sábado, 14 de Janeiro de 2012

SOMOS QUASE TODOS DESCENDENTES DE GENGIS kHAN - HISTÓRIA



DESCEDENTES DO MONGOL GENGIS KHAN

O ancestral direto de cerca de 16 milhões de homens vivos na Ásia - foi Gengis Khan [1162-1227], o conquistador mongol que formou o maior império que jamais existiu. Como as chances de nascerem meninos ou meninas são iguais, pode-se concluir que existem igualmente 16 milhões de mulheres vivas que descendem do Grande Khan. Ora, são pelo menos 32 milhões de pessoas entre os 6,2 bilhões de humanos. Uma divisão simples indica que um em cada 194 humanos descende de Gengis Khan.
Apenas 30 anos após a morte do Khan, seus descendentes diretos eram 20 mil.

A suspeitas sobre a descomunal descendência de Temujin, o nome original do conquistador mongol, surgiu em 2003, no The American Journal of Human Genetics com a publicação do estudo “O legado genético dos mongóis” pela equipe da geneticista Tatiana Zerjal, da Universidade de Oxford. 

Eles estudaram a variabilidade do cromossomo Y, aquele transmitido apenas do pai, entre 2.123 homens de 16 populações espalhadas pela Ásia setentrional, do mar Cáspio até o Pacífico – com exceção da Rússia. O estudo revelou que cerca de 8 % daqueles homens compartilham de um mesmo cromossomo Y. Extrapolando-se este percentual para o resto das populações estudadas, chega-se a 16 milhões de homens vivos com o mesmo cromossomo Y, uma taxa de sucesso reprodutivo 800 mil vezes superior à média de qualquer macho Homo sapiens. 

Prosseguindo a investigação, Tatiana e sua equipe conseguiram retraçar a origem desta linhagem masculina na Mongólia, há cerca de mil anos. Mas como uma única linhagem masculina poderia alcançar tamanha preponderância frente a todas as outras? Os homens carregando o mesmo cromossomo Y teriam que elevar a freqüência da sua linhagem na população, tanto através do maior acesso às mulheres e índice mais elevado de sobrevivência da prole, quanto pela eliminação pura e simples dos demais concorrentes homens. De acordo com o estudo, “nos últimos mil anos e naquela parte do mundo, essas condições são encontradas em Gengis Khan e seus parentes masculinos”.

Sabe-se que as hordas mongóis trucidavam todos os homens que se opusessem ao seu avanço, tomando para si suas mulheres. Sabe-se ainda que, para Gengis Khan, “a maior alegria que um homem pode conhecer é conquistar seus inimigos. É cavalgar seus cavalos e tomar suas posses. É ver as faces dos seus entes queridos molhadas de lágrimas, e tomar nos braços suas mulheres e filhas”. Segundo uma passagem do historiador persa Ata-Malik Juvaini (1226-1283), que escreveu em 1260 de um tratado sobre os mongóis: “Sobre a questão da raça e da linhagem de Gengis Khan, existem hoje vivendo no conforto da riqueza mais de 20 mil”. 

Bom, toda esta história foi pra dizer que amostras de sangue de populações da Sibéria não foram incluídas no trabalho original de 2003. E ninguém mora mais ao norte da Ásia do que os russos siberianos, certo? Só agora foi feita a investigação do cromossomo Y entre 18 etnias da região, incluindo altaicos, cazaques, mongóis, tadjiques, curdos, persas e russos, num total de 1.437 homens. 

O resultado, "Distribution of the male lineages of Genghis Khan’s descendants in northern Eurasian populations”, acaba de ser publicado no Russian Journal of Genetics pela equipe da geneticista russa Miroslava V. Derenko, do Instituto de Problemas Biológicos do Norte. Novamente, a maior freqüência de cromossomos Y encontrada na amostra é justamente aquela do Grande Khan. Entre os mongóis a concentração atinge 35%. Mas corresponde a 8,3 % dos cazaques e varia de 3,4% a 1,7% entre os povos nos montes Altai, na fronteira entre o Cazaquistão e a China. Entre os russos e ucranianos, no entanto, não se encontrou nenhum traço de sangue mongol. Os pesquisadores ainda não sabem explicar o porque disso. raderack.blogspot.com

Gengis Khan

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Temudjin
Gengis Khan
Nascimento1162
Proximidades do rio OnonMongólia
Morte18 de agosto de 1227 (65 anos)
desconhecido.

Mapa mostrando o domínio de Gengis Khan (tracejado em laranja) no século XIII

Gengis Khan
Gengis KhanGengis Cã ou Gengis Cão, grafado também como Genghis Khan (emmongol Чингис Хаан, transl. Tchinghis Khaan1162 — 18 de agosto de 1227) foi um conquistador e imperador mongol, nascido com o nome de Temudjin nas proximidades do rio Onon, perto do lago Baikal.
Gengis Khan nasceu cercado de lendas xamânicas sobre a vinda de um lobo cinzento que devoraria toda a Terra. Ainda jovem, enfrentou a rejeição de sua família por seu próprio clã, mas voltaria para conquistar sua liderança, vencer seus rivais de clãs distintos e unificar os povos mongóis sob seu comando. Estrategista brilhante, com hábeis arqueiros montados à sua disposição, venceu a grande muralha da China, conquistou aquele país e estendeu o seu império em direção ao oeste e ao sul. Gengis morreria antes de ver seu império alcançar sua extensão máxima, mas todos os líderes mongóis posteriores associariam sua própria glória às conquistas de Gengis Khan, que foi um dos comandantes militares mais bem sucedidos da história da humanidade. Segundo a revista Mundo Estranho, ele foi imperador que mais territorios conquistou na historia, dominando quase 20 milhões de km² (o equivalente a 2,3 Brasis).[1]


Temudjin nasceu na
 Mongólia na década de 1160, provavelmente em 1162. Supõe-se que seja descendente de um líder mongol conhecido como Kabul Khan, do clã Bojigin, que por breves anos obteve controle sobre uma Mongólia unificada. Entretanto, na época do nascimento de Temudjin, os mongóis estavam divididos em diversas tribos e clãs, cada uma governada por um , ou "Senhor", que impunha-se mais pela força do que pela descendência nobre. Com Temudjin não seria diferente. Quando tinha nove anos, Temudjin foi ao clã dos Merkitas para escolher uma esposa e refazer a paz entre os clãs (há muito tempo, seu pai havia roubado a esposa do Khan dos Merkitas e se casado com ela, ela era a mãe de Temudjin), mas no caminho, parou para pernoitar num clã aliado, os Onggirat, aonde se apaixonou por Borte. Pediu ao pai para praticar a escolha de esposas ali, porém, ao invés de apenas praticar, escolheu oficialmente Borte como sua noiva. No caminho de volta, seu pai, Yesugei, foi envenenado por membros da tribo dos tártaros. Sem que os filhos de Yesugei tivessem idade para assumir o controle da tribo, esta passou a ser comandada por um novo Khan, Targutai, ex-soldado de Yesugei, que expulsou a família do clã para evitar futura contestação de sua liderança, forçando-os a sobreviver nas estepes, sem gado ou cavalos. Temudjin foi até a montanha sagrada pedir ajuda ao deus Tengri (deus do trovão). No caminho foi encontrado por Jamukha, filho do Khan da tribo dos Jadaran, com quem viveu por um tempo e formou uma grande amizade, chegando a fazer um pacto de sangue. Algum tempo depois foi raptado e levado de volta para Targutai.[editar]
Juventude

Passou a infância inteira tentando fugir, mas sempre era encontrado e levado de volta, porém, quando finalmente estava grande o bastante para ser morto, fugiu novamente, mas desta vez recebeu um cavalo de um homem da tribo de Targutai que o admirava, conseguindo fugir até o clã dos Onggirat para reencontrar Borte
OBS.: Aparentemente, a família de Temudjin teria recuperado sua fortuna através de doações de clãs solidários e através do contato com outros desgarrados.

[editar]Ascensão

Como quase todos os mongóis, Temudjin provavelmente tinha sido treinado como arqueiro montado desde muito jovem. A habilidade na montaria, comandada apenas com os joelhos e a destreza no arco e flecha, aliada a uma vida dura nas estepes tornavam os guerreiros mongóis muito temidos e respeitados. Depois de casar-se com Borte, Temudjin seguiu com ela por um caminho incerto pela Mongólia, até que, um dia, os dois foram encontrados por um grupo de merkitas comandados por Chitedu (ex-marido da mãe de Temudjin), que queria a esposa de Temudjin como vingança pela ofensa que seu pai havia feito antigamente. Temudjin reuniu alguns homens que quiseram ajudá-lo (pois admiravam sua força), e foi até Jamukha para pedir ajuda. Os dois resolveram quebrar a antiga tradição que dizia que os mongóis não iam a luta por mulheres e guerrearam com os merkitas.
Ao destruir os merkitas, Temudjin encontrou Borte grávida, fazendo sua primeira paternidade ser duvidosa. Após restabelecer seu clã (formado por seus homens que sobreviveram à guerra e pelo remanescente do povo dos merkitas), Temudjin seguiu como nômade pela Mongólia, porém dois homens de Jamukha se uniram a ele. Por causa da antiga tradição de que os mongóis podiam trocar de líder quando quisessem, Temudjin não quis mandá-los de volta, ganhando o rancor de Jamukha, que ordenou a seus homens roubarem a manada de cavalos de Temudjin. Durante a defesa dessa manada, os homens de Temudjin mataram o irmão de Jamukha, iniciando uma guerra entre os clãs. Temudjin tentou fugir com seu povo, porém foi alcançado por Jamukha, que tinha em seus exércitos uma proporção de dez homens para cada homem de Temudjin. Depois de fazer inúmeras baixas no exército de Jamukha, Temudjin foi escravizado e levado até a China.
O imperador chinês se impressionou com o fato de ele ser o escravo mais caro (pois havia matado o melhor guarda do mercador de escravos) e resolveu levá-lo, ignorando os avisos de um monge, que disse que ele dominaria a China. Temudjin foi preso e humilhado. Na ocasião, o monge chinês pediu que ele não destruisse seu mosteiro depois da conquista da China. Temudjin entregou-lhe um colar de ossos e pediu que ele levasse até a Mongólia, para Borte. O monge morreu no caminho, mas Borte achou o cadáver e viu o colar, entendendo a mensagem de Temudjin. Ela foi até a China para resgatá-lo.
Depois do resgate, Borte não quis voltar à Mongólia, afirmando que ela estava corrompida e sem leis. Determinado a unificar a Mongólia, Temudjin foi até a montanha sagrada e pediu ao deus do trovão que o ajudasse a dar leis aos mongóis, nem que para isso precisasse matar metade deles. Nessa noite, elaborou as leis dos mongóis (não matar mulheres e crianças, honrar as dívidas, lutar contra os inimigos até o fim e, acima de tudo, nunca trair seu khan). Nessa época, a força de Temudjin era conhecida em toda a Mongólia. Temudjin seguiu pregando a unificação da Mongólia nos clãs e muitos khans se uniram a ele, porém, a maioria dos clãs se uniram a Jamukha, que pregava a destruição de Temudjin. Finalmente, a Mongólia estava dividida em duas: o exército de Temudjin e o exército de Jamukha. Os dois exércitos se encontraram para a batalha final. Jamukha enviou um pelotão para atacar primeiro, porém as suas tropas foram aniquiladas por uma brilhante estratégia de Temudjin e, quando os contingentes principais preparavam-se para a luta, as nuvens fecharam o céu e uma tempestade de raios começou. Os mongóis temiam os raios e quando, no brilho de um deles viram Temudjin em pé no seu cavalo com a espada erguida, sem medo do trovão, renderam-se diante dele. Os homens de Targutai o entregaram e depois foram mortos por traírem seu khan. Jamukha recebeu um cavalo de Temudjin e fugiu da Mongólia.
Em 1206, uma assembleia entre os chefes de todas as tribos das estepes proclamou Temudjin, então com quarenta e cinco anos, comoGengis Khan, o "cã dos cãs". Criou-se uma hierarquia administrativa e militar e um exército foi treinado e organizado. Para comandar um exército de milhares de homens e diminuir o poder dos antigos khans, Gengis criou uma hierarquia militar baseada na unidade mínima de dez homens comandadas por um deles. Dez unidades de dez homens cada seriam comandadas por um novo líder, que por sua vez faria parte de um grupo de mil sujeitos a um comandante determinado; este, por sua vez, obedecia a um general que tinha sob seu controle dez mil homens. Acima dos generais, apenas Gengis Khan.
Com um exército tão poderoso, Gengis Khan resolveu partir para o sul e invadir as terras do reino de Hsi Hsia, também chamado de Xixia, vassalos do império chinês, que, nessa época, se dividia em duas dinastias: o império Jin, ao norte e o império Song, ao sul. Pela primeira vez, os mongóis tiveram de enfrentar cidades muradas. Sem ainda conhecerem ou dominarem as máquinas de cerco, a capital não pôde ser conquistada. Porém, diante da recusa do império Jin em mandar um exército ao auxílio ao reino Xixia, este se submeteu ao poderio militar dos mongóis e lhes pagou um grande tributo que incluiu a filha de seu governante, dada como segunda esposa a Gengis Khan.

[editar]Táticas de guerra

Gengis criou táticas de guerra revolucionárias para as batalhas nas estepes. Seu exército era disciplinado, temido e impiedoso. A arma tradicional dos mongóis era o arco e flecha curvo, que tinha um alcance de 500 metros, com isso tornou obrigatório o treinamento dessa arma. Os cavaleiros eram treinados para atirar a flecha com o cavalo em movimento. Um detalhe era que, para maior precisão, a flecha era disparada no momento em que o cavalo estivesse em pleno galope. Esses cavaleiros, os chamados mangudais, eram uma arma poderosa contra infantaria inimiga, já que juntavam dois princípios: arco e flecha e cavalaria, ou seja, um mangudai poderia ser rápido e preciso para atingir os inimigos mesmo estando longe. O Arco curvo mongol era até mais potente que os famosos arcos longos utilizados pelos ingleses com grande êxito em batalhas contra os franceses durante a guerra dos cem anos.

[editar]Conquistas

Em 1207, os mongóis foram forçados a expandir seu território de pastagem devido a algum problema climático nas estepes e conquistaram o reino tangute de Hsi Hsia. Em seguida, atravessaram a muralha contornando-a e chegaram à China, cujo reino estava dividido entre as dinastias Jin, ao norte e Song, ao sul. As vastas plantações de arroz e a riqueza da cidade atraíram mais a atenção de Genghis do que a possibilidade de se tornar senhor da China. Na conquista do reino Jin, Genghis Khan recrutou um jovem chinês chamado Yeh-lu Ch'u-ts'-aicomo seu conselheiro pessoal. A sua influência tornou Genghis mais tolerante e menos agressivo em batalha, estimulando-o a evitar esforços exagerados na guerra e conservar as terras cultivadas ao invés de transformá-las em pastagens.
Gengis marchou até Pequim, o mais avançado centro urbano daquela época e, quando viu que a cidade era cercada de muralhas de doze metros de altura, descobriu que suas táticas de guerra em campo aberto, nas estepes, não o ajudariam naquele momento. Desse modo, não teve pressa e acampou seu exército, cercando a cidade e impediu que os suprimentos entrassem em Pequim. Esses suprimentos foram usados para suprir seu exército. Com a ajuda de engenheiros chineses dissidentes, construiu catapultas e outros artefatos bélicos e finalmente invadiu e dominou Pequim.
Gengis, após o ataque inicial aos Jin, retirou-se para a Mongólia, enquanto seus generais se encarregavam de estabelecer seu domínio na China Jin. Em 1218, um acidente diplomático provocou a ira de Genghis sobre o reino turco de Kharizm, no norte da Pérsia: um mensageiro trouxe-lhe a cabeça de um de seus generais enviado em missão diplomática à Pérsia. O Cã cavalgou à frente de mais de duzentos mil homens e cerca de dez mil máquinas de assédio adquiridas dos chineses. Houve poucas batalhas campais e os mongóis empreenderam guerras de cerco às cidades fortificadas da Pérsia, que capturaram uma a uma. Algumas, como Bucara e Samarcanda se tornariam, no futuro, espelhos longínquos da presença mongol no sudoeste da Ásia. A velha cidade de Nichapur foi arrasada e nem mesmo os animais ali sobreviveram ao ataque mongol. O exército de Genghis matou mais de um milhão de persas.
As perdas humanas em Khwarizm contavam-se aos milhares. Genghis e seus generais impunham punições brutais aos inimigos. A proximidade da Pérsia com a Europa gerou a fama de selvageria dos mongóis que assombraria o continente pelas décadas seguintes.
Em 1227, enquanto os generais de Gengis conquistavam territórios no sul da Rússia e na Ucrânia, o Grande Cã foi forçado a retornar para as estepes para conter uma revolta de Hsi Hsia, que havia recusado a convocação para a campanha contra Khwarizm. Após vencer os tangutes, Gengis Khan morreu acometido por uma febre alta e dores na cabeça.

[editar]Legado de Gengis Khan

Antes da morte de Gengis Khan, este estabeleceu seu filho, Ogedei, como seu sucessor. Ogedei encarregou-se de expandir o território mongol ao máximo, da Síria à Indochina, da Pérsia à Sibéria, da Hungria à China. Posteriormente, o grande império seria dividido em 4 partes, entre filhos e netos de Genghis, porém nenhum destes novos reinos, ou canatos, teria uma existência longa.
No início do século XIVTimur, o Coxo, alegando ser descendente de Gengis Khan, se tornaria o Cã de um breve império mongol que abarcaria toda a Mesopotâmia, a Pérsia, o Afeganistão, o Paquistão e o norte da Índia. Ainda nesse século, os tártaros ressurgiriam, inspirados pelas conquistas de Genghis, para tomar o território do dissolvido Canato da Horda Dourada, na Rússia. Vários outros levantes mongóis de menor importância tomariam lugar nos séculos seguintes, mas o meio de vida nômade e a incapacidade de estabelecer uma indústria armamentista logo tornaria os hábeis cavaleiros montados obsoletos frente às novas artilharias dos países que ali faziam fronteiras.
Na Mongólia atual, Gengis Khan é considerado o herói máximo e o pai daquela nação, cujo culto à imagem jamais se deixou apagar, mesmo durante o regime comunista. O aeroporto da capital do país foi renomeado para Aeroporto Internacional Gengis-Khan, em homenagem ao imperador.
Contam as lendas que todos os envolvidos no enterro de Gengis Khan foram mortos para manter em segredo o local onde ele foi enterrado. E esse local realmente jamais foi encontrado.

[editar]Morte

Gengis morreu enquanto tinha relações sexuais, em 1227.

[editar]Descendência

Um estudo realizado em 2002 concluiu que 8% da população da região anteriormente ocupada pelo Império Mongol, uma área entre ooceano Pacífico e o Mar Cáspio (o que corresponde a 0,5% da população mundial) podem ser descendentes de Gengis Khan.[2] Um outro estudo de 2007 afirma que 34,8% dos atuais mongóis são descendentes de Gengis Khan.[3]


Khan espalhou descendentes do Pacífico ao Cáspio

REINALDO JOSÉ LOPES


Um só homem, que viveu há cerca de mil anos em algum rincão da atual Mongólia, realizou um feito reprodutivo sem precedentes na história da humanidade: espalhou descendentes masculinos por uma área que vai do Pacífico ao Cáspio, gente que responde por 8% dos homens que vivem nas fronteiras do antigo Império Mongol, ou 12 milhões de pessoas, se as estimativas estiverem corretas. Flagrado graças a seu cromossomo Y -a marca genética da masculinidade- esse pai de multidões, dizem geneticistas britânicos, foi muito possivelmente Genghis Khan (1162-1227), o guerreiro nômade que levou os mongóis a governar a maior extensão contínua de terras da história humana.

Embora o resultado tenha implicações profundas para a capacidade da genética de reconstruir eventos históricos, algo tão grandiloquente nem passava pela cabeça de Chris Tyler-Smith, do Departamento de Bioquímica da Universidade de Oxford, quando ele e seus colegas se dispuseram a examinar amostras genéticas de homens da Ásia. "Estávamos interessados em fazer um exame básico do cromossomo Y na região. Queríamos entender os padrões das diferentes linhagens, que pareciam muito antigas e diversificadas", diz o geneticista.

Saber quais os tipos de cromossomo Y presentes numa dada população humana é uma das maneiras mais precisas de descobrir como a informação genética é transmitida de pai para filho (no sentido exclusivamente masculino da expressão). O que determina se uma pessoa é homem ou mulher é o par de cromossomos sexuais (X ou Y) recebidos dos pais: XX faz uma mulher, enquanto a combinação XY produz um homem. Mães, porém, só podem legar a seus filhos cromossomos X, enquanto os espermatozóides paternos podem carregar tanto um X quanto um Y. Dessa forma, o cromossomo da masculinidade é passado em linha ininterrupta de pai a filho homem, mudando muito pouco com o tempo -já que ele não recombina seu material genético com os demais cromossomos.

É essa estabilidade que faz do cromossomo Y uma das pistas prediletas dos geneticistas e antropólogos que tentam reconstruir a história das populações humanas com base nos genes. O DNA presente nas mitocôndrias, as usinas de energia das células, também costuma ser usado para esse fim: ele é transmitido apenas pelas mães a filhos e filhas e, por estar separado do material genético do núcleo da célula, não se recombina. 

Estimando a taxa de mutação espontânea de ambas as variáveis, é possível saber quem andou tendo sucesso reprodutivo nas linhagens masculina e feminina -e que implicações isso tem em termos históricos. A equipe de Tyler-Smith, formada por pesquisadores ingleses, italianos, chineses, uzbeques e mongóis, colheu amostras do DNA de 2.123 homens asiáticos, pertencentes a 26 etnias diferentes, do Japão às vizinhanças do Cáucaso. 

Para determinar quais os tipos de cromossomo Y que esses homens carregavam, o grupo usou 32 marcadores genéticos. Esses trechos de DNA eram marcados por modificações características, como SNPs ("polimorfismos de nucleotídeo único", formados pela troca de uma só base ou "letra" química do código genético) e microssatélites (pequenos trechos de três ou quatro bases nos quais a mesma letra do DNA se repete). Com esses dados, foi possível definir uma "assinatura" genética do cromossomo Y para cada homem estudado. 

A família do Khan

A princípio, essa análise de rotina nada revelou de muito empolgante: mais de 90% dos homens tinham uma "assinatura" única, como costuma acontecer na maioria das populações humanas. Mas 8% da amostra total parecia se juntar num grupo de linhagens muito próximas, apelidadas de "aglomerado-estrela" pelos pesquisadores. "Lembro que nós dissemos, quase como uma piada, que ali deviam estar os descendentes de Genghis Khan", conta Tyler-Smith. A brincadeira começou a ficar séria quando os geneticistas deram uma olhada na distribuição geográfica do cromossomo: nada menos que 16 etnias, todas dentro da área que formava o império mongol quando seu criador morreu. E se transformou em hipótese quando, usando um programa de computador, a equipe calculou quando e onde o "aglomerado-estrela" teria se originado. O veredicto do software: uma origem por volta de mil anos atrás, na Mongólia. "Se você nos perguntar se essas pessoas partilham um ancestral comum, eu diria que isso é uma certeza matemática", afirma Tyler-Smith. "E algo que nos ocorreu bem cedo, como mostra a piada, é a provável ligação deles com Genghis Khan." 

Além da coincidência temporal e espacial com a família do Khan, outra pista apontava para o governante: no Paquistão, apenas uma etnia, os hazaras, tinha membros entre o "aglomerado-estrela". Coincidência ou não, a tribo se considera descendente do imperador mongol. "As conversas que tivemos com historiadores forneceram outros indícios", conta Tyler-Smith. "Numa campanha militar, por exemplo, o produto dos saques era dividido igualmente entre soldados e comandantes, mas todas as mulheres jovens tinham de ser enviadas para Genghis Khan." Isso sem falar nas diversas esposas "oficiais" que o líder teve ao longo da vida. Mesmo assim, o pesquisador de Oxford alerta: "Se você nos perguntar se temos certeza de que ele foi o originador desse cromossomo, a resposta é não, mesmo porque a estimativa mostra que ele surgiu várias gerações antes do nascimento dele", diz. "Mas ele certamente levava esse cromossomo. Não podemos excluir a possibilidade de que, no mesmo lugar e na mesma época, alguma outra pessoa tivesse sido responsável por essa expansão. Contudo, seria muito improvável que tamanho sucesso reprodutivo não tivesse motivos históricos", afirma Tyler-Smith. "Além do mais, é preciso deixar claro que tudo isso não aconteceu numa geração só. Todos os irmãos de Genghis Khan teriam o mesmo cromossomo, assim como seus filhos e netos". 

Essa família incluiria Kublai Khan, neto do conquistador e imperador da China (com as milhares de concubinas que eram parte das benesses do cargo), e linhagens reais na Rússia, na Pérsia, na Coréia e na Mesopotâmia. O último descendente de Genghis Khan a governar um reino, Shahin Girai, khan da Criméia, morreu em 1783. 

Seleção natural 

Se a hipótese da equipe de Oxford estiver correta, eles podem ter dado de cara com um tipo de seleção natural muito raro na espécie humana, causado não pelas vantagens inerentes de possuir esse ou aquele gene, mas por pertencer a um clã que concentrou o poder (e as mulheres) de um continente inteiro com uma intensidade sem precedentes.

"Em populações regionais, como os índios achés, do Paraguai, existem coisas parecidas. Todos eles têm o mesmo cromossomo Y", diz Maria Cátira Bortolini, pesquisadora da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) que estuda as linhagens do cromossomo em ameríndios. "Mas eles são apenas alguns milhares de indivíduos. Numa escala mundial como essa, eu nunca tinha visto", ressalta Bortolini. "Qualquer um que estudar essas populações asiáticas vai ver as pegadas de Genghis Khan ali."

Tyler-Smith concorda: "Esse tipo de assimetria nas linhagens de cromossomo Y acontece, no máximo, entre populações inteiras. No Brasil, por exemplo, onde houve muita mistura genética, esses cromossomos são principalmente de origem européia, enquanto o DNA mitocondrial é de origem indígena ou africana. Mas Genghis Khan realmente se destaca como algo único".

"Isso demonstra a alta correlação entre os estudos com o cromossomo Y e a história", afirma Fabrício Santos, geneticista da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). "Como a história humana, principalmente quando se fala de conquistas e dominação, foi bastante machista, esse cromossomo é mais adequado que o DNA mitocondrial para responder a essas perguntas."

Por enquanto, de acordo com Tyler-Smith, é difícil saber se o "imperador dos imperadores" (tradução de "Genghis Khan", cujo nome era Temujin antes de assumir o título) deixou descendentes também entre os russos, que viveram por séculos sob domínio mongol. "Seria interessantes descobrir isso", diz o britânico.

"Eu diria que Genghis Khan é o exemplo mais extremo de algo que aconteceu outras vezes. Os homens têm uma tendência através da história a agir dessa forma quando as circunstâncias o permitem", diz Tyler-Smith. "Só sei que, toda vez que paro para pensar, fico assombrado. Um em cada 200 homens no planeta descende dessa linhagem", afirma.


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