenchidos com as réplicas que podemos apreciar nos dias de hoje.
Réplicas? Como é possível fazer cópias se os originais, feitos em pedaços, tinham desaparecido?
Depois da tempestade a bonança, depois do Terror vamos aos milagres.
Quis a Providência que um monge, o erudito Bernard de Montfaucon, muitos anos antes, pelos princípios do século XVIII, se tivesse lembrado de desenhar e publicar em livro todas as estátuas permitindo assim a sua posterior reprodução.
figures
Página da obra de Montfaucon, “Les monuments de la monarchie française”
Mas não termina aqui a história, houve outro milagre, e este bem mais recente e documentado. Em 1977 um proprietário da rua Chaussée d’Antin mandou fazer obras no pátio interior da sua casa.
27265b664cb94b5c1e8672ab50a6539e
A casa no pátio do nº 20 da rua Chaussée d’Antin, construída em 1796
Qual não foi o seu espanto quando, começando-se a escavar a terra, apareceram fragmentos de corpo e cabeças de estátuas. Por comparação com os desenhos de Montfaucon pôde concluir-se que pertenciam a Notre Dame e que ali tinham ido parar … por milagre. Com o entusiasmo alguns acreditaram que os pedaços de estátuas tinham sido cuidadosamente colocados uns ao lado dos outros e as cabeças numa posição correcta em relação aos restos de torsos e pernas. Conseguiu saber-se quem era o proprietário dessa casa na época em que o espólio lá tinha ido parar e conclui-se que o Sr. Jean Baptiste Lakanal-Dupuget, apesar de ter um irmão devotado à revolução, era ele próprio mais realista que um monarca, e teria procedido como se estivesse a dar sepultura aos reis a quem o irmão, com as suas ideias incendiárias, ajudara a dar a morte. Dizem outros que apenas se limitou a reutilizar os fragmentos da maneira que mais lhe convinha quando em 1796 construiu o edifício. Seja como for ajudou a preservar, ainda que involuntariamente, aqueles mutilados testemunhos.
Reis para WP
Duas estátuas do Friso dos Reis. Sobre os desenhos de Montfaucon assinalam-se as fracturas provocadas pela destruição. À direita de cada uma, os pedaços recuperados.
Grande parte dos fragmentos estão presentemente expostos no museu de Cluny, incluindo cerca de vinte cabeças. Nem todas foram recuperadas e os maus tratos sofridos impedem a sua identificação segura.
Cabeças dos reis de Judá
Cabeças dos Reis de Judá expostas no Museu do Cluny
É agora altura de preguntar quem eram os reis afinal?
Como vimos até à época da sua destruição pensava-se que fossem reis de França, decisivo argumento para a sua condenação à marreta. Posteriormente contudo entendeu-se que seriam reis bíblicos. O problema é que nem os reis de França possíveis nem os de Judá juntos com David, Saul e Salomão somam os mais de trinta que ornavam a frontaria da catedral parisiense. Temos assim um terceiro milagre, o da multiplicação dos reis.


jpcnortonm.wordpress.com

et pluribus unum


quadros





DAS VOLTAS E REVIRAVOLTAS DA CORJA, SÓ O POVO SEMPRE PERDEU !


OLHARES


OLHARES
HÁ OLHARES QUE SÓ OS MAIS EXPERIENTES NA VIDA, OS QUE RECEBERAM SENSAÇÕES DO ESTAR, SENTIR E VIVER DOS HUMILDES, DOS TRANSPARENTES, DOS PUROS, DIZIA, HÁ OLHARES QUE MESMO FUGAZES ESTÃO CARREGADOS DE ADVERSIDADE, ÓDIO, AOS QUE NÃO SE DOBRAM.

HÁ OLHARES BONS, HÁ OLHARES MAUS, OLHARES DE SACANICE, OLHARES QUE EMBORA OS SAIBAMOS EXPLICAR NÃO TÊM RAZÃO DE SER.

HÁ OLHARES COM OS QUAIS NOS CRUZAMOS E NOS INCOMODAM POR DECIFRAMOS LOGO NO MOMENTO, QUE ESTAMOS NA FRENTE DE GENTE QUE SÓ APARENTA E NÃO É.

HÁ GENTE QUE É CONSTRUÍDA DE MALÍCIA, DE FINGIMENTO, E CARREGA EM CIMA DOS COSTADOS A TRAIÇÃO CONSTANTE, APESAR DE SEREM TÃO IGUAIS AOS QUE ELES DETESTAM E JULGAM INFERIORES.

HÁ OLHARES QUE SE DESPEM, E SE DESNUDAM MOSTRANDO O INCÓMODO, O DESPREZO PELOS QUE NÃO SABEM "JOGAR" NÃO SABEM ESTAR BEM COM deus e o diabo.

HÁ OLHARES QUE NOS ESTRAGAM O DIA.
António Garrochinho

NÓS TEMOS TUDO



Maria Cardoso Sissi in facebook

Nós temos tudo.
Nós não temos muito dinheiro: não vamos a restaurantes, compramos marca branca, roupa na Primark. não temos Iphones, nem plasmas, nem Bimby. nunca comemos bifes do lombo. temos um carro que às vezes não pega. nas férias vamos às praias da Caparica, Carcavelos. Vendemos o que já não precisamos para ganhar algum. tentámos emigrar para não estarmos sempre a contar tostões. nunca conseguimos poupar: nunca sobra nada. houve meses piores: em que um pacote de fraldas fazia diferença nas contas. em que adiávamos as contas da luz para o mês seguinte. mas as coisas vão correndo bem, vão andando: e às vezes compramos frango assado para o jantar. um brinquedo novo para eles. entradas no oceanário. caracóis e gelados na esplanada. o nosso frigorífico tem sempre comida. eu faço um bolo todas as semanas. vivemos bem: não sinto falta de nada.
Em Abril ele foi despedido.
Chegou a casa: abraçou-me. pediu desculpa. disse-me: fui despedido.
Disse-lhe que ia correr tudo bem, que íamos arranjar trabalho: ele, eu. eu ia servir às mesas outra vez. a Maria e o Miguel dormiam a sesta na nossa cama. Conseguíamos vê-los: um sono já leve. Vi na cara dele o medo de não ter o que lhes dar: um brinquedo novo. gelados na esplanada. uma bolacha. um medicamento. uma sopa. encostado à parede ele chorou enquanto eu lhe limpava as lágrimas.
Ele começou a trabalhar este mês.
Foram semanas difíceis: ele a adaptar-se a estar sempre em casa connosco. eu e eles a adaptar-mo-nos a estar sempre em casa com ele. às vezes mais nervosos porque os dias passavam. às vezes mais deprimidos porque os dias passavam. Às vezes com medo porque os dias não paravam de passar. é mais difícil do que se pensa: lidar com isto foi difícil.
Mas passou: ele começou a trabalhar. correu tudo bem. tivemos sorte.
Eles não sentiram falta de nada.
Estava a pensar em todas estas coisas quando vi um apelo: uma família em dificuldades. o pai desempregado, a mãe, um filho, uma menina como a Maria. pediam alimentos. pensei que podíamos ajudar. não acredito em deus: naquele momento apeteceu-me agradecer-lhe este novo trabalho. expliquei à Maria o que íamos fazer: Comprar comida para uma menina como ela. e ela ajudou-me a colocar as coisas no cesto enquanto dizia: massa para a menina. arroz para a menina. leite para a menina. cereais para a menina. disse-lhe que se ela quisesse também podia dar um brinquedo dela à menina. Quando chegámos a casa ela correu para o quarto para o escolher.
Sozinha na cozinha passei os alimentos para um saco grande: a massa, o leite, o feijão, o arroz. lembrei-me que não tinha arroz agulha na minha despensa: tinha carolino, arroz de risotto, basmati, integral. não tinha agulha. guardei um dos 4 pacotes na minha despensa.
A Maria apareceu à minha frente com a carolina na mão: queria dá-la à menina. perguntei-lhe se tinha a certeza. se não ia sentir falta dela: era a única boneca que ela tinha com cabelo. Ela pediu durante meses um bebé com cabelo. ela disse que tinha a certeza: queria dá-la à menina: meteu-a no saco.
Fui espreitar o Miguel: dormia aconchegado, enrolado nos meus lençóis que cheiravam a amaciador. estava a ficar melhor da gastroenterite: dei-lhe tudo o que ele precisava nesses dias: medicamentos para as cólicas, peito de frango cozido, papa de arroz, bananas e puré de maçã, torradas com compota. não lhe faltou nada. Beijei-o na testa: deixei-o dormir.
Fiz uma chávena de café, cortei uma fatia do bolo que fiz naquela semana e sentei-me no sofá de 4 lugares a ver um dos 74 canais que nunca vejo. quando olhei para o lado vi a Maria: estava a brincar com a carolina. perguntei-lhe se já não a queria dar. ela respondeu-me que sim, que a queria dar. estava a brincar com ela porque "às vezes vou ter saudades dela e ela vai ter saudades minhas". eu não respondi: sorri: olhei para a televisão.
À minha frente sempre: a Maria. para lá e para cá. parou: com as mãos nos meus joelhos disse-me "sabes mãe, a carolina é a única que tem cabelo, mas este bebé tem dentes, este tem chapéu, este tem uma banheira e este fala.": atrás dela alinhados no chão: 4 bonecos. ela tinha um sorriso no rosto enquanto apontava para eles. "vês?"-perguntou. vi. vi: carolino, risotto, basmati, integral.
Levantei-me envergonhada. eu não sou uma pessoa egoísta, a sério que não. mas senti-me a maior, a pior das egoístas: senti-me mal. mais pequenina do que ela, que com 3 anos já é tão grande. Disse-lhe que sim, que via. Disse-lhe que ela tinha razão. Chamei-me nomes enquanto tirei o arroz agulha da minha despensa e o coloquei no saco: a carolina já lá estava outra vez.
Às vezes digo que os meus filhos me mudam todos os dias, me ensinam coisas: grandes lições.
Uma vez uma amiga que ainda não é mãe perguntou-me: a sério? tipo o quê?
Tipo isto, "vês?".

PÃO PÃO, QUEIJO QUEIJO




BASTA LER A IMPRENSA, BASTA LER E VER AS REDES SOCIAIS, BASTA ANALISARMOS AS POSIÇÕES POLÍTICAS PARA NOS APERCEBERMOS QUE REALMENTE ESTA "PAZ PODRE" MUDOU O PAÍS, TAPOU-LHE OS OLHOS, ENCETOU UMA "VALSA DAS TABLETES" ADOÇANDO A ESPERANÇA DOS PORTUGUESES, SEM QUE ALGO DE REAL E CONCRETO, GARANTA UMA VIDA MELHOR E COM DIGNIDADE PASSADOS JÁ 48 ANOS DEPOIS DO 25 DE ABRIL.

SE ALGO MUDOU NÃO FOI DE CERTEZA A VIDA DE QUEM CONTINUA VÍTIMA DAS MESMAS INJUSTIÇAS, ROUBOS E ENGANOS, QUE PELO CONTRÁRIO AINDA SE ACENTUARAM MAIS APESAR DA PROPAGANDA E DA DEMAGOGIA.

OS DESEMPREGADOS DE LONGA DURAÇÃO, O TRABALHO PRECÁRIO, AS REFORMAS MÍSERES, O SALÁRIO MÍNIMO, O DIREITO A HABITAÇÃO, A ESCOLA O ENSINO MUDARAM ASSIM TANTO ?

SE ALGUÉM AVANÇOU, GANHOU, COM A PAZ PODRE DE CERTEZA, AFIRMO EU, NÃO FORAM OS TRABALHADORES.

OS GANHOS ? FORAM SIGNIFICATIVOS ?

VAMOS SER HONESTOS E TRANSPARENTES, FORAM ?
NÃO PODERIAM TER SIDO OPORTUNIDADE PARA CONSOLIDAR A UNIDADE E A LUTA DOS QUE CONTINUAM MARGINALIZADOS E EXPLORADOS ?

SE ALGO MUDOU DIGAM COM RAZÃO QUAIS FORAM OS AVANÇOS DA CLASSE TRABALHADORA.
A REPOSIÇÃO DE ALGUNS DIREITOS QUE OS "SOCIAIS DEMOCRATAS" OS "SOCIALISTAS, OS CDS(s) JÁ NOS TINHA ROUBADO ?

TAMBÉM NÃO CUSTA PREVER QUE MUITO CEDO VAMOS LEVAR A DOBRAR E VAMOS PAGAR CARO COMO SEMPRE A INÉRCIA E A ESTRATÉGIA UTILIZADA NO COMBATE AO NEO LIBERALISMO DAS POLÍTICAS DE ANTÓNIO COSTA QUE JÁ OMBREIA COM AS POLÍTICAS DO FAMIGERADO PASSOS COELHO.

CLARO QUE O MEXILHÃO É QUE SE F#&#%# !



António Garrochinho